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segunda, 04 de maio de 2026
História

Símbolo de resistência, Flor de Maio completa 98 anos

Criado com apoio dos trabalhadores ferroviários, agremiação se firmou ao longo dos anos como espaço de cultura, lazer e fortalecimento da comunidade afrodescendente

04 Mai 2026 - 17h04Por Da redação
Flor de Maio  - Crédito: Wikipédia Flor de Maio - Crédito: Wikipédia

O Grêmio Recreativo Familiar Flor de Maio vai completar 98 anos nesta segunda-feira, dia 4 de maio de 2026. Trata-se de um clube social destinado aos afrodescendentes brasileiros. A agremiação foi fundada com o apoio dos trabalhadores ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

A sede é tombada desde 2011 como patrimônio histórico em esfera municipal. Também consta na lista de bens de interesse histórico publicada em 2021 pela Fundação Pró-Memória de São Carlos (FPMSC).

Entre o final do século XIX e o início do século XX, houve um movimento clubista voltado à criação de clubes exclusivos para sócios negros, com o objetivo de se tornarem locais de lazer para os afrodescendentes, já que essas pessoas eram excluídas de qualquer vida social na época.

Além das atividades sociais, o Clube Flor de Maio proporcionava apoio funerário, de saúde e outras ações. No início, previa que apenas afrodescendentes pudessem se associar e frequentar o espaço, mas, com o passar do tempo, essa exigência deixou de existir.

Em 1937, em parceria com a Prefeitura da cidade, passou a promover aulas no clube com professoras cedidas pelo município. Essa atividade durou cerca de oito anos. A partir da organização do clube, outros movimentos foram surgindo, como o grupo teatral Rebu, o Centro de Cultura Afro-brasileira Congada e o Centro Cultural Negro Municipal.

O Flor de Maio é uma instituição de referência para estudos do movimento negro na cidade de São Carlos, por seu papel no fortalecimento da história e da tradição da população negra no município.

Nos últimos anos, o clube passou por sérias dificuldades, e sua sede chegou a correr o risco de ir a leilão. Porém, ainda no final do ano passado, a Câmara Municipal aprovou, e o prefeito Netto Donato (PP) promulgou, a lei que promoveu a remissão — uma espécie de extinção dos débitos da agremiação — e a isenção de impostos municipais desde então.

A ex-presidente Adriana A. da Silva, que é educadora e atualmente conselheira tutelar, destaca que o Grêmio Recreativo Flor de Maio sempre foi uma referência, um espaço em que a comunidade negra se sente acolhida e representada desde sua fundação. Um clube que se aproxima de um século de existência, servindo como base de apoio, cultura, educação, lazer e resistência. Ao longo de sua história, foram inúmeros os momentos marcantes, desafios superados e conquistas celebradas.

Mesmo diante do racismo persistente de uma parcela significativa da população da cidade, nenhuma manifestação cultural, social ou política do povo negro — e também do povo não negro que se identifica com o Flor de Maio — deixou de acontecer.

O momento atual, de acordo com ela, expressa essa força histórica. “Estamos ressurgindo como a fênix após um período de administração desastrosa. Hoje, um grupo jovem, liderado por uma mulher negra, assume a missão de recolocar o clube no lugar que ele nunca deveria ter deixado, com um novo perfil de gestão e atuação, mas sem jamais abrir mão da essência de representatividade e resistência que caracteriza um dos pouquíssimos clubes negros de São Paulo e do Brasil. Esse é o nosso querido Flor de Maio”, conclui.

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