(Foto: Bruna Fernande e Mariane Daniella da Silva) - Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificaram uma nova cepa de levedura com características promissoras para a indústria, especialmente o setor de biocombustíveis. Batizada de LBGA-01, a levedura se destaca pela alta tolerância a temperaturas elevadas, superiores a 40 °C, condição considerada ideal para otimizar a produção de etanol no Brasil.
As leveduras são fungos essenciais em processos de fermentação, amplamente utilizados na produção de etanol, pães e suplementos alimentares, por serem ricas em proteínas, minerais, carboidratos e vitaminas do complexo B. A busca por cepas mais resistentes e adaptáveis é estratégica para aumentar a eficiência industrial e reduzir custos operacionais.
De acordo com o professor Anderson Ferreira da Cunha, do Departamento de Genética e Evolução (DGE) da UFSCar, a nova cepa apresenta resistência superior às leveduras comerciais. “Ela suporta condições estressoras que normalmente prejudicam o crescimento celular e a eficiência da fermentação. Além disso, é tolerante aos ácidos acético e lático, subprodutos comuns do processo industrial que podem inibir a produção de etanol”, explica.
Outro diferencial da LBGA-01 é a capacidade de amplificar genes ligados à assimilação de sacarose, favorecendo a conversão do açúcar em produtos fermentáveis e melhorando o rendimento dos processos industriais.
Com foco em levar a inovação ao mercado, a tecnologia foi licenciada para a BIOINFOOD, startup deep tech sediada em Campinas (SP), por meio de um acordo de transferência de know-how, com apoio da Agência de Inovação da UFSCar (AIn.UFSCar).
Segundo Gleidson Teixeira, cofundador e diretor científico e comercial da BIOINFOOD, o licenciamento de microrganismos ainda apresenta desafios jurídicos. “Mesmo sendo uma zona cinzenta, é fundamental estimular esse tipo de transferência. Isso valoriza a ciência produzida nas universidades e garante mais segurança jurídica às parcerias”, afirma.
Para o docente da UFSCar, a transferência de know-how é estratégica. “As características dessa cepa podem servir de base para modificações genéticas em outras leveduras, ampliando aplicações que vão da produção de biocombustíveis à indústria alimentícia”, destaca Cunha.
Atualmente, a LBGA-01 está em fase de testes conduzidos pela BIOINFOOD. Os resultados iniciais apontam alta eficiência fermentativa e maior estabilidade celular em condições típicas da produção industrial de etanol, como variações de temperatura, acidez e reciclo de células. Os experimentos buscam avaliar a viabilidade da cepa em escala comercial.
O estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio de projetos voltados à análise genômica e à seleção de leveduras para aplicações industriais. A descoberta foi publicada na revista científica Biotechnology for Biofuels and Bioproducts.
Empresas interessadas em conhecer mais sobre processos de transferência de know-how e tecnologias protegidas da UFSCar podem entrar em contato com a AIn.UFSCar pelo e-mail inovacao@ufscar.br ou pelo telefone (16) 3351-9433.
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