
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil avançou e pode ser votado ainda neste semestre no Congresso Nacional. O tema foi o principal destaque de sua participação no programa “Bom Dia, Ministro”, nesta quarta-feira (21), que reuniu rádios e portais de notícias de diferentes regiões do país.
Segundo Boulos, a mudança na jornada de trabalho é uma das prioridades do governo federal para 2026 e integra a agenda de valorização das condições laborais e da qualidade de vida dos trabalhadores. Ele destacou que já houve diálogo com lideranças do Legislativo sobre o tema.
“Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6x1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse o ministro.
A proposta defendida pelo governo prevê a adoção de uma jornada máxima de 40 horas semanais, no modelo 5x2, sem redução salarial. Atualmente, a legislação permite até 44 horas semanais. “Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores”, reforçou Boulos.
Durante a entrevista, o ministro também abordou outros temas em discussão no governo, como a regulação dos aplicativos de entrega, com foco na ampliação da proteção social e na melhoria das condições de trabalho dos entregadores, além da proposta de participação popular no orçamento federal, por meio da iniciativa chamada Orçamento do Povo.
Produtividade e exemplos internacionais
Boulos rebateu críticas de que o fim da escala 6x1 poderia reduzir a produtividade e citou experiências internacionais e nacionais que apontam resultados positivos com a redução da jornada de trabalho.
Ele mencionou a Islândia, que adotou a jornada 4x3 com 35 horas semanais e registrou crescimento econômico de 5% e aumento de 1,5% na produtividade. Nos Estados Unidos, segundo o ministro, a redução média de 35 minutos na jornada diária ao longo dos últimos três anos resultou em um aumento médio de 2% na produtividade. Já no Japão, a experiência da Microsoft com a escala 4x3 teria elevado a produtividade individual em 40%.
No Brasil, Boulos citou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em 2024, que analisou 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. “Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo”, afirmou.
Impactos sociais
O ministro também destacou os efeitos da escala 6x1 sobre a saúde física e emocional dos trabalhadores e sobre o convívio familiar. Para ele, a discussão envolve mais do que economia, passando pela dignidade e pelo bem-estar da população.
“O debate que temos que fazer é o seguinte: uma coisa é você trabalhar para poder viver. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para a família, para cuidar dos filhos ou até para se qualificar profissionalmente”, afirmou. Segundo Boulos, trabalhadores mais descansados tendem a produzir melhor, o que reforça a viabilidade da proposta.
“O que a gente sustenta, baseado em dados, é que o fim da escala 6x1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil, como aconteceu em outros lugares”, concluiu.
Programa
O “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A edição desta quarta-feira contou com a participação da Rádio Nacional de Brasília, Amazônia e Alto Solimões; Portal A Gazeta (Vitória/ES); Rádio Difusora (Macapá/AP); Rádio Clube News (Teresina/PI); Rádio Massa (Campo Grande/MS) e Rádio Lully (Rio de Janeiro/RJ).





