A diretora Lucinei Tavoni e o professor Marcos Nicolino: “Éramos uma delegação pequena que foi ao evento com muita dificuldade e com dois alunos que enfrentavam o desafio adicional de uma língua estrangeira” - Crédito: Jean GuilhermeA equipe de educadores e alunos da Escola Estadual Sebastião de Oliveira Rocha, de São Carlos, conquistou o 1º lugar na competição “International Creativity and Innovation Award (ICIA) 2026 – Global Round”, competindo com 137 escolas. A Sebastião foi a única escola brasileira a participar da competição de inovação e conhecimento na Ásia, realizada entre 24 e 26 de abril.
O maior patrocínio obtido foi da FINEP, órgão de apoio à pesquisa ligado ao Governo Federal. O prefeito Netto Donato (PP) garantiu uma modesta ajuda. A empresa Xmobots foi a empresa de São Carlos que mais contribuiu. O professor Azuaite Martins de França foi grande incentivador e ajudou, com sua influência, a conseguir parte dos recursos. Além disso, a empresa Held Turismo também colaborou como pôde com a viagem.
O projeto apresentado pelos estudantes Ana Clara Bardasi Cotillo e Brian Costa Viana foi um biodigestor caseiro, desenvolvido pelos alunos do Clube de Ciências Tesla. A exposição foi realizada em inglês, com apoio de painel explicativo, diante de uma banca julgadora internacional, que avaliou critérios como inovação, aplicabilidade, sustentabilidade e domínio do conteúdo.
Segundo a diretora da escola, professora Lucinei Tavoni, o contato com a rede internacional também contou com a colaboração de Marcos Nicolino, parceiro do projeto desenvolvido pela instituição, por meio de quem foi possível obter financiamento para o aprimoramento do trabalho. O evento foi organizado pela Royal Academy of Engineering, que valoriza projetos de sustentabilidade.
Participando do SÃO CARLOS ENTREVISTA nesta segunda-feira, 4 de maio, o professor Marcos Nicolino, membro da Royal Academy of Engineering, afirma que o evento foi motivo de muita felicidade. “Ainda não digerimos tudo o que ocorreu. Numa semana estávamos lamentando a frustração de não poder participar do evento e, na semana seguinte, estávamos dentro do avião, partindo para outro continente, nos comunicando em outro idioma e levando adiante nosso projeto. Agora é digerir tudo isso e dar prosseguimento a este projeto, que pode ainda beneficiar muitas comunidades”, destaca Marcos.
Lucinei afirmou que o peso da medalha vai muito além do físico, pois carrega consigo a responsabilidade e o comprometimento da comunidade, principalmente dos estudantes que fazem parte desta escola e que viram, nesta equipe que participou da competição e venceu, um exemplo a ser seguido.
“Para nós também pesa, pois o exemplo vale mais do que mil palavras. Muitos podem sonhar que também podem chegar lá. Estamos levantando a educação pública e mostrando aos estudantes que o caminho para transformar suas vidas é este: o dos estudos, de abraçar o conhecimento científico, de aprimorar as habilidades. Ainda está caindo a ficha, pois o que fizemos não foi pouca coisa. Competimos e vencemos projetos belíssimos de países mais desenvolvidos. Éramos uma delegação pequena, que foi ao evento com muita dificuldade e com dois alunos que enfrentavam o desafio adicional de uma língua estrangeira”, destaca a diretora da escola.
Lucinei e Marcos contam que o Camboja é um país onde o povo tem os olhos puxados, bem parecidos com coreanos, chineses e japoneses, mas também com forte ligação com a Índia. Não é um povo de pele amarelada, mas mais morena, parecida com o povo indiano e dos países do Oriente Médio. Segundo eles, o clima é muito quente, acima dos 40 graus.
A diretora conta que muitos alunos foram convidados para tirar fotos com os cambojanos após a conquista da Medalha de Ouro e também revela que eles acabaram concedendo autógrafos. “Foi realmente um sonho. Parece que a ficha ainda não caiu e ainda estamos dentro deste sonho”, comentou Lucinei.
Ela garante que a participação na disputa exigiu tanto de todos que não houve sequer tempo para que sentissem saudades do Brasil. “Na verdade, era uma agenda longa e cansativa, que começava logo de manhã e seguia até a noite. Então ficávamos tão cansados que era impossível ter tempo para sentir saudades”, destaca ela.





