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terça, 18 de fevereiro de 2020
Dar voos altos

Com novo gestor, São Carlos promete time forte para a Série B

14 Fev 2020 - 08h01Por Marcos Escrivani
Boldrin: "Venho para fazer futebol. Colocar o São Carlos em evidência" - Crédito: Marcos EscrivaniBoldrin: "Venho para fazer futebol. Colocar o São Carlos em evidência" - Crédito: Marcos Escrivani

Após um período de inatividade no futebol profissional de aproximadamente oito meses, o São Carlos FC retorna. E com um novo gestor. Marcelo Boldrin assumiu a vice-presidência do futebol e será o comandante do clube em 2020.

Boldrin, ao lado do técnico Toninho Carlos, irá formar a equipe que irá disputar o Campeonato Paulista da Série B e a promessa é de um grupo forte e competitivo com a finalidade de tentar o acesso a Série A-3 em 2021.

Na tarde desta quinta-feira, 13, Boldrin, com exclusividade, deu uma entrevista ao portal e assumiu que será o responsável por todas as contratações.

QUEM É

Quando jogador, Boldrin foi um volante e hoje é empresário na área farmacêutica e materiais descartáveis. Trabalha com o futebol e afirmou que já revelou vários atletas.

Ele foi o responsável pela contratação de Toninho Carlos que já defendeu o Grêmio São-carlense na série A1 em 1993, sendo um dos zagueiros. Antonio Lucas, coordenador da seleção brasileira de masters será o auxiliar do técnico na equipe são-carlense.

A ENTREVISTA

Durante aproximadamente uma hora Marcelo Boldrin detalhou o que pretende fazer durante sua gestão à frente da Águia. Falou sobre a equipe de 2020, o trabalho a longo prazo com as categorias de base.

Comentou ainda sobre o retorno (e a ausência) na Copa São Paulo e o momento delicado que o clube passa, já que o empresário Julinho Bianchim tenta reaver a presidência que hoje está em poder de Carlos Antunes.

Abaixo o ping-pong

São Carlos Agora – O que te levou a comandar o São Carlos e tentar reestruturar o clube?

Marcelo Boldrin – O que me atraiu foi a parceria feita com pessoas ligadas a coordenação da seleção brasileira de masters (na pessoa do professor Antonio Lucas), na qual também faço parte (coordeno as escolas da seleção no país). Assim viemos somar na administração, através de um convite ocorrido durante uma reunião com o presidente do São Carlos, o senhor Carlos (Antunes). Assim surgiu o interesse da minha vinda por conta da seriedade das pessoas da seleção. Também pelos longos anos de trabalho juntos, através de eventos feitos em vários municípios brasileiros. Então temos uma segurança em saber que trabalhamos com pessoas sérias.

SCA – O São Carlos está na 4ª divisão do futebol paulista e o trabalho começa do zero. Qual a proposta para a temporada?

Boldrin – Estamos bastante focados na formação da equipe profissional para que possamos ter um time forte e competitivo para tentar o acesso a Série A3. Mantivemos contato com vários clubes como Joinville, Coritiba, entre outros e estamos tentando fortalecer a equipe com atletas que tenham a boa malícia do futebol e realizar uma boa temporada.

SCA – A equipe é sub23 e será comandada por Toninho Carlos. Quando é a apresentação?

Boldrin – Contratamos alguns atletas e já falamos com o Toninho. A apresentação deve ser no dia 15 ou 16 de fevereiro em São Carlos. No decorrer dos dias, chegarão outros reforços para compor o grupo.

SCA – Qual o perfil do time. É para se manter na Série B ou ter voos mais altos.

Boldrin – Vou ser bem transparente e com os pés no chão: Não vamos prometer coisas absurdas e mentirosas e iludir torcedores e a população. Vamos formar uma equipe aguerrida, forte para lutar e colocar o São Carlos em patamares melhores.

SCA – Trabalho será a longo prazo? Como fica a base?

