(16) 99963-6036
quinta, 07 de maio de 2026
Colunistas

MEMÓRIA SÃO-CARLENSE: O Grêmio dos anos 70 e o centroavante Ditão

11 Ago 2017 - 05h44Por (*) Cirilo Braga
Foto: Arquivo Pessoal - Foto: Arquivo Pessoal -

Hoje a "Memória São-carlense" faz uma incursão no mundo do futebol. E as lembranças levam ao Estádio "Professor Luis Augusto de Oliveira", o Luisão, na segunda metade da década de 1970. Era o tempo que, nascido de um clube chamado "Madrugada", o Grêmio Esportivo São-carlense - então ao lado do Estrela da Bela Vista - representava a cidade no futebol profissional. E um atleta em particular parecia encarnar o espírito do time: o centroavante Ditão.

Não por acaso, quando eventualmente em jogos de times atuais alguém lá da arquibancada grita "Põe o Ditão!" a referência é àquele centroavante que jogou no Grêmio Esportivo São-carlense e também brilhou no futebol paranaense na virada dos anos 1970 e 80. Benedito Gonçalves dos Santos, o Ditão, morreu em 26 de setembro de 2010, aos 59 anos, vítima de câncer, em Paraguaçu Paulista, sua cidade natal. Numa foto da equipe gremista de 1979 ele aparece ao lado do mascote e em meio a seus companheiros Lorenço, Wilson, Da Guia, Calazans, Zé Luiz e Mário, Wilson Andrade, Gica, Ademir, Braulio e o massagista Vadão.

Ditão foi ídolo da torcida do Colorado, time que deu origem ao Paraná Clube, onde foi figura de destaque, desde uma memorável partida pelo Brasileirão de 1981, em que marcou um gol e deu assistências para outros três na vitória de seu time sobre o Flamengo por 4 a 1. Era chamado por lá de "Ditão Boca Negra", por sua semelhança com o mascote do time que tinha esse nome.

Nessa época ele já havia passado por São Carlos. Na página do jornalista Milton Neves há relatos da vida de Ditão, que na infância trabalhou na colheita de algodão e amendoim em sua cidade. Começou a jogar futebol no Marília, depois de ter atuado como amador na equipe da Usina Nova América onde trabalhava. Além do Grêmio São-carlense, Ditão passou pelo Catanduvense, pelo Velo Rioclarense, Independente de Limeira, Sertãozinho e União Bandeirante, antes de chegar ao Paraná. Após aquele Brasileirão de 1981, emprestado ao Leônico, da Bahia, naquele estado Ditão sofreu um grave acidente de carro em que sofreu uma perfuração no olho, encerrando ali a carreira de jogador.  Casado aos 17 anos e pai de sete filhos, Ditão ainda retornou ao cenário do futebol como técnico do Paraguaçuense.

A glória e tragédia de Ditão comprovam que o futebol é como uma crônica da vida. Quando um campeonato começa ou quando é dado o pontapé inicial de uma partida, não se sabe o roteiro.Tudo pode acontecer, ou rigorosamente nada.As redes esticadas, as marcas de cal se destacando sobre o tapete verde, a entrada do trio de arbitragem.

Quando o Grêmio Esportivo São-carlense estava em campo nos anos 1970-80 (o clube foi fundado em 19 de março de 1966), havia o incentivo de vozes entusiasmadas que vinham das cabines de rádio.  O clássico das antenas reunia a "Equipe Eclética" da Rádio São Carlos, e a "Equipe Titular do Esporte" da Progresso. Onde o Grêmio estivesse lá estariam Valdemar Zanete, Antonio Walter, Márcio Alvarenga, Maurício Carlos, Ademir de Oliveira, José Antonio, Zé Luis Finocchio. Há quem jure ter ouvido a expressão "iiiih, que cu de boi na área do Grêmiooo", dita pelo narrador que tentava descrever um lance em que quase todos os 22 jogadores em campo estavam na área do time local. Melhor era ouvir: "Gol, que felicidade, esse time é alegria da cidade".

O ataque de 1978 fazia uma paródia da Academia de Futebol do Palmeiras ao reunir no "plantel", atletas chamados Ademir e Da Guia. Mas o "striker" Ditão era o nosso "Dadá Maravilha", ponta de lança de um time em que perfilavam nomes como Bráulio "O Pequeno Guerreiro", Dema, Wilson Andrade, Roberto Biônico, Silvano - e até um que se consagrou, o paraense Giovanni,  que sob as bênçãos do Doutor Sócrates, se notabilizou no Santos e depois no Barcelona e no futebol grego. Alguns outros jogadores tiveram seus dias de glória no Grêmio. Sem falar em Vidotti,  Paulo Leme, Pinheirense (o mais duro marcador de Neto, o xodó da Fiel) e Alexandre, um centroavante que certa vez marcou o "Gol do Fantástico" pelo Grêmio.

Mas eis que o time que mobilizava São Carlos subiu de divisão, desceu, enfrentou os grandes, os pequenos e viveu momentos de grande dramaticidade, ainda que muitos não se dessem conta de que times de futebol são todos iguais, não importa seu tamanho. Vivem de extremos, flertam com a glória e a tragédia - provando que o futebol é mesmo como uma metáfora da vida.

Esta seção tem enfoque na memória coletiva de São Carlos e disponibiliza espaço para relatos e fotos de fatos e locais da cidade em outros tempos. O material pode ser enviado para: memoriasaocarlense@gmail.com.

Foto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo Pessoal

Leia Também

Últimas Notícias