
O turfe (corrida de cavalos, hipismo) foi um esporte muito popular em todo o país no final do século XIX e no começo do século XX. Em São Carlos não foi diferente. Essa modalidade esportiva acabou consolidando-se como principal lazer da elite local. O Jockey Club Sancarlense, fundado no dia 11 de fevereiro de 1894, na região sul, e o Derby Club (1912) foram os centros desse esporte, com intensas atividades e apostas até a popularização do futebol nos anos 1920.
O Jockey Club Sancarlense (1894) foi criado na região da Vila Izabel, em terras de Felicíssima de Campos Barros. O major José Inácio de Camargo foi um dos pioneiros. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro chegou a ter um posto telegráfico chamado “Hypódromo” para atender ao local.
As corridas eram muito concorridas até a década de 1910, mas a dificuldade de acesso ao local e o crescimento do futebol causaram a inatividade do Jockey Club original.
O Derby Club surgiu em 1912 para fomentar o hipismo e o melhoramento da raça cavalar. No início dos anos 1920, sua raia de corrida passou a abrigar o estádio do Paulista Esporte Clube. Como legado, a tradição turfística deixou marcas na geografia urbana, nomeando o atual bairro Jockey Club, em São Carlos.
O turfe funcionava como um evento social importante, com anúncios em jornais (como no Almanach de São Carlos) atraindo grande público para os hipódromos da cidade.
O ESPORTE NO BRASIL – As corridas de cavalo no Brasil, conhecidas como turfe, ganharam grande organização e popularidade entre o final do século XIX e o início do século XX, consolidando-se como uma das principais atividades esportivas e de lazer da elite urbana, especialmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Esse período foi marcado pela esportivização das práticas equestres, com a construção de hipódromos modernos e a fundação de jóquei clubes.
PRIMEIRAS ASSOCIAÇÕES – O Jockey Club foi fundado no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1868, com o objetivo de promover corridas de cavalo no Prado Fluminense. Antes disso, em 1849, já existia um “Club de Corridas” na capital imperial.
No final do século XIX, especialmente no Rio de Janeiro, surgiram vários prados, como Villa Isabel, Derby Club, Jockey Club, Hyppodromo Guanabara e Turfe Club.
A prática era vista pelas elites como uma forma de emular costumes europeus (principalmente britânicos), representando progresso e civilização. As corridas eram eventos sociais importantes, nos quais o comparecimento feminino aumentou, e a aristocracia e os proprietários de terras usavam o esporte para manter o status social.
CONSOLIDAÇÃO DAS APOSTAS – As apostas tornaram-se um componente central, atraindo um público mais amplo e movimentando grandes somas de dinheiro. Em 1909, foi criado o Grande Prêmio Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, inicialmente realizado no Prado Riograndense. Em 1923, ocorreu o primeiro Grande Prêmio São Paulo.
No Rio, a concorrência entre o Jockey Club e o Derby Club era forte, mas, a partir da inauguração do Hipódromo da Gávea, passaram a compartilhar agendas, unindo-se em 1932 para formar o atual Jockey Club Brasileiro.
Construído em 1926 e inaugurado com o nome de Hipódromo Brasileiro, o Hipódromo da Gávea tornou-se o principal centro do turfe no país, projetado à semelhança do hipódromo francês de Longchamp. Em 1933, o cavalo Mossoró venceu o primeiro Grande Prêmio Brasil, consolidando-se como um dos maiores marcos do turfe brasileiro.
CARACTERÍSTICAS GERAIS DO PERÍODO – O turfe gerava um mercado de produção de animais de raça e alto nível de apostas. O esporte convivia com novas formas de entretenimento urbano e esportes emergentes, como o futebol, que começava a se popularizar no início do século XX.
Hipódromos como o da Mooca, em São Paulo (que, em 1912, serviu como pista de decolagem para um dos primeiros aviões no Brasil), e o do Guabirutuba, em Curitiba, eram locais de lazer urbano.





