O jornalista João Marcos Gomide: "Vimos na eleição de 2022 que os candidatos a deputado estadual em São Carlos tiveram poucos votos em outras cidades" Foto: Jean Guilherme - Crédito: Jean Guilherme
Participando do SÃO CARLOS AGORA ENTREVISTA, na manhã desta terça-feira, 12 de maio, o jornalista, advogado e analista político João Marcos Gomide reafirmou que ter uma votação maciça em São Carlos pode não ser suficiente para que um candidato a deputado estadual ou deputado federal se eleja no pleito de outubro de 2026.
Segundo ele, muito mais importante que isso é o candidato ser colocado como “prime”, ou seja, como prioridade do partido, o que leva a agremiação a organizar recursos, cabos eleitorais importantes e situações que destaquem esse concorrente.
Gomide, que atuou no Grupo Globo por mais de 30 anos e que é um estudioso do tema, citou o caso da deputada estadual Thainará Faria, de Araraquara. Ela recebeu 91.381 votos no Estado de São Paulo, sendo apenas 17.871, ou 21% do total, em Araraquara. Thainará conquistou, só na capital paulista, 27.086 votos — expressivos 30% do total de sua votação e quase 10 mil votos a mais do que em sua cidade.
Gomide considera a possibilidade de algum pretendente de São Carlos a uma cadeira na ALESP ou na Câmara dos Deputados ser elevado à condição de “candidato prime” ou “prioritário” de seu partido. “Em tese, sim. A direção estadual do partido pode pedir votos para quem tem maior potencial no Estado. Vimos na eleição de 2022 que os candidatos a deputado estadual em São Carlos tiveram poucos votos em outras cidades. Por exemplo, o candidato Júlio César, do PL, foi o 181º mais votado, com 29.209 votos. Em São Carlos, foi o mais votado, com 21.128 votos — 72% do total. O candidato Djalma Nery, do PSOL, foi o 215º mais votado, com 21.380 votos. Em São Carlos, recebeu 12.100 — 56% do total. Porém, ambos ficaram muito distantes dos deputados estaduais eleitos. O 70º candidato que entrou recebeu 45.094 votos”.
Os seis candidatos a deputado estadual mais votados em São Carlos foram Júlio César, do PL, com 21.128 votos; Djalma Nery, do PSOL, com 12.100 votos; Roselei Françoso, do MDB, com 9.469; Élton Carvalho, do Republicanos, com 6.994 votos; Eduardo Suplicy, do PT, com 4.140; e Dé Alvim, do Solidariedade, com 2.796.
Segundo Gomide, o deputado estadual, para ser eleito, precisa muito de votos de outras cidades. Só depender da base eleitoral é insuficiente na maioria dos casos. “Por exemplo, Araraquara tem duas deputadas estaduais eleitas pelo PT em 2022. A deputada Márcia Lia (39ª mais votada) recebeu 108.587 votos no Estado de São Paulo. Em Araraquara, teve 11.139 votos — apenas 10% do total. A deputada Thainará Faria (51ª mais votada) recebeu 91.381 votos no Estado de São Paulo. Em Araraquara, teve 17.871 votos — apenas 21% do total. Só na cidade de São Paulo, a deputada recebeu 27.086 votos — expressivos 30% do total. Muitos desses votos resultam do trabalho do partido”, destaca ele.
Municípios de pequeno porte raramente conseguem criar um nome regional para vencer uma eleição, seja para o Legislativo estadual ou federal. “Para cidades menores, dificilmente dará a eleição. Veja o exemplo do ex-prefeito de Votuporanga, Carlão Pignatari, do PSDB. Ele recebeu 105.245 votos. Da cidade dele [96 mil habitantes], muito menor do que São Carlos, o deputado recebeu 18.646 votos — 17% do total. Foi eleito com votos de outras cidades de São Paulo”, comenta.
Com o grande número de partidos existentes e o interesse de cada um em conquistar o poder e crescer, segundo Gomide, é praticamente impossível que um município do porte de São Carlos tenha poucos candidatos. “É direito de cada partido, de cada candidato da cidade, disputar a eleição. Não vai funcionar essa tese de São Carlos lançar só um ou dois candidatos para sair daqui com muitos milhares de votos. Só vai funcionar se o candidato e, principalmente, o partido trabalharem o candidato no Estado de São Paulo. Uns 25 candidatos, em 2022, receberam entre 50 mil e 66 mil votos e não foram eleitos. Acabaram suplentes”, conclui ele.





