Imóvel e chave na mão - Crédito: Free PikO mercado imobiliário de imóveis residenciais usados de São Carlos e região apresentou forte recuperação em março de 2026, revertendo parcialmente o cenário de retração registrado em fevereiro. Pesquisa divulgada pelo CRECISP aponta crescimento de 19,06% nas vendas e expressiva alta de 47,45% nas locações, sinalizando retomada da confiança do consumidor e maior dinamismo no setor.
O desempenho positivo ocorre em meio ao processo de reorganização financeira das famílias, ainda impactadas pelos juros elevados, pela seletividade bancária e pelo aumento do custo de vida. Nesse contexto, a procura por imóveis mais acessíveis e compatíveis com a renda disponível passou a direcionar as decisões de compra e aluguel, favorecendo unidades compactas, funcionais e localizadas em bairros com melhor relação entre custo e infraestrutura urbana.
As casas seguiram como principal produto negociado em São Carlos e região, representando 63% das vendas realizadas em março. Os apartamentos responderam por 37% das transações. O perfil predominante mostra preferência por imóveis de dois dormitórios, que concentraram 53,3% das vendas de casas e 60% dos apartamentos comercializados.
A maior parte dos imóveis vendidos possui metragem intermediária. Entre as casas, houve forte concentração nas faixas entre 51 e 100 metros quadrados e entre 201 e 300 metros quadrados, ambas com 26,7%. Já nos apartamentos, 90% das unidades negociadas tinham até 100 metros quadrados de área útil, evidenciando o predomínio de imóveis compactos e com manutenção mais acessível.
O levantamento mostra ainda que o mercado segue sustentado pelo segmento econômico e de médio padrão. A faixa de preço mais negociada foi entre R$ 201 mil e R$ 250 mil, responsável por 32% das vendas. Imóveis entre R$ 151 mil e R$ 200 mil responderam por 20% dos negócios.
Apesar da predominância de imóveis mais acessíveis, também houve movimentação relevante em faixas superiores, incluindo imóveis entre R$ 701 mil e R$ 800 mil e unidades acima de R$ 1 milhão, demonstrando que o mercado de alto padrão permanece ativo em nichos específicos.
Outro dado relevante apresentado pela pesquisa foi a mudança no comportamento geográfico da demanda. As chamadas demais regiões da cidade concentraram 73,3% das vendas e 58,8% das locações, enquanto a região central respondeu por 20% das vendas e 23,5% dos contratos de aluguel. Já os bairros nobres tiveram participação menor, com 6,7% das vendas e 17,6% das locações.
O movimento reforça uma tendência observada nos últimos anos: a valorização de bairros periféricos e intermediários, impulsionada pela busca por imóveis com preços mais competitivos, maior espaço interno e menores custos operacionais. A ampliação da infraestrutura urbana e o avanço de serviços locais também contribuíram para a redistribuição da demanda imobiliária.
O financiamento imobiliário pela Caixa Econômica Federal manteve protagonismo absoluto nas negociações, sendo utilizado em 40% das vendas concretizadas. As compras à vista corresponderam a 33,3% das transações, índice considerado elevado e que demonstra a presença de investidores e compradores capitalizados no mercado regional.
Também chamam atenção as operações realizadas diretamente com proprietários e por meio de consórcios, ambas com participação de 13,3%, indicando que modalidades alternativas de aquisição seguem ganhando espaço diante do custo mais elevado do crédito tradicional.
Outro indicador importante diz respeito ao comportamento dos preços anunciados. Em 52% das vendas, os imóveis foram comercializados exatamente pelo valor inicialmente pedido, enquanto 28% tiveram descontos de até 5%. O dado demonstra maior alinhamento entre expectativa dos vendedores e capacidade financeira dos compradores, reduzindo margens de negociação mais agressivas.
Locações disparam e consolidam preferência por imóveis compactos
O segmento de locação apresentou desempenho ainda mais forte que o mercado de vendas, registrando alta de 47,45% em março. As casas responderam por 58% dos contratos assinados, enquanto os apartamentos representaram 42%.
O mercado de aluguel manteve forte concentração em imóveis acessíveis. A maior parcela dos contratos ocorreu em unidades com aluguel entre R$ 1.001 e R$ 1.250, faixa que representou 34,8% das locações. Já os imóveis entre R$ 751 e R$ 1.000 responderam por 26,1%, demonstrando que a maior parte da demanda permanece concentrada em valores compatíveis com o orçamento da classe média e das famílias em reorganização financeira.
Assim como nas vendas, os imóveis de dois dormitórios lideraram amplamente a preferência dos inquilinos. Entre as casas alugadas, 71,4% possuíam dois dormitórios. Nos apartamentos, esse percentual chegou a 77,8%.
O padrão predominante foi de imóveis entre 51 e 100 metros quadrados, faixa considerada ideal para famílias pequenas e pessoas que buscam praticidade e menor custo mensal.
A pesquisa revela ainda que o mercado locatício de São Carlos mantém forte preferência pelas modalidades tradicionais de garantia. O seguro-fiança e o fiador dividiram igualmente a liderança, cada um representando 35,3% dos contratos. O depósito caução apareceu em seguida, com 29,4%.
O comportamento do mercado imobiliário em março reflete diretamente fatores econômicos e sociais relevantes. Enquanto os juros elevados continuam impondo cautela aos compradores, a estabilidade gradual da renda familiar e a necessidade de reorganização financeira estimulam decisões mais pragmáticas.
Ao mesmo tempo, o crescimento das locações mostra que parte da população tem optado pelo aluguel como solução imediata, adiando a compra da casa própria até que o ambiente econômico apresente condições mais favoráveis de financiamento.
Mesmo diante desse cenário, os números acumulados em 12 meses seguem extremamente positivos. As vendas registram alta acumulada de 194,36%, enquanto as locações avançam 145,76%, evidenciando a força estrutural do mercado imobiliário regional e sua importância para a economia local.
O cenário também reforça a importância da atuação profissional do corretor de imóveis nas vendas e locações. Em um mercado marcado por maior seletividade financeira, análise criteriosa de crédito e necessidade de segurança jurídica, o trabalho técnico do profissional inscrito no CRECI torna-se fundamental para garantir equilíbrio, transparência e segurança nas negociações.
Segundo a pesquisa do CRECISP, o mercado imobiliário de São Carlos atravessa um momento de reacomodação sustentado pela racionalidade econômica do consumidor, pela busca de imóveis acessíveis e pela adaptação das modalidades de pagamento às novas condições financeiras das famílias brasileiras.





