José Éder Lisboa, de 64 anos, morreu em Puerto Iguazu, na argentina - Crédito: arquivo pessoalO adestrador de cães José Éder Lisboa, de 64 anos, natural de São Carlos, morreu na última sexta-feira (27), na cidade de Puerto Iguazú, na província de Misiones, na Argentina. A informação foi confirmada no domingo (29) pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav). Ele estava foragido do Brasil após condenação por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Segundo informações divulgadas pela entidade e por sua defesa, Éder estava internado havia alguns dias após complicações causadas pela síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que afeta o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular e paralisia. Ele não resistiu às complicações e morreu durante o tratamento. A família realiza o traslado do corpo para o Brasil, e o sepultamento deve ocorrer na cidade de Jaú (SP), onde há familiares.
A advogada Carolina Siebra, que representa a Asfav e também atuava na defesa de Éder, confirmou o falecimento e relatou que o quadro de saúde teve início no fim do ano passado.
“Infelizmente, o Éder faleceu na sexta-feira, em decorrência de síndrome de Guillain-Barré. Ele foi acometido no final do ano passado, estava internado no Hospital Municipal e veio a óbito na sexta-feira. Ele foi condenado a 14 anos de prisão pelo ministro Alexandre de Moraes. Não teve os seus direitos à ampla defesa ou contraditório preservado e, por isso, buscou asilo na Argentina. Em decorrência da doença, ele faleceu. A família está em traslado com o corpo para Jaú, São Paulo”, afirmou a advogada.
Condenação pelos atos de 8 de janeiro
José Éder Lisboa foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, por participação nos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília (DF). O julgamento virtual ocorreu entre os dias 14 e 21 de junho de 2024.
De acordo com a decisão, ele foi condenado pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Além da pena de prisão, também recebeu condenação a 1 ano e seis meses de detenção, pagamento de 100 dias-multa, equivalente a cerca de R$ 43,4 mil, e indenização por danos morais coletivos no valor total de R$ 30 milhões, a ser dividida entre os demais condenados.
Durante o interrogatório, Éder declarou que entrou em um dos prédios públicos para se proteger de bombas de efeito moral e afirmou não ter participado de atos de vandalismo. Ele se tornou réu em maio de 2023 e chegou a ter a prisão revogada em agosto do mesmo ano, permanecendo em liberdade com restrições antes de deixar o país.





