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quinta, 12 de fevereiro de 2026
História

Maquete da Catedral completa 80 anos

A demolição da antiga igreja começou em 1949, e a tão sonhada catedral foi inaugurada em 1957, durante as comemorações do centenário de São Carlos.

12 Fev 2026 - 18h34Por Da redação
A maquete da Catedral de São Carlos do Borromeu: obra arquitetônica de rara beleza e ponto turístico de São Carlos - Crédito: Divulgação A maquete da Catedral de São Carlos do Borromeu: obra arquitetônica de rara beleza e ponto turístico de São Carlos - Crédito: Divulgação

Há exatamente 80 anos, em 1946, o professor Ernfrid Frick fez a maquete da Catedral Diocesana de São Carlos, cuja pedra fundamental foi lançada pelo bispo Dom Ruy Serra no dia 4 de novembro daquele ano. Dez anos depois, o templo – ainda com sua construção inacabada – sediou sua primeira missa no salão térreo.
Ernfrid Frick, imigrante sueco e professor na Escola Industrial, era tão hábil artista quanto seu irmão Ferdinand, autor da maquete da Catedral da Sé, em São Paulo.

Dois anos depois de Frick elaborar a maquete do santuário, em 1948, o bispo Dom Ruy Serra tomou a decisão de construir a Catedral no mesmo local em que havia nascido a cidade. A demolição começou em 1949, e a tão sonhada catedral foi inaugurada em 1957, durante as comemorações do centenário de São Carlos.
A demolição do antigo prédio, de acordo com o historiador Ary Pinto das Neves, marcava o fim de um ciclo histórico e o início de outro, que perdura até os nossos dias. “A impiedosa picareta demolidora do progresso começou a pôr abaixo o velho templo, onde gerações de são-carlenses batizaram-se, casaram-se e se encomendaram para a eternidade”.

A POLÊMICA DA LOCALIZAÇÃO – Mas, antes disso, houve muita polêmica quanto à localização da construção da Catedral de São Carlos. O bispo Dom Gastão era enérgico e decidiu pela construção da nova Catedral na Vila Pureza, na parte mais alta da colina central, onde está hoje a Praça Cristiano Altenfelder Silva, chegando a colocar ali a pedra fundamental.
A resistência popular foi tão grande que o projeto não foi levado adiante até a morte do bispo, de forma súbita, em 24 de outubro de 1945. Coube ao seu sucessor, bispo Dom Ruy Serra, tomar a decisão de manter os anseios da população e mandar construir a catedral naquele mesmo local.

 

 O imigrante sueco e professor na Escola IndustrialErnfrid Frick, era tão hábil artista quanto seu irmão Ferdinand, autor da maquete da Catedral da Sé, em São Paulo, fez a maquete do principal santuário de São Carlos

DA FAZENDA PARA O CENTRO DA CIDADE – Em 4 de novembro de 1857, a família Arruda Botelho, comandada pelo irmão mais velho, Antonio Carlos, o futuro Conde do Pinhal, levou a imagem de São Carlos do Borromeu da Fazenda Pinhal até o centro de São Carlos do Pinhal, e foi rezada a primeira missa. Tal fato marca a fundação da história oficial do burgo e mostra o quanto religião e poder político estavam umbilicalmente ligados.

O local onde seria erguida a igreja foi reservado em 1851 por Carlos José Botelho, o Botelhão, proprietário da Sesmaria do Pinhal, que ele havia demarcado em 1831. A capela começou a ser construída em 1856. Jesuíno de Arruda forneceu a madeira. O edifício, bastante simples, foi erguido pelo carpinteiro Inácio José de Ávila, o Inacinho, que forneceu também as telhas. As paredes foram rebocadas por escravos.

O Código de Posturas de 1873, o segundo da história da Câmara Municipal de São Carlos do Pinhal, criou um imposto que poderia ser chamado de “Taxa da Capela”. O imposto incidia sobre os produtores de café, que deveriam pagar 50 réis por arroba do produto vendida. Caso não o fizessem, seriam multados em 20$00, além de serem obrigados a recolher a taxa aos cofres públicos. O imposto perdurou por muito tempo, até a conclusão do templo.

Em 1886, o advogado Dr. Procópio de Toledo Malta resolveu enfrentar o desafio de construir uma igreja de tijolos. As singelas construções de madeira deixavam envergonhados os barões de café, que erguiam enormes casarões. O serviço de carpintaria ficou a cargo de Francisco da Costa Mattoso. Os cultos continuaram a ser realizados, sendo que as antigas estruturas de madeira somente eram retiradas quando as de tijolos estavam prontas.

Em 1908, o Papa Pio X elevou São Carlos a arquidiocese e criou cinco novas dioceses em seu território: Taubaté, Campinas, Ribeirão Preto, Botucatu e São Carlos do Pinhal. A escolha da cidade para sediar um dos novos bispados impôs à cidade novos desafios, devido às cinco décadas de bons serviços prestados. Era um novo degrau na importância apostólica e na hierarquia eclesiástica.

Dom José Marcondes Homem de Mello tornou-se bispo residente de São Carlos. Antes, em 1907, a paróquia conseguiu, através da política, os recursos para a criação da Casa Episcopal. A Câmara Municipal, de maioria botelhista, contribuiu com 30 contos de réis. A Matriz se tornou Sé Episcopal.

A última tentativa para dar melhor apresentação exterior à igreja foi feita em 1918. A missão ficou a cargo do italiano Bruno Giongo. Toda a frente do templo foi demolida, entre outras mudanças.

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