Ovos de páscoa em supermercado: melhora mais significativa nos preços para o consumidor final só deve ocorrer a partir de 2026, após a indústria conseguir equilibrar os estoques com o cacau mais barato. - Crédito: SCAO advogado André Di Salvo, especialista em defesa do consumidor, está reforçando a importância de o consumidor recorrer à pesquisa de preços antes de comprar os ovos de Páscoa, para economizar e evitar gastos excessivos que possam impactar a renda mensal.
Di Salvo alerta ainda sobre a importância de verificar a presença do selo do Inmetro nos ovos que vêm acompanhados de brinquedos, o qual indica que o produto foi fabricado e comercializado de acordo com as normas técnicas, além de reforçar a exigência da nota fiscal para que as garantias sejam respeitadas.
O alerta do especialista vem em um momento em que os preços dos ovos de Páscoa no Brasil, em 2026, continuam a apresentar reajustes expressivos, com relatos de valores que assustam o consumidor, chegando a ser seis vezes superiores à inflação acumulada no período. Esse aumento é reflexo direto da crise na produção de cacau, que atingiu seu auge entre 2023 e 2024, acumulando alta de 189% na matéria-prima.
Nesta Páscoa, supermercados trabalham com estoques de produtos que foram produzidos — e comprados — com o valor do cacau mais alto.
Contudo, dados da ICCO (Organização Internacional do Cacau) apontam para um superávit global estimado de cerca de 200 mil toneladas até o final de 2026, um sinal de que a oferta tem reagido após o choque de preços dos últimos anos.
Ao mesmo tempo, a moagem — um indicador de consumo — permaneceu pressionada ao longo de 2025, refletindo não apenas custos elevados, mas também uma queda no apetite por chocolate em mercados maduros.
A moagem de cacau na Europa caiu 8,3% em relação ao ano anterior, para 304,47 mil toneladas no quarto trimestre. Foi a sexta queda consecutiva e muito pior do que as previsões do mercado, que apontavam para uma baixa de 2,9%. O mercado europeu representa entre 40% e 45% do consumo global de cacau.
“Ainda que hoje o cenário seja mais positivo do ponto de vista da oferta de amêndoas, isso não traz tranquilidade para a cadeia como um todo. Extremos climáticos continuam impactando fortemente a cultura do cacau, e esse quadro pode mudar de uma hora para outra”, afirma, ao CNN Agro, Anna Paula Losi, presidente executiva da AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau).
Para 2026, o desafio central será evitar que o ajuste se transforme em um novo ciclo de desequilíbrio. “Se o preço cair demais, há desestímulo à produção. A oferta encolhe, o preço volta a subir e o consumo cai novamente. É um ciclo vicioso”, afirma. “A grande pergunta é qual é esse ponto de equilíbrio. Ninguém sabe responder.”
O advogado André Di Salvo, especialista em defesa do consumidor: “diante dos preços altos, a pesquisa se torna primordial para não afetar os orçamentos domésticos”Impacto na cadeia e no Brasil – A reintrodução de oferta e a queda dos preços internacionais não representam, no entanto, uma recuperação instantânea para todos os elos da cadeia.
Oscilações climáticas nos polos africanos continuam a ser um fator de risco, e muitos produtores e processadores lidam com estoques baixos e custos elevados de frete e financiamento do cacau.
No Brasil, a indústria doméstica segue sensível à precificação e à oferta, uma vez que grande parte da amêndoa utilizada pela indústria local continua a ser importada.
Com o mercado de cacau em ajuste, a indústria brasileira de chocolate olha para a Páscoa de 2026 com expectativas menos tensas do que nos anos anteriores, mas também com cautela.
“Se você perguntar ao produtor, ele vai dizer que não é suficiente. Se perguntar à indústria, ela também pode discordar. Os patamares de 2024 eram claramente insustentáveis”, afirma Losi.
Os traders agora aguardam dados de moagem da América do Norte e da Ásia. Enquanto isso, o clima favorável nas principais regiões produtoras da África Ocidental, particularmente na Costa do Marfim e em Gana, deve aumentar as colheitas em fevereiro e março, com os agricultores também prevendo melhor qualidade da safra.
Segundo eles, os cacaueiros já estão começando a florescer, um sinal positivo que pode impulsionar a próxima colheita de meio de temporada, prevista para o período entre abril e setembro.
PRINCIPAIS FATORES PARA A EXPLOSÃO DE PREÇOS EM 2026 –
Custo do cacau: Houve uma queda de 500 mil toneladas na produção global nos últimos anos. Embora o preço do cacau tenha dado sinais de queda na Bolsa de Nova York no início de 2026, o impacto positivo para o consumidor demora a chegar, pois a indústria ainda está recuperando margens.
Os estoques estão caros porque os ovos de Páscoa de 2026 foram produzidos utilizando matéria-prima adquirida nos períodos de pico histórico de preços do cacau. O preço dos produtos de chocolate acumula alta expressiva, pressionando o mercado de confeitaria e os produtos de grandes indústrias.
CENÁRIO NO VAREJO 2026:
Ovos gourmet/especiais: Produtos de marcas premium (como Ferrero Rocher) atingem preços altos, com opções superando R$ 100,00.
Ovos infantis: Itens licenciados (Barbie, Hot Wheels) chegam ao mercado com preços elevados, muitas vezes próximos a R$ 90,00.
Shrinkflation (reduflação): Relatos de diminuição do tamanho ou peso dos ovos para manter o preço, embora, em 2026, o custo por grama tenha subido.
Alternativas: Aumenta a busca por ovos em fatia ou menores como alternativa ao ovo de Páscoa tradicional.
EXPECTATIVA:
Especialistas indicam que uma melhora mais significativa nos preços para o consumidor final só deve ocorrer ao longo de 2026, após a indústria conseguir equilibrar os estoques com o cacau mais barato.




