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quinta, 15 de janeiro de 2026
Reviravolta

Leandro Guerreiro vence "eleição" dentro de presídio

Ex-parlamentar disse que tinha que passar pela cadeia, garante que leu a Bíblia três vezes em 56 dias e que fez mais de 200 charges de presos e parentes dos presos.

15 Jan 2026 - 08h17Por Da redação
No presídio, Guerreiro desenhou toda a estrutura física do alojamento onde ficou durante os dias em que ficou no CPP - Crédito: divulgaçãoNo presídio, Guerreiro desenhou toda a estrutura física do alojamento onde ficou durante os dias em que ficou no CPP - Crédito: divulgação

Durante o período em que ficou preso no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Jardinópolis, localizado na Rodovia Cândido Portinari, km 323, no bairro Jurucê, o ex-vereador, desenhista e chargista Leandro Guerreiro chegou a ganhar uma eleição. Ele foi escolhido para organizar as atividades religiosas da prisão.

Guerreiro, em entrevista exclusiva ao São Carlos Agora, contou que, após a transferência do detento que organizava os trabalhos religiosos no CPP, houve apreensão entre os detentos. Havia um grupo que desejava que o trabalho religioso fosse repassado ao controle de alguém ligado ao ex-coordenador.

"As pessoas percebiam que, desde o primeiro dia em que cheguei ao presídio, eu ou estava trabalhando ou estava ocupado lendo a Bíblia. Assim, perceberam que eu tinha conhecimento da palavra de Deus e que estudava a Escritura Sagrada. Houve então uma eleição, uma escolha do novo coordenador, e eu acabei ganhando a disputa por 55 votos a 2. Eu não votei", conta Guerreiro.

Ele destacou que todos os dias na prisão foram bons. "Não tive nenhum dia ruim. Não houve dia de tristeza, solidão ou problema. Os dias passaram rápido. Lá (no CPP) são 24 alojamentos. Não há cela individual. O alojamento tem 35 metros quadrados por cinco metros de extensão. Existem seis quadrados com nove camas cada um. Quando lota, ficam dois no chão. Mas, logo que cheguei, havia uma cama reservada para mim. Eu fiquei desde o primeiro dia até quando saí em uma beliche de concreto. Foi muito bom. Fui focado para cumprir a pena", comentou.

Guerreiro destaca que não quis receber visitas no início. "Recebi cartas da minha mãe e da minha esposa. Quando completaram 30 dias de prisão, o advogado entrou em contato contando que minha mãe chorava muito e que minha esposa queria colocar alguém na visita para me ver. Aí eu liberei a família. Depois de 60 dias da minha prisão, os documentos deles ficaram prontos e passaram a me visitar, sem faltar nenhuma semana", narra.

Ele ressalta que trabalhava durante o dia, com um salário de R$ 650 por mês, em remissão, e também tinha a oportunidade de sair do alojamento e respirar um pouco fora. "Eu trabalhava durante o dia e, no final da tarde, voltava para o alojamento. Eu limpava a igreja, cuidava das cadeiras e ensaiava para os cultos dos finais de semana", afirma.

Cerca de duzentas caricaturas de seus colegas presos foram produzidas por Guerreiro nos primeiros 45 dias de prisão. "Cada desenho que eu produzia era uma festa na cadeia. Os presos se divertiam muito. Meu nome correu rápido lá dentro e logo fiquei popular. Todo mundo passou a saber que eu fui vereador e que era chargista. Todo mundo queria caricatura, principalmente das famílias dos presos nos dias de visita. Desenhei muita gente: esposa, mãe, irmão, irmã, filhos, etc. Mas não consegui ensinar ninguém a desenhar."

A perda da liberdade fez Guerreiro retomar sua fé. "Minha fé em Deus foi muito elevada neste período. Eu estava meio relaxado antes com a Bíblia. Antes de ser preso, eu nem ia à igreja. Eu sempre li muito a Bíblia e, neste período, li a Bíblia três vezes inteirinha em 56 dias", garante.

Apesar do castigo imposto pela Justiça, Guerreiro afirma que não se arrepende de nada e ressalta que passou pelo que tinha que passar. "Não fiquei nem um dia ansioso no presídio e não me arrependo de nada. Era uma vontade de Deus que eu fosse preso. Eu me aproximei mais de Deus. Eu precisava estar preso para corrigir certas coisas, para entender certas coisas que fiz e que não deveria ter feito lá atrás. Foi um aprendizado, um tratamento diretamente de Deus comigo", afirma.

Quanto ao restante de sua pena, Guerreiro assegura que vai cumprir tudo o que a lei prevê. "Vou atender a tudo o que o regime aberto pede. Tanto que fico mais em casa. Posso sair durante o dia para trabalhar e até as 21h tenho que estar em casa, e isso até as 18h. Já acertei celular, aplicativo e vou cumprir tudo o que a lei determina."

Leandro após deixar a prisãoO ex-vereador Leandro Guerreiro: ele garante que aprendeu muito com a prisão e que ficou popular no presídio graças a seu talento para o desenho  

ELEIÇÕES 2026 Quanto às eleições de outubro deste ano, por problemas legais, Guerreiro afirma que não será candidato, mas disse que não ficará de fora. "Quero participar das eleições não como candidato, mas talvez apoiando algum dos candidatos ao pleito de outubro", anuncia.

EXTINÇÃO DO MANDATO E PRISÃO Guerreiro teve o mandato extinto no dia 1º de julho, após anúncio do presidente da Câmara, Lucão Fernandes (PP). A condenação foi definida no dia 11 de junho deste ano.

Em agosto de 2024, o parlamentar foi condenado, em segunda instância, a 1 ano e 7 meses de prisão em regime semiaberto por injúria e difamação, ao fazer charges de figuras públicas com termos pejorativos e de intolerância religiosa. Ele estava preso desde o dia 4 de agosto. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a defesa do réu recorreu da sentença, e o processo tramitou em grau de recurso até 11 de junho de 2025, data da certidão de trânsito em julgado. O suplente, o ex-vereador Moisés Lazarine (PL), assumiu a vaga e exerce o cargo desde então.

O ex-vereador Guerreiro se envolveu em outras polêmicas ao longo dos mandatos em São Carlos, como quando retirou cartazes sobre tolerância sexual e religiosa de uma escola, agrediu um jornalista e foi condenado por ofensas a um servidor do SAAE.

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