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terça, 10 de março de 2026
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Pesquisas da pós em Educação reforçam política de internacionalização da UFSCar

Duas pesquisas concluídas no PPGE/UFSCar apresentam temas e pesquisadores em cooperação com América Latina e Europa

10 Mar 2026 - 16h20Por Jessica Carvalho R
Defesas do PPGE/UFSCar aconteceram em fevereiro (Imagem: Henrique Cremonezzi/CCS) - Defesas do PPGE/UFSCar aconteceram em fevereiro (Imagem: Henrique Cremonezzi/CCS) -

A internacionalização tem sido uma demanda das agências financiadoras de pesquisa e dos programas de pós-graduação no Brasil. Nesse cenário, duas pesquisas em perspectiva internacional foram concluídas no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSCar, sob orientação da professora Marisa Bittar. 

 

No doutorado, Rita de Cássia Cunha Ferreira pesquisou a Revista de Educação Comparada (RELEC), da Argentina, adotando a teoria sobre o campo científico do filósofo Pierre Bourdieu. Seu ponto central foi: até que ponto a produção da Revista se constitui afirmação da América Latina no cenário internacional da educação ou, ao contrário, reproduz o padrão de países hegemônicos? "No estudo, concluiu-se pela importância de os pesquisadores da América Latina firmarem sua posição no cenário internacional da educação, expectativa gerada quando essa Revista foi criada (2010). Porém, o seu fechamento em 2022 fala por si", destaca a orientadora da pesquisa. A banca de defesa da tese ocorreu no dia 25 de fevereiro.

Já no mestrado do PPGE/UFSCar, a pesquisa de Murilo Martins Salomé, sob coorientação do professor Lajos Somogyvári, da Universidade da Panonia, da Hungria, focalizou a transição das ditaduras para os regimes democráticos na Hungria e no Brasil durante as décadas de 1970 e 1980. "Consideradas as peculiaridades históricas, culturais e políticas de ambos os países, as conclusões revelaram aspectos de mudanças, mas também de permanências em seus respectivos sistemas educacionais. Além disso, foram realçadas as dificuldades e desafios da democracia, um regime em construção nos dois países e em crise global na atualidade", destaca Bittar, que coorientou o estudo. Desta pesquisa, Bittar ressalta três pontos. "O regime democrático tem sido mais difícil de ser construído do que se imaginava quando as ditaduras nos dois países foram derrotadas. Além disso, em ambos a educação atuou favoravelmente para a democratização", analisa. Por fim, ela compara: "Na Hungria, consolidou-se o sistema educacional de escolas públicas com ênfase na autonomia local ao passo que, no Brasil, passou a haver contraste entre o prestígio das universidades e os problemas da escola pública". 

 

Cenário de internacionalização

Segundo a professora da UFSCar, a internacionalização da pesquisa tem sido uma demanda global devido ao contexto de globalização do nosso mundo e às mudanças que a revolução tecnológica tem imprimido na forma de comunicação entre as pessoas, gerando crescente interesse em se conhecer a história de outros povos. "As dificuldades, porém, não são poucas, pois o intercâmbio entre pesquisadores em todo o mundo depende do conhecimento de idiomas estrangeiros e de apoio à pesquisa em seus próprios países. Quanto aos idiomas, a maior dificuldade, no caso brasileiro, é o conhecimento do Inglês, língua na qual, cada vez mais, a ciência tem sido praticada e divulgada no mundo", aponta a docente. "Por outro lado, constam das prioridades do CNPq projetos que envolvem o Brasil com países do Caribe, África e América Latina. No caso da UFSCar, desde a sua criação, ela se destacou pelo intercâmbio internacional em algumas áreas do conhecimento. Mas agora trata-se de uma política global que deve abranger todas as áreas". 

Para Bittar, a política de internacionalização contribui para os pesquisadores de maneira positiva "porque proporcionam aos estudantes/pesquisadores a confiança neles próprios, isto é, em sua capacidade de fazer pesquisa praticando outro idioma - aliás, em nossas pós-graduações no Brasil, é obrigatório o conhecimento de uma língua estrangeira, porém, pouco utilizada no decorrer dos mestrados e doutorados", avalia. "Em segundo lugar, elas encorajam outras pesquisas e, assim, reforçam as expectativas de nossas agências provedoras em ampliar a internacionalização. Por dois anos, 2023 e 2024, colaborei com o CNPq no julgamento de projetos internacionais na área de Ciências Humanas e pude constatar o compromisso do Brasil com essa política".

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