Tecumseh - Crédito: divulgaçãoA Tecumseh do Brasil, com sede em São Carlos e que emprega cerca de 2.000 trabalhadores, está acompanhando os desdobramentos relacionados à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e comemorando a possibilidade da derrubada das tarifas sobre produtos importados que haviam sido impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. A Tecumseh foi uma das empresas são-carlenses afetadas pelo tarifaço de Trump.
“A redução das tarifas sobre as importações indicadas pelo governo dos EUA tem potencial para reduzir os custos de aquisição dos próprios estadunidenses, elevando, portanto, nossa expectativa de potencial incremento nos negócios”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Tecumseh, Homero Busnello.
Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), um levantamento feito com base em dados de 2024 do United States International Trade Commission (USITC) apontou que a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40%, que haviam sido impostas pelo governo trumpista a produtos brasileiros, provocaria um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.
De acordo com a entidade, a decisão da Suprema Corte derruba especificamente as tarifas que foram impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), ou seja, ainda permanecem em vigor outras tarifas que foram adotadas com base em diferentes instrumentos legais, especialmente as da Seção 232 da Trade Expansion Act, que são relacionadas a razões de segurança nacional, como aço e alumínio.

FÉRIAS COLETIVAS PROGRAMADAS – Depois de uma retração de aproximadamente 20% na demanda por compressores aplicados nos condicionadores de ar, causada pelo elevado nível de estoques no varejo e na indústria, além de alterações regulatórias, a Tecumseh programou a concessão de férias coletivas para parte de seus colaboradores.
A medida envolve 130 funcionários no mês de fevereiro e outros 130 em março, em termos já negociados com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, e tem como objetivo adequar temporariamente o ritmo de produção ao atual cenário de mercado, preservando a sustentabilidade das operações e os postos de trabalho.
A decisão ocorre após um ciclo contínuo de investimentos relevantes em inovação e capacidade produtiva. Somente em 2025, a companhia investiu cerca de R$ 45 milhões na expansão da capacidade instalada e no desenvolvimento de novas tecnologias de compressores, com destaque para os modelos inverter aplicados a condicionadores de ar.
Mesmo enfrentando os efeitos do tarifaço contra produtos brasileiros, baixado pelo presidente norte-americano Donald Trump, as exportações de São Carlos saltaram 20% em 2025, em comparação a 2024. As empresas da cidade venderam US$ 501,6 milhões para o mercado externo em 2024 e US$ 603,2 milhões em 2025.
O tarifaço causou uma queda de pouco mais de 50% nas exportações de São Carlos para os EUA. Entre janeiro e julho, antes das medidas de Trump, o total de exportações para o país norte-americano chegou a US$ 122,3 milhões. Entre agosto e dezembro, no período pós-tarifaço, o volume de vendas dos produtos são-carlenses para os EUA caiu para US$ 60,5 milhões.
Os Estados Unidos consolidaram-se como o principal destino das exportações de São Carlos em 2025, com US$ 182,8 milhões, à frente do México (US$ 140,1 milhões), Argentina (US$ 50,2 milhões), Chile (US$ 49,9 milhões) e Colômbia (US$ 29,9 milhões). O dado reforça a forte inserção da indústria local no mercado norte-americano, especialmente em produtos de maior valor agregado.
A análise ao longo do ano, no entanto, revela uma mudança significativa de comportamento a partir de agosto, mês em que entrou em vigor o tarifaço anunciado pelo governo Donald Trump sobre produtos importados. Entre janeiro e julho de 2025, as exportações de São Carlos para os EUA somaram US$ 122,3 milhões, o equivalente a cerca de 67% de todo o volume anual. Já no período de agosto a dezembro, o valor caiu para US$ 60,5 milhões.
A desaceleração no segundo semestre indica um impacto direto das novas barreiras tarifárias, que tendem a elevar custos, reduzir a competitividade e levar empresas a rever contratos, volumes e estratégias logísticas. O movimento também pode refletir uma antecipação de embarques no primeiro semestre, como forma de mitigar riscos antes da entrada em vigor das novas tarifas. (Com informações da Agência Brasil).





