Pedreiro durante trabalho em obra. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo) - Existe, atualmente, uma escassez significativa de pedreiros e de mão de obra qualificada no mercado brasileiro da construção civil. O problema é real e persistente, exigindo uma mudança de paradigma no setor para atrair novas gerações e modernizar as práticas de trabalho.
A falta de profissionais afeta empresas e obras, resultando em atrasos, aumento de custos e valorização desses trabalhadores. Os jovens se afastam da profissão devido à desvalorização social, ao esforço físico e às condições de trabalho, enquanto a demanda aquecida do setor exige mais trabalhadores, levando à busca por novas soluções, como tecnologia e mão de obra estrangeira.
Entre as principais causas estão o desinteresse dos jovens, que consideram a construção civil um trabalho pesado, com exposição ao sol e riscos. Muitos buscam outras áreas, como o setor digital. Soma-se a isso o envelhecimento da mão de obra, já que a idade média dos trabalhadores está aumentando e a renovação não ocorre na mesma velocidade.
A falta de atratividade está relacionada aos baixos salários (em comparação com a demanda), a processos ultrapassados e à informalidade, além do aquecimento do setor. O crescimento do mercado imobiliário e de programas habitacionais aumenta a demanda por profissionais, acentuando a carência.
Atualmente, as construtoras operam com uma falta de 20% a 30% dos trabalhadores necessários. A disputa por profissionais eleva o preço da mão de obra, impactando o custo final dos imóveis. Além de pedreiros, há falta de eletricistas, mestres de obras e encanadores experientes.
Em busca de soluções, o mercado investe em tecnologia, com o uso de robótica, impressão 3D e pré-fabricação, para reduzir a dependência do trabalho manual. Algumas construtoras aumentam salários e benefícios para atrair e reter talentos. Além disso, há programas de treinamento para integrar novos trabalhadores, inclusive estrangeiros (bolivianos, haitianos e venezuelanos). A modernização dos canteiros de obras, com a implementação de processos mais eficientes, busca tornar o trabalho menos desgastante.
O piso salarial de pedreiro em São Paulo varia, mas as médias giram em torno de R$ 2.500 a R$ 2.800 mensais para jornadas de 44 horas semanais, dependendo da especialidade (como edificações ou alvenaria) e da empresa. O valor é ligeiramente maior que o Piso Salarial Paulista de R$ 1.804,00, estabelecido para algumas categorias, e pode aumentar conforme a experiência e a localidade, como em São José dos Campos.
TRABALHO PESADO E BAIXOS SALÁRIOS – O presidente do CRECISP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto, destaca que uma série de questões causou essa escassez de profissionais da construção civil, entre eles o pedreiro.
“A remuneração não é tão atrativa. Além disso, é um trabalho cansativo e perigoso. Por outro lado, há emprego à vontade e a profissão, neste momento, está valorizada, pois as construtoras têm uma demanda enorme para construir casas e edifícios e não encontram mão de obra”, destaca.
Viana ressalta que, há algum tempo, o SENAI estava oferecendo cursos de pedreiro voltados para mulheres. “Foi uma experiência que deu muito certo e formou excelentes profissionais. De repente, esse processo, lamentavelmente, parou.”
“A mulher tem totais condições físicas para assentar azulejos ou colocar pisos. São serviços relativamente leves que podem ser desenvolvidos com tranquilidade. Seria uma forma de resolver o problema. Mas, de toda forma, os salários precisam aumentar e ser mais atrativos”, comenta.
Segundo Viana, outra alternativa buscada pelo mercado tem sido a contratação de imigrantes. “Temos muitos colombianos, peruanos, venezuelanos e haitianos trabalhando hoje na construção civil”, comenta o especialista.
SENAI SÃO CARLOS OFERECE CURSOS GRATUITOS – O diretor do SENAI, Marcio Vieira Marinho, afirma que o SENAI São Paulo está intensificando cursos na área da construção civil em resposta à escassez de mão de obra para esse segmento da economia.
“Em São Carlos, temos uma ótima oportunidade. Quem atua na área ou já atua e deseja obter qualificação pode aproveitar essa oportunidade. Os cursos são gratuitos e noturnos. Fica o convite para os interessados procurarem o SENAI e fazerem suas inscrições. Lembrando que é tudo gratuito. É uma oportunidade importante, e nosso objetivo é formar mão de obra para atender ao mercado”, comenta Marinho.
Cursos concluídos
• Técnicas para Elevação de Alvenaria com Função Estrutural – 1 turma (15 alunos)
Em andamento
• Técnicas para Execução e Montagem de Circuitos Elétricos Prediais – 2 turmas (30 alunos)
• Técnicas para Elevação de Alvenaria com Função Estrutural – 3 turmas (48 alunos)
Vagas abertas
• Técnicas para Execução e Montagem de Circuitos Elétricos Prediais – 10 vagas
• Técnicas para Elevação de Alvenaria com Função Estrutural – 7 vagas
Previsão para os próximos 3 meses
136 vagas distribuídas em 5 cursos, com destaque para elétrica predial e alvenaria estrutural (40 vagas cada).
• Técnicas para Execução e Montagem de Circuitos Elétricos Prediais – 40 vagas
• Técnicas para Assentamento de Revestimentos Cerâmicos – 20 vagas
• Técnicas para Elevação de Alvenaria com Função Estrutural – 40 vagas
• Construtor de Alvenaria – 20 vagas
• Instalação de Drywall – 16 vagas





