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domingo, 21 de julho de 2019
Dia a Dia no Divã

Fobia social: muito além da timidez

17 Jun 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Fobia social: muito além da timidez -

Muitas pessoas sofrem de fobia social, mas nem todos são capazes de entender que isso é um transtorno, e precisa ser tratado. Pelo mal-estar vivido tão presente e constante ao longo da vida, acabam por associar os sintomas da fobia a um traço de sua personalidade. Isso dificulta a busca por apoio profissional, a acaba prolongando o sofrimento a pessoa.

A ausência de tratamento faz com que as pessoas que têm fobia social vivam por um fio, driblando diariamente dificuldades físicas, psíquicas e sociais. Elas são encontradas intrincadas na rotina, em pequenas e grandes situações do dia a dia.

Mas vamos à boa notícia! Se você sente que sua timidez passou dos limites, acredite: existe tratamento!

Fobia social é um transtorno de ansiedade. Quando existe a necessidade de estabelecer ou manter uma interação com outras pessoas, quem sofre com o transtorno tem intensas sensações de mal-estar, além de manifestar crises de ansiedade.

A fobia social desencadeia uma série de sintomas físicos e emocionais:

  • sudorese
  • taquicardia
  • falta de ar
  • tremores
  • dores de cabeça
  • dores abdominais
  • náusea ou vômitos
  • constrangimento
  • medo de ser humilhado, rejeitado ou ofendido
  • medo de ser desagradável

Aquele que sofre de fobia social, sempre que exposto a situações que envolvem interação com outras pessoas ou possíveis julgamentos, sente de maneira desproporcional um medo intenso da avaliação resultante desse contato. Quando não tratada, essa fobia leva ao isolamento, causando inúmeros prejuízos sociais e profissionais, já que há uma busca desesperada por segurança diante dos temores associados ao quadro.

Pessoas que sofrem de fobia social se sentem extremamente vulneráveis e escravas das sensações e emoções que experimentam. A sensação de exposição é tão intensa que, ao cogitar a possibilidade de alguém perceber seu mal-estar, seja através da sudorese, tremores de mãos ou uso de palavras embaralhadas, simplesmente não consegue realizar comportamentos considerados simples, como comer, beber, escrever, responder uma pergunta ou até mesmo usar o banheiro. Eles se tornam experiências assustadoras.

Por esta razão, os prejuízos no funcionamento social, profissional e até mesmo familiar podem ser gigantescos: apresentação de palestras ou seminários, participar de processos seletivos, aceitar convites para eventos sociais e até mesmo utilizar elevadores tende a ser evitados. Quem tem fobia social teme, inclusive, a dificuldade que possa enfrentar ao falar "bom dia" a desconhecidos, fazendo com que a esquiva se torne um comportamento recorrente.

Fobia social em crianças

Crianças também podem sofrer de fobia social, mas o critério fundamental para identificar o transtorno são as manifestações de sofrimento e ansiedade na interação com coleguinhas da mesma idad(não apenas com adultos).

As crianças costumam expressar sua ansiedade através do choro, ataques de raiva, imobilidade e através de comportamentos como se encolher ou se agarrar a alguém.

Prevalência da fobia social e tratamento

A idade média de início da manifestação dos sintomas é aos 13 anos, e 75% dos casos diagnosticados apresentaram as primeiras crises com idades entre 8 e 15 anos.

É comum que pessoas que sofram de fobia social apresentem traços de timidez ao longo de sua história, que vão se agravando gradativamente na presença de eventos estressores e traumáticos, como uma apresentação malsucedida, mudança de escola ou residência, falecimento de um ente querido, entre outros.

O acompanhamento psicológico favorecerá o fortalecimento e reconstrução da autoestima, auxiliando na construção de recursos emocionais que permitam lidar com situações inesperadas ou de julgamentos com mais confiança.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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