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sexta, 09 de janeiro de 2026
Crise na Venezuela

Professor de geopolítica de São Carlos aposta que invasão causará vários problemas para Trump

Ney Vilela afirma que presidente dos EUA quer baixar preço do petróleo, contrariando a crescente indústria de carros elétricos

06 Jan 2026 - 10h34Por Da redação
Bandeira Venezuela - Crédito: FreepikBandeira Venezuela - Crédito: Freepik

O escritor, historiador e professor de geopolítica Ney Vilela, autor de vários livros sobre política internacional, destaca que Donald Trump é um líder que usa “táticas” e não “estratégia” e, por isso, terá vários problemas pela frente causados pela invasão da Venezuela e pela prisão de seu presidente, Nicolás Maduro. “Ele age conforme a situação do momento, age por reflexo. Os EUA têm estratégia, mas Trump não. Assim, a invasão da Venezuela e a derrubada de Maduro atendem a interesses imediatos, sendo alguns de ordem eleitoral e outros de ordem econômica”.

Segundo Vilela, do ponto de vista econômico, o objetivo é derrubar o preço do petróleo e, nesse sentido, Trump terá problemas internos. “A manutenção das velhas formas de produção de energia acaba por causar danos muito grandes na estrutura de pesquisa tecnológica e científica dos EUA. Essa queda no preço do petróleo prejudica diretamente a onda de produção de carros elétricos. Isso provavelmente não vai agradar muito a Elon Musk. Como Trump agiu taticamente com relação ao petróleo, ele terá problemas estratégicos. Eu creio que, inclusive, movimentos como o MAGA (Make America Great Again) serão contra intervenções dos EUA em outros países. Intervenções como a da Venezuela custam muito caro. Se Trump não conseguir resolver os problemas de quem administra a Venezuela e tiver que intervir por muito tempo nessa questão, os prejuízos econômicos virão muito antes do eventual lucro, depois que retomar a produção petrolífera, que está em uma situação catastrófica na Venezuela. Eu não vejo como resolver esses gargalos econômicos e produtivos na Venezuela em menos de dois ou três anos”.

As eleições legislativas de meio de mandato vão ocorrer ainda em 2026. “Então, Trump, talvez por iniciativa tática, esteja perdendo na questão estratégica. As questões que analisei são do ponto de vista interno, que para o cidadão médio americano é muito mais importante do que as questões geopolíticas internacionais”.

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DIVISÃO DO PLANETA – Com relação à geopolítica atual, segundo Vilela, a postura de Trump deixa claro que ele considera a si próprio, Vladimir Putin (presidente da Rússia) e Xi Jinping (presidente da China) como os líderes que mandam no mundo e o dividem em áreas de influência. “Trump está dizendo: ‘a América é minha’, delimitando da Groenlândia à Terra do Fogo como sua área de influência. Assim, Putin pode ficar com o que era a antiga União Soviética, e Xi Jinping poderá ficar com os países ao redor da China. Xi Jinping, apesar do grande poder bélico chinês, tende a não usar seu arsenal, mas sim a tecnologia, a não ser em Taiwan. Putin vai ficar muito feliz, pois poderá invadir a Ucrânia e outras regiões, e Trump não considera minimamente importante uma região chamada Europa, que ele deixa fora do xadrez internacional”.

Quanto ao Brasil, Vilela afirma que pouca coisa ou nada mudará, apesar da gritaria contra a invasão. “A América Latina nunca deixou de ser um quintal dos Estados Unidos. Do ponto de vista geopolítico, por aqui as coisas vão mudar muito pouco”, conclui.

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