Universitária durante a ação social em uma casa de madeira no assentamento Capão das Antas - Crédito: DivulgaçãoQuatro jovens universitários da USP São Carlos, que integram o Domus, um projeto do Enactus campus São Carlos, buscam através de uma atividade extracurricular realizar ações sociais que visa o empoderamento de comunidades em situação de vulnerabilidade através do empreendedorismo social.
Nesta época de pandemia da Covid-19, no intuito de evitar exposição pública e se expor a um possível contágio, as atividades pararam momentaneamente. Porém, buscam doações de caixinhas de leite vazias que são utilizadas em barracos feitos com madeiras e que normalmente possuem frestas, por onde entram insetos, animais peçonhentos, vento e água, quando ocorre chuva.
Hoje, o Domus é integrado pelos universitários Leticia Matheus, 19 anos (líder, Engenharia Civil), Beatriz Alcantara, 22 anos (membro, Arquitetura), Rafael Abbud, 23 anos (membro, Engenharia Elétrica) e Isabela Sarkis, 23 anos, (membro, Engenharia Civil). Nos próximos dias, aproximadamente novos 15 voluntários passam a integrar a equipe.
Letícia, Beatriz, Isabela e Rafael já realiza esta atividade e com as caixinhas de leite revestiram uma casa no assentamento Capão das Antas.
O QUE É O DOMUS
O programa existe há seis meses e até o ocorreu o revestimento de um quarto da comunidade, o qual normalmente é usado por visitantes.
Segundo Letícia, as são reuniões semanais e em cada encontro são divididos repasses a serem feitos. “Gostamos de dividir de uma maneira que não sobrecarregue ninguém, por isso não deixamos as funções pré-estabelecidas. Vamos variando de acordo com nossas prioridades”, comentou a líder do grupo, de apenas 19 anos.
Em uma entrevista exclusiva ao São Carlos Agora, Letícia detalhou o que é o projeto e reforçou a necessidade da participação popular no sentido de doar caixinhas de leites vazias que serão utilizadas para proporcionar qualidade de vida para muitas famílias carentes que vivem em situação de vulnerabilidade social.
O revestimento realizado em casas de madeira visa dar mais dignidade e qualidade de vida para pessoas que não conseguiram até o momento, ter uma moradia em alvenaria.
A ENTREVISTA
São Carlos Agora - Como e quando surgiu o Projeto Domus? Por que ele foi criado?
Leticia Helena de Mello Matheus - O Domus é um projeto do time Enactus Campus São Carlos, uma atividade extracurricular da USP São Carlos. Nosso time realiza projetos visando o empoderamento de comunidades em situação de vulnerabilidade através do empreendedorismo social.
Como time, buscamos sempre desenvolver nossos projetos com base nos problemas cotidianos das comunidades de São Carlos. Assim, em uma visita a ocupação que trabalhamos, identificamos um problema muito comum em todo o país: a falta de qualidade e segurança de moradias.
Devido à baixa disponibilidade de materiais e recursos para construção, a grande maioria das casas é feita de forma irregular com materiais como MDF e madeira serrada. Além disso, tais habitações não são revestidas ou acabadas e, portanto, o espaço interno permanece desprotegido, com frestas que não isolam o local de mudanças climáticas e da entrada de animais, como insetos, aranhas e escorpiões.
Nesse sentido, nasceu o Projeto Domus, como forma de mudar o cenário das moradias nas ocupações e assentamentos no Brasil.
SCA - Qual a finalidade deste projeto? De onde vem os recursos para que ele sobreviva?
Leticia - Com caixas tetrapak, queremos mudar o cenário das moradias nas ocupações e assentamentos. As caixas servem de matéria prima para a formação de placas de revestimento, que são aplicadas nas paredes ou no forro das casas, proporcionando conforto térmico e maior segurança aos moradores, impedindo a passagem do vento a infiltração de água e a entrada de animais perigosos.
Nossos recursos vêm principalmente dos nossos pontos de coleta. Em 2019, 817 embalagens foram depositadas pela comunidade da USP em nossos pontos ao redor do campus em São Carlos. Também temos parcerias com estabelecimentos, como a Kamzu, que doou 365 embalagens ao longo de um mês.
SCA - A finalidade é levar qualidade de vida e conforto para famílias carentes, utilizando tecnologia. Como isso é feito?
Leticia - A maior qualidade de vida está ligada ao maior convívio familiar harmônico, algo que é alcançado quando os membros da família possuem uma casa mais confortável para viver, além disso também está ligada a maior segurança que os moradores terão ao não sentirem medo em dias de chuva, por exemplo.
SCA - Como integrantes do projeto chegam até essas famílias?
