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sexta, 05 de junho de 2020
Dia a Dia no Divã

Dezembro

09 Dez 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Dezembro -

Vamos lá pessoal, o ano foi bem corrido penso que para a maioria, então sem estresse!!!
A época de final de ano representa para boa parte da população, um período de confraternização, reunião familiar, troca de presentes e alegria. Porém, para um outro número de pessoas, o significado é bem diferente.
As festas de fim de ano podem significar situações muito estressantes carregadas de sentimentos negativos. Há pessoas que chegam a apresentar sintomas depressivos. Mas por que isso acontece num momento marcado por celebrações?

O curioso é que exatamente as festas e o clima de confraternização contribuem para o surgimento de sentimentos negativos, como solidão, principalmente para aqueles que vivem sozinhos ou distante de suas famílias. Para as pessoas que tiveram perdas recentes, esse sentimento se intensifica. Lembremos que o Natal é uma data marcada pela reunião familiar, e dela surgem as lembranças e pensamentos carregados de emoção do tipo “o primeiro Natal sem alguém ou algo especial que perdemos”.

Mesmo entre o grupo que participa dessas festividades junto à família, esse período pode ser estressante. Geralmente, uma pessoa é “eleita” para organizar e arcar com a maioria das responsabilidades das comemorações, um fato importante que pode desencadear o estresse.
Além disso, o mês de dezembro marca o encerramento de um ciclo, e a passagem de fases na vida sempre acarreta algum sofrimento ao ser humano. Esse sofrimento é decorrente de uma perda, mesmo que ela seja subjetiva, como por exemplo, a perda de um tempo que passou e de planos que não se concretizaram.

Todo início de ano, milhares de pessoas fazem planos, traçam metas a serem alcançadas no decorrer dos próximos 12 meses, propõem mudanças em suas atitudes. Posteriormente, em dezembro, irão contabilizar suas realizações no ano que passou; ou seja, esse é um período marcado pela auto avaliação e pelo balanço do que cada um fez ou deixou de fazer, podendo surgir muitas frustrações que desencadeiam sentimento de culpa, autocrítica, tristeza.

Por outro lado, este é também um período de descanso, tirar férias é visto por muitas pessoas como o principal remédio para curar todos os males que ocorreram durante o ano. Entretanto, você sabia que estudos indicam que as férias podem constituir um importante agente estressor?
Boa parte das pessoas faz um investimento financeiro e psicológico muito grande em suas férias, acreditando que esses dias serão responsáveis pela tão esperada recuperação do equilíbrio perdido. As férias podem ser realmente renovadoras, mas o fim desse curto período e o retorno ao dia a dia também explicam boa parte do desgaste emocional, pois o indivíduo acaba tendo medo que as férias acabem, vivenciando antecipadamente toda angústia que o trabalho e a volta à rotina lhe proporcionará.

Frente a esta situação que pode ocorrer ano após ano, pensamos em refletir sobre a possibilidade de uma mudança na percepção que cada um tem de sua própria vida. Por que será que muitos de nós deixamos os momentos de prazer reservados para uma certa época do ano? O que nos impede de encarar o trabalho não somente como obrigação, mas também como uma fonte constante de renovação e realização?
Rever conceitos e atitudes, buscar novas formas de lidar com situações já tão cristalizadas compreendem reais tentativas de mudança e melhoria na qualidade de vida.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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