Crédito: Foto: Divulgação/SOS Desaparecidos/Polícia Militar SCUma descoberta macabra na manhã deste sábado (3), pode confirmar o pior temor de uma família de Araraquara. Quatro corpos foram encontrados enterrados em uma área de mata em Biguaçu, na Grande Florianópolis e a Polícia Civil investiga se pertencem aos jovens desaparecidos desde o dia 28 de dezembro e entre eles está o araraquarense Pedro Henrique Prado de Oliveira, de apenas 19 anos.
Os corpos foram localizados em avançado estado de decomposição, mãos amarradas e multilados na região do Morro do Melado, bairro Fundos, em um local apontado como cemitério clandestino utilizado pela facção criminosa PGC (Primeiro Grupo Catarinense). A informação foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Por volta das 8h45 deste sábado, a Polícia Militar recebeu informações sobre a localização dos cádaveres abandonados às margens de uma estrada. Ao chegarem no local, os policiais militares confirmaram a situação e isolaram imediatamente a área para o trabalho da perícia e preservação dos vestígios.
A identificação oficial das vítimas ainda não foi divulgada e as necropsias serão realizadas para confirmar se os corpos são de Pedro Henrique e dos amigos Bruno Máximo da Silva 28, Daniel Luiz da Silveira, 28, e Guilherme Macedo de Almeida de 20, que estão desaparecidos há uma semana.
Pedro Henrique havia deixado Araraquara há cerca de três meses para tentar a vida em Santa Catarina, junto com o amigo Daniel e os dois buscavam melhores oportunidades de trabalho no estado sulista. Os jovens dividiam um apartamento no bairro Barreiros, em São José, cidade vizinha à capital catarinense.
A mãe de Pedro Henrique, Silvia Prado, vinha buscando desesperadamente informações sobre o filho desde que deixou de atender ligações e responder mensagens. Em declarações à imprensa nos últimos dias, ela expressou a angústia da família.
“A gente tá sem nenhuma informação e eu preciso saber do meu filho. Eu quero saber do meu filho, as outras mães também. Nós estamos todos desesperados”, disse.
Guilherme chegou ao estado há aproximadamente 20 dias e tinha um emprego garantido para começar na próxima segunda-feira (5). Já Bruno havia desembarcado na sexta-feira (26), em Santa Catarina.
Os quatro eram amigos, se conheceram em Minas Gerais e moravam juntos no apartamento em São José. As famílias sempre afirmaram que os grupo, não tinham qualquer envolvimento com atividades criminosas.
A principal linha de investigação aponta que os jovens podem ter sido assassinados por engano, após serem identificados ou confundidos como integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção paulista rival do PGC em Santa Catarina.
Segundo informações obtidas por veículos de imprensa junto a fontes da Polícia Militar, o grupo pode ter sido alvo de uma emboscada articulada por membros do Primeiro Grupo Catarinense. A suspeita é de que gestos feitos pelos jovens em fotos e vídeos publicados nas redes sociais, como o sinal conhecido como "Tudo 3", frequentemente interpretado no meio criminoso como referência ao PCC, possam ter motivado a ação violenta.
Fontes ligadas à investigação indicam ainda que as vítimas, teriam sido torturadas e mutiladas antes da execução. No entanto, a confirmação oficial dessas informações depende do resultado das perícias e necropsias que serão realizadas nas próximas horas.
O local onde os corpos foram encontrados seria utilizado frequentemente pelo PGC para execuções e ocultação de cadáveres. A região do Morro do Melado é de difícil acesso e teria se tornado ponto estratégico para a organização criminosa.
O QUE SE SABE SOBRE O PGC
O Primeiro Grupo Catarinense é a maior facção criminosa de Santa Catarina, nascida em 2003 na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, a organização surgiu como reação ao avanço do PCC no estado e conta atualmente com cerca de 10 mil membros, segundo estimativas das autoridades.
A facção mantém estatuto próprio, aplica os chamados "tribunais do crime" e se financia através do "dízimo" cobrado de seus integrantes e do tráfico de drogas. O PGC é aliado do CV (Comando Vermelho) e da FDN (Família do Norte (FDN), ambas rivais do Primeiro Comando da Capital.
A guerra entre PGC e PCC já resultou em episódios de extrema violência em Santa Catarina. Em 2015, o conflito provocou os maiores índices de homicídios da história do estado. Mais recentemente, em outubro de 2024, uma onda de ataques com carros e ônibus incendiados em Florianópolis evidenciou a disputa territorial entre as organizações.
ÚLTIMOS MOMENTOS ANTES DO DESAPARECIMENTO
Câmeras de segurança registraram os últimos momentos dos quatro amigos antes do sumiço. Na madrugada de domingo (28), por volta da meia-noite, Pedro Henrique fez contato com um vizinho por aplicativo de mensagens, convidando-o para ir a um bar no Centro de Florianópolis.
Por volta das 3h, imagens mostram os jovens em frente ao prédio onde moravam no bairro Barreiros. Às 4h16, outros registros flagraram Guilherme e Bruno próximos ao imóvel, mas pós esse horário, nenhum dos quatro voltou a atender ligações ou dar notícias.
O apartamento foi encontrado aberto, com comida em cima do fogão, carregadores de celular na tomada e pertences pessoais intactos.
“Eles saíram para voltar, não saíram para sumir. Deixaram a casa destrancada, a janela aberta”, relatou Elizabete de Macedo Almeida, mãe de Guilherme, em entrevista a portais de notícias.
O dono do imóvel fez uma chamada de vídeo com a família mostrando o interior da residência e todas as coisas dos jovens permaneciam no local, indicando que eles não planejavam uma ausência prolongada. A PM atuou desde o início do caso, mobilizando equipes em buscas que duraram dias.
A partir de informações da inteligência policial, os trabalhos se concentraram na área de difícil acesso onde os corpos foram finalmente localizados na manhã deste sábado. A Polícia Civil agora continua com as investigações e nenhuma hipótese, foi descartada até o momento.





