projeto de Eduardo Pacheco ficou em primeiro lugar, destacando-se por demonstrar vantagens competitivas em relação às soluções oferecidas pelas grandes empresas de tecnologia (Crédito da imagem: Arquivo pessoal) - Ideias de startups fomentadas ou consolidadas a partir de disciplinas do Mestrado Profissional em Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (MECAI), do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, vêm ganhando projeção no ecossistema de inovação. Dois projetos desenvolvidos por pós-graduandos do programa foram reconhecidos pelo Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU) durante o Zero to One Day, realizado em 6 de dezembro, na Fundação Estudar, em São Paulo.
O evento marcou a etapa final do Zero to One, programa de pré-aceleração voltado a empresas de base tecnológica. O primeiro lugar ficou com a Orbit, criada pelo pós-graduando Eduardo Pacheco, enquanto a Carbon Verify, desenvolvida por Reynaldo Pereira Martins em parceria com Fábio Luiz, também se destacou entre os finalistas. As iniciativas nasceram ou se consolidaram no âmbito do MECAI, programa que busca conectar problemas reais a soluções baseadas em pesquisa aplicada, tecnologia e inovação.
Para o professor Francisco Louzada Neto, do ICMC, o desempenho dos projetos é simbólico. “Esse reconhecimento evidencia como ideias bem estruturadas, aliadas ao esforço e à curiosidade dos nossos alunos, podem gerar impacto real e transformar contextos. Acompanhar esses desdobramentos é motivo de grande orgulho”, afirma.
O vice-coordenador do MECAI, professor Cláudio Toledo, ressalta a capacidade dos alunos de articular formação acadêmica, visão de mercado e execução. “Eles se inscreveram no edital do NEU por iniciativa própria, o que revela uma inclinação genuína para o empreendedorismo e para a criação de soluções com impacto real”, observa.
Programa de pré-aceleração
O Zero to One seleciona anualmente alunos e empreendedores da USP por meio de um processo que inclui formulário e envio de vídeo, no qual as equipes apresentam a origem da ideia, o mercado escolhido e os problemas que pretendem resolver. Após a triagem, 32 equipes são selecionadas para uma rotina estruturada de pré-aceleração, com mentorias, oficinas, avaliações intermediárias e atividades de modelagem de produto e negócio.
Segundo Reynaldo, essa etapa foi decisiva para o amadurecimento das propostas. “O trabalho de mentoria foi essencial para converter a ideia em uma proposta atraente e viável, tornando a comunicação do projeto mais clara e orientada ao mercado”, destaca.
Ao final do processo, apenas 15 projetos chegaram à apresentação final, diante de investidores-anjo, consultores do Sebrae, representantes do ecossistema de inovação paulista e membros da universidade. De acordo com a mentora Ingrid Cardoso Magalhães, aluna do MBA em Negócios Digitais da USP, os participantes tiveram poucos minutos para defender suas soluções e validar hipóteses diante da banca avaliadora.
Boto.IA (ex-Orbit): soberania e segurança de dados
Após a vitória, a Orbit passou por um processo de expansão e mudou de nome para Boto.IA. “A mudança representa a evolução natural do trabalho, que sai da esfera da pesquisa para se tornar uma solução com ambições comerciais claras, preparada para atender demandas reais de segurança, privacidade e soberania digital”, explica Eduardo.
A startup surgiu da percepção de que soluções de grandes provedores internacionais de inteligência artificial apresentam desafios como imprevisibilidade de custos, riscos à privacidade de dados e dependência tecnológica. A proposta do Boto.IA é oferecer um servidor de IA instalado na infraestrutura do cliente, com processamento local e modelos treinados para o português, reduzindo custos e aumentando a segurança.
Outro diferencial é o modelo de negócio baseado em assinaturas mensais, em vez de cobrança por volume de uso. O projeto também prevê uma rede de processamento distribuído entre clientes, criando um ecossistema colaborativo de IA no país.
O reconhecimento no programa da USP facilitou a entrada da Boto.IA em outros ambientes de aceleração, como o NVIDIA Inception e o AWS Activate, da Amazon Web Services, que concedeu US$ 10 mil em créditos à startup.
Carbon Verify: agilidade e credibilidade no mercado de carbono
A Carbon Verify nasceu a partir da disciplina IA Aplicada à Indústria, ministrada pelo professor Cláudio Toledo no MECAI. O projeto propõe uma plataforma para verificação de ativos ambientais, avaliando a qualidade e a integridade de créditos de carbono.
Segundo Reynaldo, a solução promete entregar laudos até 15 vezes mais rápidos do que auditorias tradicionais, com redução de custos de até 70%. O foco inicial é o mercado europeu, que possui regulamentações ambientais mais avançadas.
Mesmo em estágio embrionário, com cerca de dois meses de desenvolvimento à época da competição, a Carbon Verify superou startups mais maduras. “Isso indica forte aderência à dor de mercado e à urgência da solução proposta”, avalia Reynaldo.
Após a participação no Zero to One, os pós-graduandos planejam inscrever as startups em novos editais de aceleração e fomento, como o Programa Ciência que Transforma, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.





