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segunda, 26 de janeiro de 2026
Artigos científicos com Kleber Chicrala

As pesquisas que unem dois Centros de Excelência no Brasil e nos Estados Unidos

25 Jan 2026 - 11h01Por Kleber Jorge Savio Chicrala
As pesquisas que unem dois Centros de Excelência no Brasil e nos Estados Unidos -

Nos corredores do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), ciência de ponta e sensibilidade humana caminham lado a lado. É dali que partem as pesquisas coordenadas pelo professor Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, à frente do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF) – CEPIX – IFSC - USP e com a competente equipe de pesquisadores que vêm ganhando projeção internacional ao unir conhecimento brasileiro e norte-americano em uma parceria com a Universidade do Texas: Texas A&M University. No centro dessa colaboração está um desafio silencioso, mas urgente: o controle microbiológico em um mundo cada vez mais ameaçado por infecções resistentes.

A proposta dos pesquisadores vai além dos métodos tradicionais. Em vez de antibióticos ou produtos químicos agressivos, eles investigam o uso de técnicas fotônicas e sonodinâmicas, que utilizam luz e ondas sonoras para combater microrganismos como bactérias, fungos e vírus. A ideia é simples na aparência, mas sofisticada na execução: ativar substâncias sensíveis à luz e ao som que, ao serem estimuladas, geram reações capazes de destruir os microrganismos sem causar danos significativos aos tecidos saudáveis ou ao meio ambiente.

O professor Bagnato costuma destacar que a força dessas pesquisas está na interdisciplinaridade. Física, biologia, medicina , engenharia, e outras se encontram no laboratório, criando soluções que podem ser aplicadas desde hospitais e clínicas até a indústria de alimentos e o tratamento de água. A colaboração com a Universidade do Texas amplia esse horizonte, reunindo diferentes expertises, culturas científicas e infraestruturas de pesquisa, em um esforço conjunto para acelerar descobertas e transformá-las em aplicações reais.
Mais do que resultados técnicos, o trabalho carrega um impacto profundamente humano. Em um cenário global marcado pelo aumento da resistência microbiana, as técnicas fotônicas e sonodinâmicas surgem como alternativas promissoras, menos invasivas e potencialmente mais sustentáveis. Cada experimento, cada feixe de luz ou pulso sonoro testado em laboratório representa a esperança de tratamentos mais seguros, eficazes e acessíveis no futuro.

Assim, entre lasers, ultrassons e cooperação internacional, as pesquisas lideradas por Vanderlei Bagnato mostram que a ciência brasileira não apenas dialoga com o mundo, mas também oferece respostas inovadoras para problemas que afetam a vida cotidiana de milhões de pessoas. É a física iluminando caminhos onde, até pouco tempo atrás, só havia incerteza.

Quando se fala em técnicas fotônicas e sonodinâmicas, os nomes podem soar distantes ou excessivamente técnicos. Mas, na prática, a ideia por trás dessas abordagens é bastante próxima do cotidiano e profundamente conectada ao cuidado com a vida.

As técnicas fotônicas usam a luz como ferramenta de tratamento. Assim como a luz do sol pode aquecer, iluminar e até ajudar na produção de vitamina D, em laboratório e em ambientes clínicos a luz é cuidadosamente controlada para cumprir uma missão específica. Os pesquisadores utilizam fontes de luz , como lasers ou LEDs, para ativar substâncias chamadas de fotossensíveis. Quando essa luz incide sobre essas substâncias, ocorre uma reação que é capaz de ajudar a combater os microrganismos, como bactérias e fungos. O mais importante é que esse processo pode ser altamente direcionado, atingindo os agentes infecciosos sem causar danos significativos às células saudáveis ao redor.

Já as técnicas sonodinâmicas seguem um princípio semelhante, mas trocam a luz pelo som, mais especificamente por ondas de ultrassom. Essas ondas, invisíveis e silenciosas para nós, conseguem atravessar tecidos e alcançar regiões mais profundas do corpo ou superfícies de difícil acesso.

Quando o ultrassom encontra substâncias sensíveis ao som, ele desencadeia reações físicas e químicas que enfraquecem e ajudam no combate  aos microrganismos. É como se o som “acordasse” essas substâncias para cumprir seu papel de combate às infecções.

De forma humanizada, essas técnicas representam uma mudança de lógica: em vez de “atacar” o corpo inteiro com medicamentos fortes, os pesquisadores buscam ativar processos precisos, no lugar certo, no momento certo, e da forma correta. Isso reduz efeitos colaterais, diminui o risco de resistência microbiana e abre caminho para tratamentos mais seguros e sustentáveis.

No fundo, o uso da luz e do som na ciência reflete algo muito dinâmico: transformar elementos muitas vezes invisíveis aos nossos olhos em aliados poderosos na proteção da saúde. É a tecnologia sendo trabalhada de maneira dinâmica, e extremamente eficaz, a exemplo da Terapia Sonofotodinâmica, para preservar aquilo que temos de mais valioso: a vida.
Fontes: Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato – Coordenador CEPIX – CEPOF – INCT – IFSC – USP e Membro do Grupo de Óptica – IFSC – USP; Me. Kleber Jorge Savio Chicrala – Jornalismo Científico e Difusão Científica do CEPIX – CEPOF – INCT – IFSC – USP - Grupo de Óptica. 

kleberchi

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