(16) 99963-6036
quarta, 04 de fevereiro de 2026
História

Inauguração do "Tecidão" de São Carlos completa 115 anos

Mais recentemente, o prédio foi adquirido pela Onovolab e tem passado por um processo de restauração gradual, ganhando um novo propósito.

04 Fev 2026 - 07h24Por Da redação
Inauguração do "Tecidão" de São Carlos completa 115 anos - Crédito: divulgação Crédito: divulgação

A primeira fábrica de tecidos de São Carlos foi inaugurada há 115 anos. A Fábrica de Tecidos Magdalena teve sua primeira pedra assentada em 3 de fevereiro de 1911, marcando a estreia da indústria têxtil do município.

A empresa foi implantada em uma localização estratégica. A entrada da fábrica, na Rua Aquidaban, era um ponto-chave, pois ficava ao lado dos trilhos da estrada de ferro, garantindo acesso direto e eficiente para o transporte da produção para todas as regiões do país.

O edifício representa um patrimônio arquitetônico. O prédio é um raro e importante exemplar da arquitetura fabril histórica de São Carlos. Em 1916, devido a uma crise, a fábrica foi incorporada pela Companhia Fiação e Tecidos São Carlos. Infelizmente, com o passar dos anos, foi abandonada, e parte da estrutura ruiu na década de 1980.

Mais recentemente, o prédio foi adquirido pela Onovolab e tem passado por um processo de restauração gradual, ganhando um novo propósito e preservando essa importante parte da história industrial do município.

IMPULSIONADA PELO DINHEIRO DO CAFÉ – O processo inicial de industrialização em São Carlos e, de modo geral, no Brasil, é tributário da acumulação de capitais gerada pela cultura cafeeira no Estado de São Paulo no final do século XIX e início do século XX.

Com o fim da escravidão, os fazendeiros paulistas preferiram adotar o regime de mão de obra livre, com trabalhadores assalariados, a ver esfacelado o sistema de latifúndios. Assim, introduziram um pré-requisito do sistema industrial: a economia monetária, que minaria a autossuficiência e o patriarcalismo dos domínios rurais.

Surgiu, assim, uma classe média urbana, intermediária entre os fazendeiros e os colonos, desempenhando muitos ofícios novos ou antes exercidos pelos escravos nos latifúndios: ferreiros, mecânicos, maquinistas, carpinteiros, marceneiros, pedreiros, serralheiros, sapateiros, guarda-livros, farmacêuticos, administradores, capatazes, entre outros. Embora não fossem assalariados agrícolas, exploravam indiretamente as necessidades do meio rural. Essa classe média, que ampliava o mercado de consumo, antes restrito às elites rurais, tornar-se-ia dominante no século XX.

A importação de imigrantes europeus favoreceu também a indústria por vários motivos, ao trazer novas atitudes, técnicas e atividades. Por exemplo, os imigrantes tinham mais condições de resistir ao patrimonialismo dos fazendeiros, que, muitas vezes, tentavam retribuir o trabalho por meios que não o salário.

Além disso, traziam novas técnicas e experiências profissionais obtidas no Velho Mundo, podendo atuar como mão de obra especializada ou mesmo como pequenos empreendedores. Enfim, praticamente não havia uma população paulista nativa com um estilo de vida urbano, o que favoreceu a iniciativa industrial por parte dos imigrantes.

Graças também ao café, foram estabelecidos outros elementos importantes para a indústria, como a ferrovia e a energia elétrica. Com um sistema de transportes, tornou-se possível um mercado integrado no Estado de São Paulo. Além disso, a própria ferrovia demandava uma série de novas funções industriais. A própria constituição urbana das cidades, deixando de ser meros apêndices do campo para contar com atividades bancárias relacionadas ao café e com um comércio mais desenvolvido, favoreceu a industrialização.

Em São Carlos, a primeira atividade industrial a se estabelecer foi a indústria de beneficiamento de café e cereais, inicialmente ainda nas próprias fazendas e, depois, na cidade. Em geral, essas indústrias eram instaladas pelos latifundiários, que, entretanto, pouco investiram em outras atividades industriais, além dos investimentos em infraestrutura, como a ferrovia.

A seguir, desenvolveu-se, no meio urbano, em decorrência do comércio do café, um novo tipo de indústria, em geral artesanal, cujo principal agente era o imigrante. Essa indústria se orientava para dois mercados: o de artigos para consumo popular e o de produtos utilizados nas fazendas. Nessa última categoria enquadram-se, por exemplo, as Indústrias Giometti, de peneiras e pregos, ainda em atividade, ou a fábrica de adubos Facchina.

