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quarta, 21 de janeiro de 2026
Caso de Polícia

Médico é investigado por importunação sexual em UPA da região

Pacientes relataram condutas inadequadas durante atendimentos e o profissional foi afastado pela Prefeitura

21 Jan 2026 - 13h35Por Flávio Fernandes
Médico é investigado por importunação sexual em UPA da região - Crédito: Foto: Arquivo São Carlos Agora Crédito: Foto: Arquivo São Carlos Agora

A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) investiga denúncias de importunação sexual envolvendo um médico de 49 anos que atuava na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Xavier, em Araraquara. O caso foi registrado em boletim de ocorrência na última segunda-feira (19), e envolve relatos de duas jovens, de 19 e 20, atendidas pelo profissional.

Segundo o registro policial, tudo começou após uma guarda municipal ser acionada pela equipe da própria unidade de saúde, depois que as vítimas relataram desconforto durante consultas médicas. Os fatos teriam ocorrido dentro do ambiente hospitalar, durante atendimentos distintos.

As jovens informaram que procuraram a UPA por queixas de saúde diferentes, mas afirmaram que durante as consultas, a conduta do médico levantou suspeitas e causou constrangimento. Em um dos relatos, uma delas disse que foi orientada a se deitar na maca e fechar a porta do consultório.

Ainda de acordo com o boletim, o profissional teria falado em tom baixo e realizado exames físicos com toques considerados inadequados, próximos às partes íntimas. Outro ponto, destacado envolve o uso do telefone celular de uma das vítimas.

O médico teria solicitado o aparelho sob a justificativa de verificar imagens relacionadas ao atendimento, mas acabou acessando a galeria pessoal e fazendo comentários considerados impróprios sobre fotos e aparência física da jovem, além de questionamentos sobre sua vida pessoal. Ela afirmou que retomou o celular e questionou a atitude do profissional, que teria respondido que queria ver uma “foto bonita” dela.

Na sequência o suspeito passou a conversar sobre assuntos alheios à consulta e chegou a sugerir, de forma indireta, um convite para almoço. Após o atendimento, a vítima comunicou o ocorrido à equipe da UPA e à Guarda Municipal.

As partes foram encaminhadas à DDM, onde o boletim de ocorrência foi formalizado e encaminhado para análise da delegada responsável. Em depoimento, o médico afirmou ter realizado consultas normais, disse não se lembrar especificamente das pacientes e negou qualquer conduta fora do habitual.

Não houve prisão em flagrante e todos foram liberados e as investigações devem continuar e novas testemunhas devem ser ouvidas, imagens de câmeras de segurança serão requisitadas, além de documentos internos da unidade de saúde para esclarecer as circustâncias o caso. O crime de importunação sexual está previsto no artigo 215-A do Código Penal e consiste na prática de ato libidinoso sem o consentimento da vítima, com pena que varia de um a cinco anos de reclusão, quando não houver crime mais grave.

Em nota, a Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da FUNGOTA (Fundação Municipal de Amparo à Saúde), informou que tomou conhecimento da denúncia e que, diante da gravidade dos fatos, o médico foi afastado preventivamente de suas funções. A administração municipal instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para apurar o caso.

Ainda segundo a Prefeitura, o município não compactua com condutas inadequadas, reforça o compromisso com o respeito aos pacientes e afirma que todas as providências cabíveis estão sendo adotadas com responsabilidade, transparência e rigor. Novas informações deverão ser divulgadas conforme o andamento das apurações.

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