Boldrin – Nosso cronograma de trabalho é a longo prazo. Todo o empreendedor, investidor, empresário que pensam em retorno imediato, é arriscado. Essa é a realidade. Vamos trabalhar com os pés no chão, com o profissional e a base para que possamos sair com bons resultados dentro e fora de campo nas negociações futuras que possam aparecer. Hoje (quinta, 13) recebi telefone do preparador de goleiros da Portuguesa Santista (Robson) e conversamos bastante e deve vir um atleta sub17 (Cristian, goleiro). O trabalho que fazemos com a base começa a trazer resultados. Pode ter certeza que iremos trabalhar com a base (todas as categorias). Pretendo fazer parcerias com as escolinhas de São Carlos e região e dar oportunidade para novos atletas para que possamos fomentar este trabalho. No meu modo de pensar e ver, ao dar essa chance para os jovens no futebol, também é um trabalho social na redução da criminalidade, além de evitar outros problemas pertinentes.

SCA – Desde 2005, o São Carlos participa da Copa São Paulo, exceção feita a 2020. Em 2021 retorna?

Boldrin – Essa questão de o São Carlos ter ficado fora não é culpa do presidente (Antunes) ou do Poder Público. Temos que ser realistas e verdadeiros para que a população possa ver que a frente do São Carlos hoje existe uma administração séria e verdadeira. Doa a quem doer. O que tiver que falar, vamos falar. Essa é a realidade da presença de Marcelo Boldrin a frente do São Carlos FC.

O estádio (Luisão) não estava em condições de fazer esta competição de grande porte no Estado de São Paulo e visibilidade no mundo inteiro.

Existia detalhes a serem resolvidos entre a presidência do clube ou gestão do município. Houve acordo em não participar por conta da FPF não aceitar e não ter alguns laudos vigentes. Mas de antemão agradeço nesta entrevista o prefeito (Airton Garcia) e o secretário municipal de esportes (Edson Ferraz) que foi companheiro e deu sua palavra. Disse para ficar tranquilo e que estava junto, pois estamos aqui para fazer um esporte vencedor na cidade e ver o São Carlos brilhar. A palavra que ele deu, cumpriu. Hoje está tudo certo, com os laudos dentro das normas federais, estaduais e municipais. Então só tenho a agradecer a parceria com o município.

SCA – Em 2020, teremos clássico local na Série B. Para você é rivalidade ou incentivo?

Boldrin – Estivemos com os dirigentes do Grêmio São-carlense na FPF e conversamos. Eu acho que a cidade merece mais. Empenho de nossa parte e do Grêmio. Hoje é um clássico municipal, mas a rivalidade é só dentro de campo. Fora dele é andar com as mãos dadas, vivenciando a paz e fazer a diferença no futebol de São Carlos para que a população volte ao estádio e que possamos ver crianças, idosos e mulheres. Além dos torcedores.

Um clube que não tem torcedor, é triste. Já fui jogador e olhar para a arquibancada e ver gato pingado é triste. Tem que ter paz e mostrar para a população que tem lideranças no clube e assim trazer grandes eventos para a cidade.

SCA – Hoje, o São Carlos é disputado na justiça onde há dois dirigentes lutando pela presidência. Isso atrapalha? Interfere nos trabalhos? Como você encara?

Boldrin – Vou ser bem transparente para a população. Eu acho que quando existe uma sociedade em um clube, os sócios tem que comparecer em todos os sentidos. Não só o sócio A ou o B. E se ambos querem verdadeiramente o bem para o São Carlos e para a sociedade da cidade deveriam sentar, dialogar e achar um denominador comum. Que venha somar e trazer benefícios para os jovens da cidade, para que não se envolvam com a criminalidade e assim sucessivamente, porque o futebol hoje é o maior mecanismo para que possamos tirar a criança da ociosidade e lança-la para ter um futuro brilhante.

Na minha opinião e sou sincero em falar: o presidente pode até querer me reprimir amanhã, mas não sou boneco de controle remoto, não sou manipulado. Sou uma pessoa com opinião própria e firme no que falo. Se gostou, ótimo, se não gostou, é com ele mesmo e qualquer outro.

Meu intuito aqui é fazer futebol e não estou para falar de briga, de confusão.

Na minha gestão não vai existir isso. Gostaria também de estar ouvindo e conhecendo a outra parte, o Julio (Bianchim). De repente, através de um diálogo possamos achar um denominador comum para que haja uma bandeira de paz e isso venha fazer com que possamos fazer o sabemos: um belo futebol e alavancar o nome da cidade e do clube.

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