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quinta, 12 de março de 2026
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Dia do Bibliotecário: na era da Inteligência Artificial, profissionais ganham novo protagonismo

Bibliotecários assumem papel estratégico no combate à desinformação e na mediação do conhecimento. Para marcar a data, Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de SP promove programação especial

11 Mar 2026 - 21h50Por Jessica Carvalho R
Dia do Bibliotecário: na era da Inteligência Artificial, profissionais ganham novo protagonismo -

Celebrado em 12 de março, o Dia do Bibliotecário convida a sociedade a olhar além das estantes e reconhecer a importância estratégica de quem organiza, valida e democratiza o acesso ao conhecimento. Em um mundo marcado por algoritmos e por uma avalanche diária de conteúdos digitais, a atuação desse profissional torna-se cada vez mais essencial. Mais do que uma homenagem simbólica, a data reafirma a importância de quem garante a qualidade da informação, promove o acesso público ao saber e fortalece a construção de uma sociedade mais crítica e bem informada no Brasil.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957), considerado o primeiro bibliotecário concursado do país. Também poeta, publicitário e intelectual atuante, ele assumiu a direção da Biblioteca Central da então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e tornou-se referência na consolidação da Biblioteconomia como campo profissional. O 12 de março foi oficializado como Dia do Bibliotecário pelo Decreto nº 84.631 e reforça a importância da categoria para a sociedade brasileira.

Ao contrário do que ainda sugere o imaginário popular, o bibliotecário não atua apenas entre estantes silenciosas. “Sua formação o habilita a trabalhar com organização da informação, curadoria digital, preservação de acervos e estratégias de busca e recuperação de dados. Está presente em bibliotecas públicas, escolares e universitárias, mas também em hospitais, fóruns, tribunais, empresas privadas, editoras, museus, centros culturais e instituições de pesquisa”, explica a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins.

 

Território de livros, acolhimento e aprendizagem

As bibliotecas também passaram por profundas transformações nos últimos anos. De espaços voltados exclusivamente à guarda e ao compartilhamento de livros, tornaram-se ambientes vivos de convivência, formação e inclusão social. Em muitas comunidades, especialmente nas periferias, a biblioteca é um dos poucos equipamentos culturais disponíveis, oferecendo acesso gratuito à leitura, à internet, a atividades educativas e a projetos de incentivo à cultura. Mais do que um espaço físico, é um território de acolhimento e construção de cidadania.

“Um exemplo marcante é a história da escritora Luciene Müller, que viveu nas ruas de São Paulo entre os 4 e 11 anos e encontrou na biblioteca refúgio e um ponto de virada. Foi ali, com o incentivo e a dedicação de bibliotecárias, que ela aprofundou o gosto pela leitura, desenvolveu sua escrita e, anos depois, publicou sua obra Colo Invisível, na qual narra como o acesso aos livros e ao apoio humano contribuíram para transformar sua vida”, revela Ana Cláudia Martins.

 

Os livros e a IA

Na era da Inteligência Artificial e da desinformação, o papel do bibliotecário ganha novos contornos. A facilidade de produzir e compartilhar conteúdos amplia o acesso à informação, mas também aumenta os riscos de circulação de notícias falsas e dados imprecisos. Nesse cenário, o bibliotecário atua como mediador crítico, capacitado para avaliar fontes, organizar grandes volumes de dados e promover o uso ético da informação. Se antes o desafio era classificar e preservar acervos físicos, hoje inclui também organizar o fluxo digital e orientar usuários na navegação segura pelo universo online.

 

Importância da biblioteca pública

De acordo com a presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins, o tema nacional deste ano discutirá a importância da biblioteca pública como lugar de acolhimento e emancipação.

“Ao eleger a biblioteca pública como tema central em 2026, reafirmamos o papel desses espaços como instrumentos de emancipação, cidadania e formação crítica. São equipamentos culturais fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e bem informada. É indispensável fortalecer políticas públicas inclusivas que garantam a todos o direito de acesso às bibliotecas”, destaca.

 

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