Durante as primeiras décadas do século XX, a cidade, sendo um dos centros urbanos mais desenvolvidos do interior paulista, atraiu não apenas mão de obra, mas também empresas e capitais externos. Nesse período, até meados dos anos 1940, a produção local era composta por um quinteto básico: serrarias, fábricas de adubo, de pregos, de tecelagem e de lápis.

Com a crise cafeeira de 1930, surgiu um novo padrão de acumulação industrial, sobretudo na capital, mas também em alguns núcleos do interior, incluindo São Carlos. Em Araraquara, que contava com uma base agrícola mais diversificada, o desenvolvimento industrial teve como base, principalmente, o processamento de produtos agrícolas, que constitui a atual agroindústria alimentar, ainda hegemônica no município. Ribeirão Preto também apresentou um caso semelhante.

 

Em São Carlos, o período da década de 1930 apresentou tanto tendências quanto contratendências industrializantes. No entanto, mesmo antes da crise, a cidade já contava com um compartimento industrial relativamente diversificado, em comparação com cidades de porte similar. Nos anos 1930, por um lado, houve a crise das indústrias vinculadas estritamente ao café, além da competição da indústria da capital, que conquistava novos mercados no interior. Por outro, foram beneficiadas em São Carlos empresas detentoras de certo porte, que atendiam mercados regionais, assim como algumas empresas de pequeno porte pertencentes a ramos reconhecidos como especialidades da cidade, como a indústria moveleira e as alfaiatarias de ternos.

A fase seguinte da industrialização em São Carlos foi marcada pela substituição das importações, em paralelo à Segunda Guerra Mundial. Ocorreu, inclusive, o florescimento de algumas atividades surgidas na década anterior, chamadas “indústrias da crise”, como a indústria leiteira e, especialmente, a têxtil, que contava com integração vertical.

São Carlos passou a ser conhecida, portanto, como um núcleo industrial de relativa importância, apesar da influência da capital. Assim como no meio rural, a maioria das grandes indústrias passou a ser administrada a partir da capital, enquanto, na cidade, restava um grande número de pequenos e médios empresários de origem imigrante.

No pós-guerra, entretanto, a maioria das indústrias têxteis locais, com maquinário obsoleto, foi facilmente superada pelas indústrias de países desenvolvidos. Além disso, a partir de meados dos anos 1950, com um capitalismo mais maduro no Brasil, as indústrias dos empresários imigrantes passaram a enfrentar dificuldades, seja pela gestão de padrão tradicional, seja pela rejeição à inserção desses imigrantes no meio político das elites rurais.

Isso foi compensado, em parte, pela instalação da Tapetes São Carlos e da fábrica de conservas da Hero, casos singulares por terem se aproveitado de vínculos importantes com o exterior, importando tecnologia, embora se tratasse de empresas de capital nacional. Aliás, nesse período, as únicas indústrias locais processadoras de alimentos com porte razoável eram a Cooperativa de Laticínios e a Hero.

Nos anos 1950, o grupo Pereira Lopes, com a fábrica Climax, produtora de refrigeradores, exerceu influência econômica e política decisiva sobre a cidade. Nos anos 1960, outra grande empresa, igualmente pioneira no Brasil, foi construída pelo grupo: a CBT, fábrica de tratores.

Essa foi a primeira fase de industrialização pesada em São Carlos. Apesar de ter havido uma retomada do crescimento industrial na cidade nos anos 1950, nas duas décadas seguintes acentuou-se novamente o processo de concentração da industrialização na metrópole, causando forte concorrência. Na década de 1980, entretanto, o processo de interiorização da indústria paulista, iniciado nos anos 1970, intensificou-se.

São Carlos possui atualmente um perfil industrial ativo, com unidades de produção de várias empresas multinacionais. Destacam-se entre as grandes unidades industriais as fábricas da Volkswagen, Faber-Castell, Electrolux, Tecumseh do Brasil, Husqvarna, Toalhas São Carlos, Tapetes São Carlos, Papel São Carlos, Prominas Brasil, Opto Eletrônica, Latina e Sixtron Company. A cidade abriga ainda o LATAM MRO, localizado na antiga fábrica da Companhia Brasileira de Tratores (CBT).

Leia Também

Últimas Notícias