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segunda, 02 de março de 2026
30 anos sem Mamonas Assassinas

Jornalistas, historiadores e músicos são-carlenses avaliam legado da banda

Entre os riscos de serem "cancelados" pelo politicamente correto atual ou tropeçarem no próprio sucesso, especialistas resgatam a riqueza do humor da turma de Dinho

02 Mar 2026 - 19h09Por Da redação
Mamonas Assassinas - Crédito: DivulgaçãoMamonas Assassinas - Crédito: Divulgação

Passados 30 anos da tragédia que vitimou nove pessoas, inclusive todos os integrantes do grupo musical Mamonas Assassinas, no distante 2 de março de 1996, com a colisão do jato Learjet com a Serra da Cantareira, duas perguntas não querem calar. A primeira é se a banda manteria o mesmo sucesso até hoje e a segunda é qual o legado que os Mamonas deixaram para a música e para a cultura pop.

O memorialista, escritor e cronista Cirilo Braga destaca que o maior legado dos Mamonas Assassinas é a alegria e a irreverência que eles representaram. “Eles convidavam a viver em permanente estado de carnaval. Por isso causaram impacto numa década de poucas novidades. Por isso, a presença daqueles garotos na cena musical foi capaz de produzir algo raríssimo: uma carreira de curtíssima duração rendeu tributos que atravessam décadas”.

Segundo Cirilo, talvez isso se explique também pela forma como os Mamonas encantaram as crianças, apesar de suas letras ousadas. “Aquelas crianças cresceram cultivando a saudade daquele momento mágico. Some-se a isso a tragédia do acidente na Serra da Cantareira naquele março de 1996. Não havia como aceitar que tudo tivesse terminado ali. O inconformismo gerou até o apego a quem imediatamente pudesse trazer algum conforto, celebrando a alegria no palco. Foi o que fez o palhaço Tiririca, que logo alcançou sucesso com sua ‘Florentina’, no vácuo da inesquecível banda de Guarulhos. O tempo mostrou o quanto os Mamonas foram especiais e peculiares. Por isso não saíram da memória de um país que, dois anos antes, havia sido golpeado pela morte de Ayrton Senna”.

Hoje, de acordo com o cronista, talvez os Mamonas fossem cancelados nas redes pela irreverência de suas músicas e paródias. Ou talvez seus integrantes partissem para outras áreas do show business, dado o talento individual, sobretudo do líder Dinho, um showman. “Quem poderia saber? O fato é que, se surgissem com aquela roupagem no ambiente atual, ninguém ficaria indiferente a eles. Resumindo: os Mamonas fizeram tanto furor por brincar numa década muito careta”, explica ele.

O clima de caos social e econômico do Brasil do início dos anos 1990, frustrando os sonhos dos que sonharam com democracia e justiça social, foi a mola propulsora para o humor escrachado de Dinho e sua turma. “Os anos 90 foram um período de revisão das décadas passadas na cultura e nas artes. Sob o impacto do Plano Collor, ficou difícil aparecer algo novo. Foi no panorama de marasmo e de fórmulas desgastadas que os Mamonas, na cena musical, e o Plano Real, na economia, surgem como contraponto e esperança”, conta ele.

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