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segunda, 30 de março de 2026
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Câncer de rim: mitos e verdades sobre uma doença que pode evoluir em silêncio

De acordo com especialista do IBCC Oncologia, o tumor costuma não dar sinais nas fases iniciais e, quando descoberto cedo, pode ser tratado com cirurgia menos agressiva

30 Mar 2026 - 11h40Por Activa Comunicação
rins - Crédito: Freepikrins - Crédito: Freepik

O câncer de rim costuma evoluir de forma silenciosa e, justamente por isso, ainda representa um desafio importante para o diagnóstico precoce. Em muitos casos, o tumor não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberto por achados radiológicos em exames de imagem realizados por outros motivos. Ao mesmo tempo, essa detecção mais precoce vem mudando o cenário da doença e permitindo tratamentos menos agressivos e, em muitos casos, a preservação do órgão.

Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 8.110 novos casos de câncer de rim por ano no triênio 2026–2028, sendo 4.900 entre homens e 3.210 entre mulheres.

Para Alvaro Bosco, médico urologista do IBCC Oncologia, o caráter silencioso da doença explica por que o diagnóstico precoce é difícil. “O câncer de rim costuma ser um desafio porque, em muitos casos, não provoca sintomas nas fases iniciais. Isso faz com que o tumor seja descoberto apenas em exames de imagem realizados por outros motivos. Ao mesmo tempo, o diagnóstico precoce é fundamental porque, quando identificado ainda localizado no rim, o tratamento costuma ter mais chance de controle da doença e melhores resultados para o paciente”, afirma.

 

Diagnóstico precoce muda o rumo do tratamento

O especialista destaca que houve mudança importante na forma como esses tumores chegam ao consultório. “No passado, era comum encontrarmos tumores grandes, palpáveis ao exame físico e com sangramento na urina, o que gerava cirurgias maiores, com a retirada completa do rim. Hoje, devido à possibilidade de check-ups com a realização de exames de imagem de rotina, fazemos diagnósticos de tumores pequenos e  com a possibilidade de mantermos o rim, com extirpação apenas do tumor”, explica.

Essa mudança de perfil tem impacto direto sobre o tratamento. Quando o câncer está localizado, a cirurgia continua sendo a principal estratégia terapêutica e pode ter intenção curativa, é a chamada nefrectomia. “Dependendo do caso, pode-se realizar cirurgia para retirada apenas do tumor e preservação do rim, ou retirada somente do rim acometido. Em tumores localizados, a cirurgia oferece intenção curativa, não sendo necessária Quimioterapia ou Radioterapia”, afirma.

A seguir, Alvaro Bosco, urologista do IBCC Oncologia, esclarece os principais mitos e verdades sobre a doença.

 

1. Câncer de rim sempre provoca sintomas logo no começo

Mito.

O câncer de rim pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais. Em muitos casos, o tumor não causa sintomas no começo e acaba sendo descoberto incidentalmente em exames como Ultrassonografia, Tomografia ou Ressonância realizados por outras razões.

 

2. Descobrir o câncer de rim cedo pode mudar completamente o tratamento

Verdade.

Quando o tumor é identificado ainda localizado no rim, o tratamento costuma ter mais chance de controle da doença e melhores resultados. Além disso, o diagnóstico precoce pode permitir cirurgias menos agressivas, com retirada apenas do tumor e preservação do rim em casos selecionados.

 

3. Todo paciente com câncer de rim precisa retirar o rim inteiro

Mito.

Nem sempre. Dependendo do tamanho do tumor, da localização da lesão e das condições clínicas do paciente, pode ser possível retirar apenas o tumor e preservar o restante do rim. A retirada completa do órgão pode ser necessária em alguns casos, mas não é uma regra para todos.

 

4. Tabagismo, obesidade e pressão alta aumentam o risco de câncer de rim

Verdade.

Entre os principais fatores de risco estão tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, doença renal crônica e histórico familiar. Hábitos de vida saudáveis, como não fumar, manter o peso adequado, praticar atividade física e controlar a pressão, são medidas importantes de prevenção.

 

5. Sangue na urina deve sempre ser investigado

Verdade.

Embora não signifique necessariamente câncer, sangue na urina é um sinal de alerta que precisa de avaliação médica. Outros sinais que também merecem atenção incluem dor persistente na região lombar ou no flanco, sensação de massa abdominal, perda de peso sem explicação, cansaço e febre persistente.

 

6. Ultrassom é o único exame usado para identificar câncer de rim

Mito.

A Ultrassonografia pode ser o primeiro passo da investigação, mas Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética costumam ser fundamentais para confirmar o diagnóstico, avaliar o tamanho da lesão e ajudar no planejamento do tratamento.

 

7. Cirurgia é o principal tratamento para os casos localizados

Verdade.

Quando o câncer de rim está localizado, o tratamento principal costuma ser cirúrgico. Em muitos pacientes, a cirurgia é o único tratamento necessário para a cura, sem necessidade de Quimioterapia e/ou Radioterapia.

 

8. Existem alternativas minimamente invasivas em alguns casos

Verdade.

Quando o tumor é pequeno e a cirurgia não pode ser realizada ou é tecnicamente desafiadora, podem ser consideradas terapias minimamente invasivas, como crioablação, radiofrequência, micro-ondas ou eletroporação.

 

9. O tratamento do câncer de rim não avançou nos últimos anos

Mito.

Houve avanços importantes, especialmente nos casos avançados, com o crescimento da imunoterapia e das terapias-alvo. Também há mais interesse em biomarcadores, imagem molecular e estratégias mais personalizadas para definir o melhor tratamento para cada paciente.

 

10. Ter diagnóstico de câncer de rim é sempre sinônimo de doença avançada

Mito.

Hoje, muitos tumores renais são descobertos mais cedo, justamente por causa do maior uso de exames de imagem. Isso permite tratar a doença em fases localizadas, com melhores chances de controle e, em vários casos, com preservação da função renal.

 

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