domingo, 23 de janeiro de 2022
Sangue novo em São Carlos

“Voleibol não tem empate e eu não gosto de perder”, diz Milton Serra

Novo técnico assumiu o Agee/Atacadão no dia 3 e foi enfático. “Se eu não acreditasse no potencial da equipe teria ficado em casa. Sou movido a desafios”

13 Jan 2022 - 08h11Por Marcos Escrivani
Milton Serra durante os treinos: técnico comanda atividades de olho na Superliga B. “O grupo, a equipe, como um todo e em conjunto acredita na classificação” - Crédito: Ze_FotographyMilton Serra durante os treinos: técnico comanda atividades de olho na Superliga B. “O grupo, a equipe, como um todo e em conjunto acredita na classificação” - Crédito: Ze_Fotography

A equipe de vôlei feminino Agee/Atacadão São Carlos tem um novo comandante. Milton Serra da Fonseca Júnior. Ele irá comandar a equipe na Superliga B, que começa na última semana de janeiro. Ele assumiu o time no dia 3 de janeiro em substituição a Sandra Mara Leão, que foi desligada da equipe no dia 22 de dezembro.

Experiente, Milton Serra dirigiu por diversas vezes seleções universitárias e seleções paulistas em campeonatos brasileiros e já diversas equipes, como Palmeiras, União Suzano, Paulistano e São Caetano (entre outras).

Inicialmente Milton Serra irá trabalhar no comando do time são-carlense por quatro meses e animado, vê com bons olhos a oportunidade oferecida pelo supervisor Dudão, que iniciou um projeto e destina esforços para que ocorra gradativamente, a sua estruturação.

FORÇA, FOCO E MUITO TRABALHO

Com frases marcantes, Milton Serra disse que veio para São Carlos com metas ambiciosas. “Se eu não acreditasse no potencial da equipe teria ficado em casa. Sou movido a desafios”, disse em entrevista ao São Carlos Agora ao se referir as possibilidades da equipe buscar a classificação para a Superliga A. “Voleibol não tem empate e eu não gosto de perder”, emendou, ao dizer sobre os adversários que terá pela frente na competição que terá dez equipes e apenas duas sobem de divisão.

Abaixo, a entrevista feita com o novo técnico do time são-carlense:

A ENTREVISTA

São Carlos Agora - A equipe é uma das caçulas na Superliga B. Como você define este fato? Qual a importância para a modalidade?

Milton Serra - O advento das Superligas C e B reestruturaram de certa maneira o cenário do voleibol nacional. Na minha opinião, todas as equipes trilham caminhos parecidos ao que a equipe de São Carlos está trilhando, pois, antigamente o acesso à Superliga A era feito mediante convite, o que significava que bastava ter aporte financeiro. Hoje não, as equipes tem que se estruturar e dar os passos do tamanho da perna, crescer dentro e fora de quadra, uma vez que o acesso se consegue dentro de quadra e a confirmação depende de crescimento na estrutura e nos investimentos. Penso ser esta a maneira correta de se desenvolver projetos esportivos.

SCA - Assumindo a equipe no mês em que ela irá estrear em uma competição da elite nacional, qual é o trabalho do técnico?

Serra - Uma temporada normal, permite um trabalho de base, um alinhamento de linguagem vertical, entre comissão técnica e atletas e vice-versa. O tempo favorece este conhecimento. No nosso caso, precisamos aproveitar o trabalho que foi feito pela comissão técnica anterior, mesmo não tendo muitos detalhes do que foi feito, e adaptar uma preparação de pelo menos oito semanas de período de base e umas 3 ou 4 de período pré-competitivo em duas semanas. Na terceira semana deste ciclo já iniciaremos a competição. Obviamente o planejamento tem que ser adaptado a esta situação excepcional. Mas apostamos na colaboração de todos, atletas e comissão técnica na busca da melhor performance e dos melhores resultados, sem desculpas prévias.

SCA - Tem como, em um espaço curto de tempo, implantar o seu estilo de jogo?

