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sábado, 24 de outubro de 2020
Busca de um ideal

Um sonho e uma perspectiva de vida para garotos de origem humilde

Ex-jogador realiza projeto social e atende gratuitamente 110 jovens, mas exige comportamento exemplar na escola e na família

25 Jun 2018 - 09h06Por Marcos Escrivani
Garotos buscam o sonho de ser jogador de futebol; Tchula busca formar cidadãos e pais de família - Crédito: Marcos EscrivaniGarotos buscam o sonho de ser jogador de futebol; Tchula busca formar cidadãos e pais de família - Crédito: Marcos Escrivani

“Não quero formar apenas um jogador. Quero que seja primeiramente um cidadão honrado e honesto. Quero que seja um exemplo na escola e na família”. Com esta frase, o ex-jogador Marcos Marcel Tchula do Rio iniciou um projeto social denominado Rio Training há dois anos, onde ensina gratuitamente garotos a se tornarem jogador de futebol.

Com passagens pelo Atlético Paranaense, Operário de Ponta Grossa e Independente de Limeira, Tchula estuda educação física na Unopar (ensino à distância). É autônomo e dá aulas de segunda-feira à sexta-feira (manhã e tarde) em um campinho de futebol cedido por uma empresa metalúrgica na Avenida Morumbi (ao lado de uma linha férrea).

Aos 34 anos é casado com Andressa e tem duas filhas. Maria Duda Eduarda, com 8 anos e Rafaela, de apenas 1,6 ano.

Tchula cuida hoje de 110 adolescentes (de 12 a 17 anos). São aulas gratuitas que atende jovens de família humilde de vários bairros, como Jardim Cruzeiro do Sul, CDHU, Vila Isabel, Antenor Garcia, Cidade Aracy, São Carlos 8, Planalto Verde, Jardim Zavaglia, entre outros.

POUCO APOIO

Tchula diz ser presidente, diretor, preparador físico, técnico e muitas vezes pai dos garotos. Semanalmente tira dinheiro do bolso para dar alimentação para alguns garotos. Passa inclusive o passe de ônibus para que eles possam treinar.

“Faço isso, pois tenho pouco apoio. Alguns pais me ajudam, bem como alguns comerciantes da região. O secretário de esportes Edson Ferraz já me deu uma força alguns vezes ao ceder ônibus para transportar os garotos”, afirmou.

Com o crescimento do projeto social, não esconde que necessita de mais apoio e afirma que busca auxílio. Contudo, reconhece que é difícil encontrar solidariedade para que os jovens tenham uma oportunidade de trilhar pelo caminho da honestidade e buscar um futuro melhor.

“Há dois anos iniciei esse trabalho. Via muitos garotos abandonados, sem perspectivas. Paralelamente tinha torneios esportivos e eles não tinham chance de competir. Então montei uma equipe e deu certo. Até hoje participamos de sete competições e em todas elas chegamos a fase final. Ficamos três vezes campeões”, diz, com satisfação. A primeira equipe foi na categoria sub17.

BOM DE ESCOLA E DE FAMÍLIA

Tchula faz questão de dizer que no Rio Training não há problemas quanto a cor, raça, religião. “Recebo todos de braços abertos”. Contudo, garante ser exigente para aceitar o garoto.

“Não adianta ser bom de bola. Exijo boas notas na escola, que seja um bom aluno e que seja obediente aos pais. Que seja responsável e tenha disciplina. Se atender todos esses quesitos, irá treinar com certeza e será um jogador do projeto social”, assegurou Tchula.

O ex-jogador de futebol garantiu que se sente recompensado em poder tirar um garoto das ruas e dar a oportunidade para que ele possa ter um dia a dia mais saudável. “A ideia não é ganhar tudo, ser campeão. Um dia já fui um atleta e agora minha missão é ajudar. Não ganho nada financeiramente. Mas o contato com cada um deles não há dinheiro que pague. Quero que cada um desses meninos se torne um cidadão, tenha uma família e um bom trabalho. Caso um deles vingue e venha a ser um atleta, que retorne para a escolinha e nos ajude a formar outros cidadãos e atletas. Aqui é uma família”, assegurou.

SEQUÊNCIA

Tchula afirmou que o Rio Training irá continuar por muitos anos. “Não pretendo parar. Cresceu bastante e agora o negócio é dar sequência. Vou procurar a ajuda das autoridades para que possam me auxiliar de alguma forma a cuidar dessa garotada. Hoje procuro fazer rifas, pizzas para angariar recursos e dar uma luz para essa meninada”, finalizou.

BUSCA DO SONHO

A reportagem do São Carlos Agora foi até o campinho de futebol e conversou com dois atletas. Um deles o zagueiro canhoto Kaio Cintra, 13 anos, morador no Parque Industrial.

Iniciou em 2017 no Rio Training e afirmou se apaixonado por futebol. “Eu gosto. Quero ser jogador, mas irei estudar também. Me sinto bem aqui. Com todos meus amigos. Este projeto ajuda muitos garotos. Tiram eles das ruas. Me sinto bem aqui e o Tchula gosta das coisas certas”, disse.

João Victor Ferreira Barros, 14 anos, lateral direito reside no CDHU. Não esconde que quer ser jogador, mas sonha em se formar engenheiro.

Feliz com a oportunidade, disse que ficou feliz por ter a chance de jogar bola. “Se a gente está aqui não fica se perdendo com as drogas. Não penso nessas coisas. Penso em dar alegria para meus, jogar bola e estudar. Agradeço ao Tchula por esta chance”, finalizou Joãozinho.

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