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sexta, 17 de abril de 2026
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Pesquisas realizadas na USP São Carlos e Portugal confirmam a importância da nanotecnologia na proteção dos alimentos

17 Abr 2026 - 10h17Por Rui Sintra
Alimentos - Crédito: divulgaçãoAlimentos - Crédito: divulgação

A aplicação da nanotecnologia na proteção de alimentos tem vindo a consolidar-se como uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, não apenas pelos avanços tecnológicos que proporciona, mas sobretudo pelos impactos diretos na saúde pública, na economia e na sustentabilidade. Nesse cenário, os trabalhos desenvolvidos no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) em colaboração com dois grupos do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) – o Grupo de Nanomedicina (NM) e o Grupo de Processamento de Alimentos (FPG), em Portugal, destacam-se como uma referência mundial.

A investigadora do NM/INL, Dra. Sanna Sillankorva, destaca que os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controlo de microrganismos patogénicos. “A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencia a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma a investigadora.
Neste sentido, o Coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea. “Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros — aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes”, pontua o cientista.

As pesquisas resultantes da colaboração entre os grupos GNano-IFSC/USP e NM-FPG/INL inserem-se em uma tendência global de transformação das embalagens alimentares em sistemas ativos e inteligentes. Nesse contexto, destaca-se a atuação da pós-doutoranda do GNano/IFSC/USP, Dra. Fernanda Coelho, que retornou recentemente de um estágio pós-doutoral no grupo de NM-FPG/INL. Apoiada pela FAPESP, a pesquisadora tem se dedicado à interface entre nanotecnologia, microbiologia e biotecnologia, com ênfase no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para o controlo de patógenos, com potencial de aplicação nos setores agroindustrial e alimentício.

Ao utilizar nanoestruturas — como nanofibras — associadas a agentes antimicrobianos naturais, como bacteriófagos, os pesquisadores têm desenvolvido soluções capazes de reduzir significativamente a presença de microrganismos patogênicos em alimentos. Essa abordagem representa um avanço importante em relação aos métodos tradicionais, que dependem fortemente de conservantes químicos e apresentam limitações tanto em eficácia quanto em aceitação pelo consumidor. Do ponto de vista social, os benefícios são amplos e estratégicos. 

Em primeiro lugar, há um impacto direto na segurança alimentar, com a redução de doenças transmitidas por alimentos contaminados, um problema ainda recorrente em diversos países. Ao atuar de forma específica contra bactérias como Salmonella e Escherichia coli, essas tecnologias contribuem para a proteção da saúde da população sem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos.

Além disso, a nanotecnologia aplicada às embalagens permite aumentar a vida útil dos produtos, reduzindo perdas ao longo da cadeia de distribuição. Esse fator é particularmente relevante em um cenário global marcado pelo desperdício de alimentos. Ao prolongar o tempo de conservação, as inovações desenvolvidas contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos, com reflexos positivos tanto econômicos quanto ambientais.
Outro benefício importante está na sustentabilidade. A substituição parcial de aditivos químicos por agentes biológicos naturais, como os bacteriófagos, representa uma alternativa mais ecológica e alinhada às demandas contemporâneas por alimentos mais “limpos” e seguros.

Paralelamente, o desenvolvimento de materiais compatíveis com essas tecnologias abre caminho para embalagens mais eficientes e potencialmente menos impactantes ao meio ambiente.

Nesse contexto, o trabalho ganha relevância ao integrar conhecimentos de física, biotecnologia e ciência dos materiais, com uma notável contribuição para o avanço de pesquisas que não apenas demonstram a eficácia dessas nanoestruturas, mas também investigam sua segurança — um aspecto fundamental para a aplicação em larga escala. A avaliação de possíveis efeitos tóxicos e a compreensão das interações entre nanomateriais e sistemas biológicos são etapas essenciais para garantir que essas inovações sejam seguras para o consumo humano.
A estreita colaboração científica com Portugal

Em todo este contexto, é importante sublinhar a colaboração entre o GNano-IFSC/USP e diversos laboratórios nacionais e internacionais, cabendo destacar, nesse caso e como já sublinhamos no início do texto, a colaboração com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), uma organização internacional de pesquisa científica e tecnológica com sede na cidade de Braga, em Portugal, sendo o primeiro e único laboratório intergovernamental inteiramente dedicado à pesquisa e desenvolvimento em nanociência e nanotecnologia, criado ao abrigo de um acordo entre os governos de Portugal e Espanha.

A missão do INL é promover a excelência e a inovação tecnológica junto da sociedade e através da colaboração internacional e interdisciplinar, em área estratégicas como:  Nanoeletrônica e Engenharia de Dispositivos; Nanomedicina; Materiais Avançados; Segurança Alimentar e Nutrição: Energia e Sustentabilidade; e Tecnologias de Informação Quântica.

Com esta cooperação de âmbito mundial, o GNano e o INL promovem uma cultura de cooperação muito próxima, beneficiando o meio académico, a indústria e os decisores políticos.

Em síntese, de forma lata, a nanotecnologia na proteção de alimentos representa uma convergência entre ciência de ponta e necessidades sociais urgentes, sendo que os avanços científicos demonstram que é possível construir sistemas alimentares mais seguros, eficientes e sustentáveis, colocando a ciência a serviço da sociedade.

Abaixo se apresentam três pesquisas relacionadas com este tema, para os quais pedimos a devida atenção.
Embalagens inteligentes - Nanotecnologia avança na proteção de alimentos e promete maior segurança ao consumidor (2015) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2015b.pdf 
Nanotecnologia e vírus “do bem” abrem caminho para embalagens que combatem bactérias nos alimentos 2025) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2025.pdf 
Revestimentos avançados de nanofibras carregadas com bacteriófagos para embalagens de alimentos (2026) – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/04/Coelho-2026.pdf 

(Rui Sintra – jornalista - IFSC/USP)

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