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domingo, 11 de janeiro de 2026
Tecnologia

Diretor do ParqTec comemora volta do crescimento da produção científica

Salto ajuda a superar estagnação de 2022 e 2023; número de artigos publicados, porém, ainda está abaixo de 2021

11 Jan 2026 - 11h23Por Da redação
A ciência brasileira ainda precisa aumentar sua produtividade para recuperar o patamar anterior às quedas; em 2021, foram 82.440 artigos científicos publicados - Crédito: divulgaçãoA ciência brasileira ainda precisa aumentar sua produtividade para recuperar o patamar anterior às quedas; em 2021, foram 82.440 artigos científicos publicados - Crédito: divulgação

O diretor da Fundação Parque de Alta Tecnologia (ParqTec), Sylvio Goulart Rosa Jr., comemora o fato de que, depois de dois anos em queda, a produção científica brasileira voltou a crescer em 2024, com a publicação de mais de 73 mil artigos. O número representa um avanço de 4,5% na comparação com 2023, conforme aponta novo relatório publicado pela editora científica Elsevier, em parceria com a agência de notícias científicas Bori.

Apesar disso, a ciência brasileira ainda precisa aumentar sua produtividade para recuperar o patamar anterior às quedas. Em 2021, foram publicados 82.440 artigos científicos.

O levantamento também mostra aumento expressivo na quantidade de pesquisadores brasileiros que publicaram artigos na última década. Em 2004, eram 205 autores a cada 1 milhão de habitantes. Já no ano passado, essa proporção quase quintuplicou, chegando a 932 por milhão.

“Os dados mostram a força da pesquisa no Brasil e da pós-graduação, com a formação de doutores em todo o país. É um programa robusto e fundamental para o futuro do país, com muitas publicações de artigos em nível mundial”, destaca Sylvio Goulart.

Ele afirma que, dentro da inovação e do conhecimento — desafios muito importantes para o Brasil —, São Carlos desempenha um papel fundamental e estratégico, com um ecossistema de ciência e tecnologia já maduro e consolidado. Ele ressalta que a pesquisa básica é muito importante, mas também lembra que a pesquisa voltada à aplicação na economia, criando novos produtos e serviços e, consequentemente, cadeias produtivas, é o modelo criado em São Carlos.

“Quando uma pesquisa leva a um produto e este produto acaba gerando emprego, renda e novos investimentos, ele interfere na qualidade de vida do país, no PIB, na arrecadação de impostos e na ampliação do conhecimento. A independência que buscamos hoje é a tecnológica, e o ecossistema de São Carlos continua sendo um grande modelo para o Brasil”, destaca o cientista.

RELATÓRIO DA SCOPUS – O relatório é elaborado a partir da Scopus, a maior base de dados de literatura científica revisada por pares do mundo, que inclui mais de 100 milhões de publicações editadas por cerca de 7 mil editoras nas áreas de ciência, tecnologia, medicina, ciências sociais, artes e humanidades.

A análise por áreas mostra que as ciências da natureza seguem como as que mais publicam no Brasil, seguidas pelas ciências médicas. No entanto, o maior aumento em 2024 foi verificado entre os artigos de engenharias e tecnologias: 7,1%.

O relatório também analisou a variação da produção de 32 instituições de pesquisa brasileiras que publicaram mais de 1 mil artigos em 2024 e constatou crescimento em 29 delas, com destaque para as universidades federais de Pelotas, de Santa Catarina e do Espírito Santo.

Na outra ponta, as três instituições que apresentaram diminuição na produção de artigos foram a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Estadual de Maringá e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O professor Sylvio Goulart Rosa Júnior: O diretor do ParqTec, Sylvio Goulart Rosa Júnior: “A independência que buscamos hoje é a tecnológica e o ecossistema de São Carlos continua sendo um grande modelo para o Brasil”

PANORAMA MUNDIAL – O relatório avaliou dados de 54 países com produção anual superior a 10 mil artigos e identificou que quase todos apresentaram crescimento em sua produção científica de 2023 para 2024, à exceção de Rússia e Ucrânia.

Também foi calculada a taxa de crescimento composta de cada nação ao longo de dez anos, de 2014 a 2024. Nos países de alta renda, que já possuem tradição em pesquisa científica, essa taxa tende a ser menor do que 5% ao ano, enquanto países de renda média e baixa, que ainda estão consolidando seus sistemas de ciência e tecnologia, apresentam índices mais elevados.

No período analisado, por exemplo, os maiores crescimentos foram verificados no Iraque, Indonésia e Etiópia, e os menores, na França, Japão e Taiwan.

No entanto, o Brasil aparece na 39ª posição, com crescimento semelhante ao de países desenvolvidos como Suíça e Coreia do Sul e, de acordo com o relatório, tem perdido fôlego nos anos mais recentes.

De 2006 a 2014, essa taxa ficou consistentemente próxima de 12%, caindo bruscamente em 2016 e mantendo essa trajetória de desaceleração desde então. No período de dez anos encerrado em 2014, o Brasil cresceu apenas 3,4%. (Com informações da Agência Brasil).

 

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