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segunda, 20 de abril de 2026
Ciência para todos

Projeto quer transformar alfabetização científica em política pública

20 Abr 2026 - 11h45Por Jessica
Aluno segura celular - Crédito: © Divulgação/MCTICAluno segura celular - Crédito: © Divulgação/MCTIC

A aprovação do projeto “Ciência para Todos: Alfabetização Científica com Tecnologias Inovadoras”, no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da FAPESP, abre uma nova frente de cooperação entre universidade, poder público e instituições culturais para qualificar o ensino de Ciências em São Carlos. Com coordenação do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e parceria da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade (IMA), a proposta pretende transformar a alfabetização científica nos anos iniciais do ensino fundamental em uma política pública estruturada, com impacto em toda a rede e potencial de replicação em outros municípios. 

Com início em abril de 2026, a proposta contará com investimento total de mais de R$ 1.900.000,00 pela FAPESP, contemplando recursos para equipamentos, materiais de consumo, serviços, bolsas e reserva técnica, em uma estrutura pensada para sustentar o desenvolvimento, a aplicação e a avaliação das ações ao longo de 48 meses, com potencial de impacto direto sobre até 6.391 estudantes em 60 unidades de ensino da rede municipal. 

O projeto propõe o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de sequências didáticas interdisciplinares contextualizadas com uso de tecnologias imersivas, jogos educativos e materiais manipulativos produzidos com impressão 3D para os cinco anos do Ensino Fundamental I, estruturadas em ciclos de diagnóstico, cocriação, experimentação, avaliação e redesenho. Os materiais educacionais, jogos, manuais e arquivos produzidos deverão ser disponibilizados em acesso aberto, ampliando a possibilidade de replicação da política pública em outros contextos.

A proposta parte de um desafio histórico da educação básica: a necessidade de práticas mais sistemáticas, atraentes e eficazes para o ensino de Ciências nos primeiros anos de escolarização. Alinhada à BNCC, à LDB e às metas do Plano Nacional de Educação, a iniciativa pretende fortalecer o pensamento científico, crítico e criativo desde a infância. 

As ações serão organizadas em três frentes principais: trabalho direto com estudantes da rede municipal em escolas e bibliotecas; formação continuada de professores por meio do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CEFPE); e atividades de educação não formal em espaços públicos, como bibliotecas comunitárias e o Museu de Ciência “Mario Tolentino”, envolvendo também estudantes dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e o público em geral. O projeto prevê ainda a produção de materiais didáticos acessíveis, a realização de oficinas e exposições e a integração das metodologias ao currículo das escolas de tempo integral. 

Para o coordenador do projeto, Prof. Dr. Guilherme Matos Sipahi, a proposta busca ampliar o acesso ao conhecimento científico de forma significativa e socialmente enraizada. “A alfabetização científica precisa começar cedo e precisa dialogar com a realidade das crianças. Quando unimos escola, universidade, bibliotecas, museus e tecnologias inovadoras, criamos condições para que a ciência seja vivida de forma concreta, crítica e criativa. Nosso objetivo é ajudar a consolidar uma política pública duradoura, baseada em evidências e voltada à formação de estudantes mais preparados para compreender o mundo contemporâneo.”

Um dos diferenciais da proposta é o modelo de construção conjunta entre pesquisadores, gestores públicos, professores e instituições culturais. Em vez de transferir soluções prontas, o projeto propõe um processo contínuo de coprodução, com diagnóstico da realidade da rede, elaboração colaborativa de materiais, formação docente, aplicação nas escolas e avaliação dos resultados. A expectativa é que esse percurso produza evidências sólidas para orientar decisões curriculares e pedagógicas permanentes, fortalecendo a relação entre pesquisa acadêmica e melhoria concreta da educação pública. 

Ao comentar a iniciativa, Roselei Aparecido Françoso, vice-prefeito de São Carlos, secretário municipal de Educação e responsável da prefeitura pela realização do projeto, destaca o alcance estratégico da parceria. “Esse projeto reúne aquilo que a educação pública mais precisa neste momento: compromisso com inovação, formação de professores, diálogo com a realidade da rede e capacidade de transformar boas ideias em política pública. São Carlos tem tradição em ciência e tecnologia, e agora dá mais um passo para fazer com que esse patrimônio chegue de forma ainda mais efetiva às crianças e aos educadores da rede municipal.” A proposta prevê atuação direta da Secretaria Municipal de Educação desde a concepção até a implementação, execução e avaliação das ações, com apoio institucional, pedagógico e logístico. 

Outro eixo importante será a incorporação de elementos da Arte no desenvolvimento das ações, como estratégia de engajamento e de ampliação do aprendizado em perspectiva interdisciplinar. Nesse campo, a participação do Instituto Mário de Andrade, sob a liderança de Fátima Camargo, será essencial para aproximar práticas artísticas, cultura e alfabetização científica, especialmente no contexto das escolas de tempo integral. A proposta pretende mostrar que ciência, arte e tecnologia podem atuar de forma integrada, favorecendo experiências educativas mais sensíveis, criativas e participativas. 

Nesse ponto, o Dr. Herbert Alexandre João, pesquisador associado do projeto e coordenador pedagógico do Estúdio de Mídia, Cultura e Ciência (E=mc²) do IFSC, onde a proposta será executada, destaca a importância da mesclagem de metodologias ativas com o uso de tecnologias. Atuando na área de Ensino e Formação de Professores, Herbert afirma: “Museus, bibliotecas e escolas podem atuar de forma integrada na promoção da alfabetização científica. Quando o estudante encontra a ciência em diferentes linguagens, com experiências imersivas, jogos, objetos manipuláveis e mediação qualificada, o engajamento aumenta e a aprendizagem se torna mais significativa.” A proposta também prevê o uso de realidade virtual, realidade aumentada, recursos 2D, protótipos 3D e kits de aprendizagem para ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho docente. 

Ao fim do percurso, a expectativa é não apenas melhorar indicadores de alfabetização científica e ampliar o interesse pela ciência, mas também consolidar uma proposta de formação continuada replicável, integrar os materiais ao currículo das escolas de tempo integral e subsidiar a formulação de políticas públicas educacionais baseadas em evidências. Em São Carlos, a iniciativa reafirma o valor da colaboração entre universidade, escola, bibliotecas, museus e gestão pública na construção de respostas inovadoras para desafios reais da educação. 

Participam do projeto, além do coordenador Guilherme Matos Sipahi e de Roselei Aparecido Françoso, os pesquisadores associados Ana Karina Marmorato Gomes, Fátima Helena Sampaio Camargo Catalano, Herbert Alexandre João, Mariana de Fátima Schiabel, Nathalia Muylaert Locks Guimarães e Rafaela Marchetti, reunindo equipes do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade.

O projeto está vinculado à FAPESP sob o processo nº 2025/06995-1, na linha de fomento Programas de Inovação Tecnológica / PPPP - Programa de Pesquisa em Políticas Públicas / PPPP - Chamada de Propostas (2024) - Fase 2.

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