Paricá, nativa da Amazônia, é uma das espécies selecionadas pelo projeto. (Foto: Ronaldo Rosa) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, no final de 2025, um financiamento não reembolsável de R$ 25 milhões para apoiar pesquisas e inovações voltadas ao plantio e manejo de espécies madeireiras nativas do Brasil. Os recursos serão liberados por meio do Fundo Tecnológico do banco (Funtec) e integram um projeto nacional de incentivo à silvicultura sustentável.
O projeto será coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio operacional e administrativo da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI-UFSCar). Universidades, empresas e centros de pesquisa poderão se associar para executar as atividades.
Um evento de divulgação pública do projeto será realizado no dia 17 de março, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, reunindo representantes de quase 70 instituições, entre órgãos governamentais, empresas, universidades e organizações não governamentais.
Durante o encontro serão apresentadas as principais linhas de ação, as 30 espécies prioritárias dos biomas Amazônia e Mata Atlântica, os protocolos de pesquisa e os resultados esperados. Também serão explicadas as formas de participação para universidades, empresas e centros de pesquisa interessados.
O projeto representa a primeira fase do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN), lançado em 2021 pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Essa etapa inicial terá duração de cinco anos.
As pesquisas envolverão nove áreas do conhecimento, incluindo produção de sementes e mudas, melhoramento genético, propagação vegetativa, manejo florestal, tecnologia da madeira, zoneamento topoclimático, políticas públicas, legislação e desenvolvimento de mercados e serviços ambientais. As atividades serão executadas por meio de subprojetos desenvolvidos por instituições de pesquisa, com participação de empresas privadas que poderão oferecer contrapartidas financeiras e técnicas.
Além dos recursos do BNDES, o projeto também receberá investimentos adicionais do Bezos Earth Fund, por meio do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). Ao longo da execução, outras empresas, fundos e agências de fomento poderão aderir à iniciativa.
Potencial econômico e ambiental
As madeiras de espécies nativas brasileiras estão entre as mais valorizadas do mundo, mas atualmente a maior parte da produção ainda vem da exploração de florestas primárias. O cultivo planejado dessas espécies ainda é pouco desenvolvido, apesar do grande potencial econômico e ambiental.
Especialistas apontam que parte dos cerca de 50 milhões de hectares de pastagens degradadas existentes no Brasil poderia ser utilizada para o plantio de árvores nativas como cumaru, andiroba, ipê, araucária, castanheira, jequitibá-rosa, angelim e jacarandá.
A expansão da silvicultura de espécies nativas também pode contribuir para a conservação da biodiversidade, o sequestro de carbono e a geração de empregos verdes, além de fortalecer a bioeconomia brasileira.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o país tem potencial para liderar uma economia florestal baseada em ciência e inovação. Ele destacou que, desde 2023, o banco já mobilizou cerca de R$ 7 bilhões para ações de conservação, recuperação e manejo de florestas no país.
Informações da assessoria de imprensa





