O Impostômetro: contribuinte são-carlense já pagou mais de R$ 111.055.226,96 em impostos, tributos, taxas, licenças e outras obrigações fiscais - Crédito: reproduçãoO site do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revela que, por volta das 12h50 desta quarta-feira, 7 de abril, o contribuinte são-carlense já pagou mais de R$ 111.055.226,96 em impostos, tributos, taxas, licenças e outras obrigações fiscais.
O economista Sérgio Perussi afirma que o Brasil segue um círculo vicioso que emperra o crescimento econômico. “Os números mostram que os governos não param de arrecadar, mas, em contrapartida, continuam gastando, no total, mais do que arrecadam, o que mostra o déficit fiscal e não permite também a redução dos juros, como apresentado nos números. A alta de combustíveis e insumos, pelas dificuldades de logística impostas pelas guerras, e a pressão arrecadatória do Estado acabam por elevar os preços, e a arrecadação do governo aumenta.”
Segundo ele, do lado do governo há mais impostos e mais gastos e, do lado do trabalhador, menos renda livre, pagando muitos impostos e se endividando cada vez mais com os juros altos e decisões de gastos nem sempre racionais.
MAIS DE R$ 1 TRILHÃO - O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) alcançou a marca de R$ 1 trilhão por volta do meio-dia do dia 27 de março. O valor representa o total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estadual e municipal desde o início do ano, incluindo multas, juros e correção monetária.
No mesmo período do ano passado, o Impostômetro havia registrado R$ 972 bilhões, ou seja, a arrecadação está acelerando. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, explica que a antecipação decorre de uma combinação de fatores que impulsionaram a arrecadação tributária. “Ela se deve ao avanço da atividade econômica, que amplia a base de arrecadação, bem como à inflação, já que grande parte dos impostos incide sobre bens e serviços”, afirma.
O economista também aponta outros fatores que explicam o crescimento da arrecadação: a tributação de fundos exclusivos e offshores; alta na tributação dos juros sobre capital próprio; mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; retomada da tributação sobre combustíveis; a tributação das apostas (bets); impostos sobre encomendas internacionais (como a taxa sobre as “blusinhas”); a reoneração gradual da folha de pagamentos; o fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (PERSE); o aumento das alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
IMPOSTÔMETRO - O painel físico do Impostômetro está situado na Rua Boa Vista, 51, no Centro Histórico de São Paulo, na fachada do edifício-sede da ACSP.
Os dados referentes aos impostos arrecadados nas esferas federal, estadual e municipal podem ser acompanhados em tempo real pelo site: impostometro.com.br.
GASTO BRASIL - A plataforma Gasto Brasil, que compartilha o painel com o Impostômetro, tem como objetivo mostrar, de forma clara e acessível, como os governos utilizam o dinheiro público arrecadado. Até o momento, o Gasto Brasil aponta que já foram gastos mais de R$ 1,290 trilhão, ou seja, cerca de R$ 300 bilhões a mais do que o montante arrecadado.
“Esse desequilíbrio entre arrecadação e despesas primárias é preocupante porque mostra que o Brasil está operando no vermelho mesmo antes de pagar os juros da dívida. Isso compromete a sustentabilidade fiscal e pressiona ainda mais a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas”, avalia Ruiz de Gamboa.





