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quarta, 20 de janeiro de 2021
Espaço aberto para a garotada

Jovens tem nova opção e aprendem boxe em projeto social

Há três meses, pelo menos 15 alunos têm a oportunidade de praticar atividade esportiva e deixam a ociosidade

23 Nov 2020 - 07h33Por Marcos Escrivani
Jovens tem nova opção e aprendem boxe em projeto social - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Com o intuito de dar uma nova oportunidade para jovens oriundos de famílias carentes, o segurança particular Henrique Pereira Arcanjo, Hooligan, 26 anos iniciou há aproximadamente um projeto social e dá aulas para 15 alunos de 8 a 16 anos no Antenor Garcia.

Praticante de muay thai, boxe e jiu-jitsu (onde é faixa azul), Henrique pratica artes marciais desde os 15 anos e como atleta já defendeu a cidade em várias competições estaduais.

Segundo ele, a meta do projeto é tirar a criança e o jovem da ociosidade, ensinar a disciplina e dar uma oportunidade para que possam sonhar um dia, em ser atleta. “Quem sabe a gente não revela um talento”, observou.

Em uma entrevista ao São Carlos Agora, Henrique detalhou o novo projeto e quais as propostas que possui a médio e longo prazo.

A ENTREVISTA

SÃO CARLOS AGORA - Porque criou o projeto social de aulas de boxe?

HENRIQUE PEREIRA ARCANJO - Criei esse projeto social para incentivar a garotada e também me faz bem em poder ensinar. Sempre quis ajudar de alguma forma.

SCA - Há quanto tempo é realizado tal atividade e em que bairro? Quantos jovens reúne? É para ambos os sexos?

HENRIQUE – Fazem três meses que criei o projeto e as aulas são três vezes por semana no Antenor Garcia. Tenho ao total 15 alunos faixa etária dos 8 aos 16 anos. É para ambos os sexos, mas tenho no momento, alunos do sexo masculino.

SCA - Qual a finalidade deste projeto social?

HENRIQUE - S finalidade é somente poder ensinar e ajudar. Dar incentivo a todos aqueles se dedicarem. Cobro isso deles constantemente

SCA - A ideia é apenas tirar os jovens da ociosidade ou proporcionar o sonho de um dia tornarem-se atletas profissionais nesta modalidade esportiva?

HENRIQUE - É sim. O ideal é dar o caminho. Eu posso ajudar por enquanto treinando e dando uma oportunidade. A questão deles quererem serem atletas no futuro, isso vem deles. O desejo de competir, de lutar e se dedicar é um caminho cheio de dificuldades. Não é para qualquer um. Por isso muitos desistem. Inclusive eu mesmo já pensei em desistir várias vezes.

SCA - Em 2021 quais as metas para os jovens que praticam o boxe em seu projeto? Irá participar de competições ou apenas treinos?

HENRIQUE - Em questão de competições ainda não está ocorrendo. Três dos meus alunos estão bem desatacados e aprendem muito rápido. São verdadeiros “prodígios”. Separo eles dos demais e dou uma atenção diferenciada no treino. Sempre oriento que, para se tornar atleta tem que treinar todos os dias, viver uma rotina de atleta, deixando muitas coisas de lado. Tenho ainda um aluno deficiente auditivo e estudei um pouco de libras para poder instruí-lo é desta forma fazer com que também aprenda a modalidade.

SCA - Você tem buscado apoio para que mais jovens pratiquem boxe em São Carlos?

HENRIQUE - Tenho buscado apoio, mas ninguém se dispôs a me ajudar. Mesmo assim não desisti da ideia de criar meu projeto com muita dificuldade. Juntei sozinho alguns recursos e consegui comprar aparatos e acessórios de treinos (tatame, sacos de pancada, manopla, luvas, bandagens, cordas, protetor bucal, etc). Mesmo assim ainda não é o bastante para a quantidade de alunos que tenho. Preciso comprar um par de capacetes (protetor de cabeça) para eles começarem a colocar em prática o que eu ensino.

SCA - Estamos em época de pandemia da Covid-19. Durante os treinos existe protocolo de segurança?

HENRIQUE - Por conta da pandemia as atividades físicas estão sendo permitidas.

SCA - Como é feito para que o Sars-CoV-2 não se propague entre os alunos?

HENRIQUE - Para que o vírus não propague, estou sempre conversando com meus alunos se alguém da família está ou já infectado pela Covid-19. Peço insistentemente para que eles usem sempre máscara ao sair de casa, passe álcool em gel quando chegar aos treinos e me informo se não estão se sentindo bem. Por exemplo, com sintomas da Covid. Não tivemos nenhum caso, mas peço sempre atenção e caso alguém tenha sintoma que seus pais procurem um médico.

SCA - Como educador você orienta eles a se prevenirem e conscientizar os familiares?

HENRIQUE - Como educador não só oriento o novo coronavírus, mas também sobre educação, responsabilidade e disciplina

SCA - Considerações finais:

HENRIQUE - Voltei a treinar recentemente depois de ter passado por muita coisa das quais me fez quase desistir. Me inspiro muito no meu mestre Anderson Machado. Tenho o maior respeito e admiração. Ele continua a me ajudar e quero poder ajudar outras pessoas. Seria gratificante se algum aluno seguir esse caminho, pois a vida é uma luta e não importa o quanto você é forte, mas sim o quanto você aguenta lutar e seguir em frente. Espero um dia ter admiração de meus alunos, servir de exemplo e ajudar de alguma forma. Desta forma, meu estará sendo alcançado. Posso dizer que, mesmo que eu tenha um aluno, vou continuar a dar minhas aulas. Meu projeto não tem nenhum fim financeiro ou lucrativo, somente poder ajudar. Minha infância não é diferente de alguns alunos me identifico. Sou mais um garoto acreditando em sonhos. Cresci em um mundo injusto e já fui muito humilhado e maltratado. Tinha tudo para ser mais um mais um “desajustado” e permaneci por muito tempo preso ao meu passado. Não acreditava que o futuro é a gente que escreve e hoje busco ser melhor e fazer o bem e que minhas ações sejam lembradas.

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