Letícia - Nós entramos em contato com a líder da comunidade através de redes sociais, visitamos o assentamento e, assim, desenvolvemos uma relação de confiança com os moradores de lá. Dessa forma, conseguimos o contato de famílias interessadas e fazer a atuação.
SCA - Normalmente para realizar os trabalhos em residências, quanto tempo é levado?
Letícia - Temos como base um quartinho de 9m², que levou em torno de 5 horas para ser revestido por 4 pessoas.
SCA - Que tipo de material é utilizado pelo Projeto Domus na reforma de uma casa?
Letícia - Além das caixinhas de leite, utilizamos grampeadores da Bosch e muitos grampos. Ademais, precisamos de escadas para revestir as partes mais altas das moradias, tesouras e estiletes para recortar as placas quando necessário e martelo para fixar melhor os grampos quando necessário. Para fazer as medições iniciais e coletar dados sobre a moradia antes de aplicar o revestimento, utilizamos trenas, a laser ou de mão e termômetro a laser para medir a temperatura interna.
SCA - Normalmente casas em assentamentos e ocupações mostram problemas de estruturas e frestas. Após sanado esses problemas, a habitação será habitável por quantos anos?
Letícia - Todas as moradias da comunidade em que atuamos são de caráter provisório, assim, não conseguimos realizar um impacto duradouro. A intenção é que o revestimento dure por alguns anos, porém a durabilidade do revestimento varia de acordo os cuidados e com a manutenção que é realizada pelo(s) morador(es).
SCA - Os integrantes do Projeto Domus são pessoas da sociedade. O que levaram a dedicar-se a melhorar a qualidade de vida de desconhecidos?
Leticia - Como dito anteriormente, todos são membros da rede Enactus, uma extracurricular dedicada ao empoderamento de comunidades em situação de vulnerabilidade social. Assim, desde a entrada no time nós decidimos nos dedicar a melhorar a vida de pessoas desconhecidas. Contudo, o que nos faz continuar trabalhando nesses projetos é acreditarmos no nosso propósito e a vontade de compartilhar os conhecimentos que adquirimos dentro da universidade pública com os que raramente tem oportunidade de acesso a ela.
SCA - O que este trabalho agrega como lição de vida para aqueles que praticam o bem?
Letícia - O trabalho que desenvolvemos dentro do Domus é muito enriquecedor, tanto do lado profissional, com o aprendizado sobre trabalho em grupo e desenvolvimento de um modelo de negócios; do lado pessoal, ensinando a importância do comprometimento, organização do tempo e dedicação; e do lado social, auxiliando para uma compreensão mais ampla da realidade em que vivemos, das desigualdades e disparidades econômicas dentro da sociedade.
Sabemos que, por estudarmos na Universidade de São Paulo, possuímos oportunidades e é nosso papel devolver para a sociedade aquilo que é produzido dentro da universidade pública. Dessa maneira, atuar em comunidades em situação de vulnerabilidade socioeconômica e buscar soluções para melhorar a qualidade de vida nesses locais é um trabalho que exige muita dedicação, pesquisas e discussões. São longas horas de trabalho, porém ver o resultado do nosso trabalho e o impacto positivo que este trás para as pessoas necessitadas é o que nos motiva a seguir e trabalhar para impactar cada vez mais vidas.
SCA - Nesta época de pandemia da Covid-19, quais os cuidados que os integrantes do projeto tomam para evitar contágio?
Letícia - Pausamos a coleta de caixinhas assim como os mutirões de revestimento previstos para esse período. Estamos reforçando as campanhas de arrecadação pelas mídias sociais, para que as pessoas se acostumem, durante a quarentena, a cortar, lavar e guardar as caixinhas de leite, de forma que nos sejam entregues ao final desse período.
Além disso, estamos em contato virtual com a comunidade, sempre reforçando a importância dos cuidados durante a pandemia. Assim que começou a quarentena, nosso time suspendeu a visita às comunidades para garantir a segurança deles e a nossa.
SCA - Considerações finais
Letícia - Trabalhar com empreendedorismo social é um desafio, mas estamos dando o nosso melhor para promover a melhoria na qualidade de vida das pessoas. Contudo, precisamos da colaboração de todos, principalmente para a doação de embalagens e dos materiais necessários para a manutenção do projeto. Além disso, gostaríamos de pedir para qualquer pessoa que queria ajudar nos mutirões ou esteja interessado em investir no projeto, entrar em contato com nosso time pelo Instagram (@projetodomus), Facebook (/EnactusCSaoCarlos) ou pelo email (projetodomuss@gmail.com).
DOAÇÕES
Quem puder participar desta ação de empreendedorismo e doar caixas de leite vazias, basta entrar em contato pelo fone 19 98112-4343, pelo Instagram (@projetodomus), Facebook (/EnactusCSaoCarlos) ou pelo email (projetodomuss@gmail.com).
Crédito: Divulgação
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