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sexta, 10 de abril de 2026
Saúde

Número de academias no Brasil dispara e pode atingir 70 mil até 2027

10 Abr 2026 - 13h20Por Jessica CR
Academia - Crédito: FreepikAcademia - Crédito: Freepik

A chamada “onda fitness” tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade brasileira e já coloca o país entre os líderes mundiais no setor. Um reflexo direto desse movimento é o crescimento expressivo no número de academias: segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil, o total de estabelecimentos quase triplicou desde 2015, saltando de 22.581 para mais de 60 mil em 2025. A projeção é que esse número alcance 70 mil até 2027, consolidando o Brasil como o segundo país com mais academias no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Para especialistas, esse avanço está diretamente ligado à valorização da saúde física e mental, além da forte influência das redes sociais. O professor Carlos Bueno, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, explica que diferentes fatores ajudam a entender esse cenário.

“Há vários fatores que explicam essa expansão, como o maior valor que a população tem dado à saúde física e mental, o aumento da prática de atividade física e influências estéticas associadas às redes sociais. Também observamos o envelhecimento da população e o crescimento do público acima de 60 anos nas academias, que busca longevidade, autonomia e prevenção de doenças”, afirma.

Outro dado que chama atenção é a presença marcante da geração Z nas academias. De acordo com levantamento da empresa Les Mills, cerca de 70% dos frequentadores pertencem a essa faixa etária. Mais do que saúde, a estética e o ambiente social são fatores determinantes para esse público.

O professor Paulo Santiago, também da EEFERP-USP, destaca que o comportamento dessa geração está diretamente ligado ao universo digital. “A geração Z, embora se preocupe com o bem-estar, é fortemente motivada pela estética. Cerca de 45% desses jovens apontam a aparência física como principal motivo para treinar. Para eles, a academia também é um espaço de socialização e pertencimento, um ambiente ‘instagramável’ para ver e ser visto”, explica.

Apesar dos benefícios associados à prática de exercícios físicos, especialistas alertam para os riscos do excesso de influência das redes sociais, principalmente entre os jovens. A doutora em Psicologia Tatiane Possani, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, chama atenção para os impactos negativos desse cenário.

“São inúmeros os impactos para o jovem que consome esse tipo de conteúdo com frequência, especialmente a insatisfação corporal. Isso pode levar a mudanças feitas a qualquer custo, muitas vezes de forma não saudável, como dietas restritivas e pensamentos obsessivos. Em alguns casos, é possível identificar sintomas de transtornos alimentares, que geram sofrimento e prejuízos importantes à saúde”, alerta.

Diferentes gerações, diferentes motivações

Além da geração Z, os millennials — nascidos entre 1981 e 1996 — também têm presença significativa nas academias. Nesse grupo, a motivação tende a ser diferente: o foco está mais relacionado à saúde e ao envelhecimento.

Segundo Santiago, há uma explicação biológica para esse comportamento. “A partir dos 30 anos, começamos a passar por mudanças metabólicas e a perder massa muscular, em um processo natural chamado sarcopenia. As redes sociais ajudam a disseminar informação, mas a motivação principal é a necessidade de cuidar do corpo diante dessas mudanças”, afirma.

Mesmo com a popularização da atividade física, especialistas reforçam a importância de um olhar crítico sobre os conteúdos consumidos nas redes sociais. Muitas vezes, influenciadores apresentam rotinas idealizadas, distantes da realidade da maioria da população.

“A informação sobre saúde está mais acessível, o que é positivo. Porém, nem sempre o conteúdo divulgado nas redes é adequado. Muitas vezes, há mais foco na performance e na estética do que no cuidado real com a saúde”, pontua Tatiane.

Diante desse cenário, a prática de atividade física segue sendo essencial para o bem-estar físico e mental, mas deve ser acompanhada de orientação adequada e equilíbrio. Enquanto jovens buscam estética e socialização, adultos tendem a priorizar saúde e qualidade de vida. Em comum, permanece a influência das redes sociais — capaz de incentivar hábitos positivos, mas também de impor padrões difíceis de alcançar.

“Ver amigos ou influenciadores adotando hábitos saudáveis pode estimular mudanças positivas. Ainda assim, é fundamental manter um olhar crítico sobre esses padrões, já que exercem grande influência sobre comportamentos e estilos de vida”, conclui Bueno.

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