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sábado, 10 de janeiro de 2026
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Profissão DJ: dos vinis às pistas digitais, a evolução de quem comanda a festa

09 Jan 2026 - 17h30Por Jessica Carvalho R
Profissão DJ: dos vinis às pistas digitais, a evolução de quem comanda a festa -

A profissão de DJ, hoje símbolo da cultura jovem e do entretenimento em festas e eventos por todo o país, tem raízes que remontam ao fim da década de 1950 no Brasil. Foi com o pioneiro DJ Oswaldo Pereira, conhecido como DJ Oswaldo, que a figura do disc jockey começou a substituir as orquestras — até então predominantes nas festas, mas com custos elevados e inacessíveis para grande parte da população. Utilizando discos de vinil e um sistema de som artesanal, Oswaldo popularizou o acesso à música, abrindo caminho para o desenvolvimento da cultura DJ no país.

Reconhecimento e regulamentação

Durante décadas, a atividade de DJ operou numa zona cinzenta entre o técnico de som e o músico, sem regulamentação formal. Apenas mais recentemente a profissão passou a ser discutida no Congresso Nacional, por meio de projetos de lei como o PLC 138/2018, que busca incluir o ofício na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e reconhecer oficialmente o trabalho desses profissionais.

Pioneirismo feminino: de Sônia Abreu a Mara Porto

A primeira mulher DJ do Brasil foi Sônia Abreu, que se destacou entre o fim dos anos 1960 e a década de 1970 como produtora musical e discotecária da Rádio Excelsior. Em São Carlos, o pioneirismo feminino na cena DJ teve início em 1995, com a apresentação pública da DJ Mara Porto, durante um evento de black music realizado na Creche Anita Costa.

Natural de Porto Ferreira, Mara iniciou sua trajetória aos 15 anos, atuando em eventos privados. Aos 18, fez seu primeiro investimento em equipamentos e passou a discotecar por toda a região, incluindo São Carlos, Descalvado e Pirassununga. Ela se destacou nas pistas pela condução animada de repertórios que vão de flashback anos 80/90, MPB e axé, até funk comercial e sertanejo. “Ser DJ vai além de dar o play. É fazer a alegria do próximo”, resume. Formada em RH, encontrou na carreira uma virada financeira e pessoal, passando a viver da música e atuando em clubes e eventos por todo o Estado.

A cena atual em São Carlos

Atualmente, São Carlos conta com cerca de 30 DJs atuantes, representando diferentes estilos musicais como flashback, black music, R&B, axé, hip-hop, música eletrônica e pop. A cidade se divide em tribos musicais, e a cena DJ tem se mantido viva e diversificada.

Entre os nomes que ajudaram a construir essa trajetória está DJ Alex Telo,  que iniciou a carreira integrando um grupo de hip-hop e, ao longo do tempo, passou por experiências marcantes em casas noturnas, eventos e produções regionais. Em 2005, investiu em sua própria casa noturna e, nos anos seguintes, expandiu a atuação para a produção de eventos de música eletrônica, shows e festivais em cidades como Araraquara, Descalvado, Porto Ferreira, Pirassununga, Campinas e São Paulo. Durante a pandemia, ganhou projeção nacional com lives musicais que alcançaram mais de um milhão de pessoas, consolidando-se também no mercado de eventos corporativos e particulares.

Um dos destaques é Netto Buck, DJ e produtor musical com mais de 23 anos de carreira. Reconhecido pela elegância e sensibilidade musical, transita entre música eletrônica e open format, sempre adaptando seus sets ao perfil de cada evento. Com apresentações por diversos estados e até fora do Brasil, hoje se dedica à produção musical e a projetos ligados à música eletrônica.

Outro nome consolidado é DJ Ander Z, que iniciou sua carreira em 2005 no Café Cancún, em São Carlos. Em 2010, integrou o elenco do programa Pânico na Band como DJ e sonoplasta. Atualmente atua na Play Music, promovendo eventos e agenciando DJs em todo o Estado, além de realizar festas particulares e corporativas. “Ser DJ é prazeroso, abre portas e permite criar amizades e experiências inesquecíveis”, afirma.

Com trajetória que atravessa décadas, Marcos Davilla iniciou a carreira em 1989, em Araraquara, na casa noturna Flashdance, e atuou como locutor em rádios da região antes de se fixar em São Carlos. Foi presença marcante em grandes casas noturnas, como a Delphos Night Club, animando matinês, festas e eventos promocionais. Para ele, a profissão sempre foi movida pela troca com o público. “A energia da pista é algo único. O reconhecimento das pessoas vale mais do que qualquer coisa”, resume.

Também se destaca DJ Regis Furtado, em atividade desde 2009, com foco em raves, festas corporativas e bailes de black music. Além da discotecagem, atua na locação de equipamentos e produção de entretenimento. “A profissão abre portas e até hoje mantém minhas necessidades pessoais e profissionais. A vitrola velha é que faz a pista boa!”, brinca.

Carnaval 2026: oportunidade para os DJs da cidade

Neste mês, encerra-se o chamamento para DJs de estilos como samba, funk e axé interessados em se apresentar nos eventos oficiais do Carnaval 2026 de São Carlos. A iniciativa busca valorizar artistas locais, garantir cachês justos e fortalecer a presença dos DJs na agenda cultural do município.

A história da profissão de DJ é marcada por criatividade, resistência e paixão pela música. Em São Carlos, a cena segue ativa, diversa e pulsante, graças a profissionais que, com talento e dedicação, transformam pistas em experiências inesquecíveis.

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