Serra - A maioria das atletas eu já conhecia. Algumas que já tinham trabalhado comigo, outras como adversárias. Poucas eu não tinha informações. Neste sentido eu afirmo que sim, é possível sim tentar "implantar" minha filosofia de jogo. Mas faço a ressalva: implantar é um termo forte, parece imposição. Só teremos êxito se as atletas comprarem a ideia. É parceria!

SCA - Conhecendo agora as atletas, como irá tirar o potencial técnico de cada uma? O tempo é hábil?

Serra - Temos que administrar o grupo, pois cada atleta tem uma peculiaridade. Estamos tentando trabalhar com transparência e honestidade, seguindo o planejamento feito pela comissão técnica e adaptando e individualizando ao máximo para respeitar cada atleta e tentar potencializar a resposta de cada uma ao treinamento proposto.

SCA - Em pouco tempo de trabalho, dá para avaliar o poderio da equipe são-carlense no campeonato.

Serra - Em primeiro lugar devo dizer, que tenho grande respeito pelos adversários. Tenho mais de 40 anos à beira da quadra e das 10 equipes creio que só não conheço o técnico de uma das equipes. Todos vem com o mesmo objetivo! Nós vamos entrar para buscar uma vaga para a Superliga A. não posso prometer resultado, mas garanto que esta é a vontade de todas as atletas, de toda a comissão técnica, em respeito aos nossos apoiadores e patrocinadores, e em respeito à cidade que nos acolheu.

SCA - Dez equipes participam da competição e o Atacadão/Agee São Carlos fará nove jogos, dos quais, cinco fora. Na sua opinião isso é relevante ou “faz parte do jogo”?

Serra - A tabela segue critérios do Departamento Técnico da CBV. Não cabe a mim fazer julgamentos. Em casa ou fora, faremos sempre o nosso melhor. E claro, jogar em casa nos permite nos aproximar da torcida, dar visibilidade aos parceiros. Mas do ponto de vista do jogo, faremos o possível para que o fator casa ou fora de casa não traga influência negativa no rendimento.

SCA - Em 2022, o time são-carlense será coadjuvante na Superliga B ou pode ser um “ator principal”?

Serra - Como já comentei acima, entramos visando resultado e a classificação. Vou responder de uma maneira bem pessoal: voleibol não tem empate e eu não gosto de perder. Então, estamos trabalhando forte todos os dias para conseguirmos o melhor resultado possível, correndo atrás de chegar na final!

SCA - Na sua opinião, o time tem condições de se classificar para a semifinal e buscar o acesso a Superliga A?

Serra - Com certeza, trabalhamos para isto. Se eu não acreditasse no potencial da equipe teria ficado em casa. Sou movido a desafios, e acredito na meu trabalho e em quem trabalha comigo. O grupo, a equipe, como um todo e em conjunto acredita na classificação.

SCA - Como você vê a iniciativa de São Carlos montar uma equipe e disputar um torneio nacional?

Serra - Espetacular! São Paulo tem cidades maravilhosas e esta região é privilegiada. Espero de coração que o projeto se fortaleça, cresça em estrutura e quem sabe amplie o trabalho para as categorias formativas, dando os passos do tamanho das pernas!

SCA - Por fim, como você define o atual estágio do vôlei feminino brasileiro?

Serra - Nós temos muitas praticantes de voleibol espalhadas por todo o Brasil. Nosso país é imenso. Na verdade, vale para todos os esportes. Creio que carecemos de uma política pública que defina os rumos do esporte nacional, pois só aí seremos de fato potência olímpica. Cada modalidade vai se organizando como pode, o voleibol neste sentido tem conseguido fomentar com as federações estaduais, e a CBV e seus parceiros, campeonatos fortes nas diversas categorias. Ainda um pouco concentrados em algumas regiões do país, mas em fase de crescimento. Sem falar das ligas, que absorvem muitos praticantes Brasil afora. Temos muito que melhorar, mas estamos num patamar bastante razoável.

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