
A Secretaria Municipal de Saúde promoveu, na tarde desta quinta-feira (26/02), uma capacitação voltada ao enfrentamento da sífilis no município. O encontro foi realizado no auditório do Paço Municipal e reuniu médicos, enfermeiros, pesquisadores e estudantes para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, além de analisar os dados mais recentes registrados na cidade.
Durante a abertura, a coordenadora municipal do Programa IST/AIDS, Cíntia Ruggiero, ressaltou a importância da atualização permanente dos profissionais da rede. Segundo ela, a sífilis continua sendo um problema de saúde pública em nível mundial e também em São Carlos. A maior preocupação, destacou, está nos casos envolvendo gestantes e na sífilis congênita — quando ocorre a transmissão da mãe para o bebê.
De acordo com os dados apresentados na capacitação, São Carlos registrou 363 notificações de sífilis adquirida em 2025. Embora o número seja superior ao dos anos anteriores, os especialistas avaliam que o aumento também está relacionado à ampliação da testagem e à maior eficiência da rede pública na identificação e no tratamento dos casos.
O enfermeiro e mestrando da Universidade Federal de São Carlos, Matheus Gabriel de Melo Sérgio, explicou que a sífilis é considerada uma epidemia silenciosa, apesar de ter diagnóstico rápido. Ele destacou que o crescimento nas notificações indica que os serviços de saúde estão conseguindo alcançar mais pessoas e interromper a cadeia de transmissão.
Já o infectologista Daniel Litardi Castorino Pereira, que atua no Centro de Atendimento de Infecções Crônicas, enfatizou a necessidade de enfrentar o preconceito associado à doença. Segundo ele, ainda há desinformação e estigmas que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Para o médico, ampliar o debate e difundir informações corretas são passos essenciais para reduzir os casos.
A programação contou ainda com palestras técnicas e discussões sobre o papel da rede pública, responsável por concentrar o atendimento da população, reforçando a importância da atuação integrada no combate à sífilis em São Carlos.





