quarta, 22 de maio de 2024
Esportes

Atleta são-carlense irá disputar campeonato alemão de vôlei

Em entrevista exclusiva ao São Carlos Agora, Bruninha Gianlorenço anuncia a novidade e fala do novo desafio

24 Jun 2015 - 07h48
Bruninha em ação. São-carlense é destaque no vôlei nacional e agora irá se transferir para solo alemão. Foto: Divulgação - Bruninha em ação. São-carlense é destaque no vôlei nacional e agora irá se transferir para solo alemão. Foto: Divulgação -

A são-carlense Bruna Lepesteur Gianlorenço acaba de concretizar mais um sonho. A jogadora de vôlei irá defender o Nawaro-Straubing, que disputa o campeonato alemão da primeira divisão. Ela fechou contrato de um ano.

Aos 26 anos de idade, será a primeira vez que Bruninha irá mostrar o seu talento fora do país. Além do torneio alemão, ela irá ter a oportunidade de disputar o campeonato europeu e caso conquiste uma vaga, a Champions League.

Bruninha tem uma carreira vitoriosa. As primeiras atividades com o vôlei aconteceu no São Carlos Clube e a partir de 2004 passou a participar de torneios oficiais e o primeiro foi o Campeonato da APV (Associação Pró-Voleibol) defendendo o Objetivo/Castelo Plaza.

 

AMOR PELO VÔLEI

Bruninha não esconde o amor pelo vôlei e escolheu a modalidade esportiva para ser o dia a dia de sua vida.

Na temporada 2014/2015 ela disputou a Superliga Feminina e defendeu o Brasília Vôlei, terminando a participação em sétimo lugar.

Em 2012/2013 representou o Barueri (Grêmio Recreativo Barueri) também na Superliga nacional e na Divisão Especial do Campeonato Paulista, como ponteira passadora e capitã do time.

Ela também passou por times como: Aprove/Chapecó de Chapecó/SC (2011), CATS (Clube Atlético Taboão da Serra) de Taboão da Serra/SP (2010), Associação Luso Brasileira de Bauru (ALBB) de Bauru/SP (2007-2009), Américo Brasiliense/SP (2006), Praia Clube de Uberlândia/MG (2005) e Objetivo/Castelo Plaza de São Carlos (2004-2005).

 

EXCLUSIVA AO SÃO CARLOS AGORA

Mostrando uma simpatia que lhe é peculiar e muita humildade, Bruninha deu uma entrevista exclusiva ao São Carlos Agora onde relata a nova oportunidade que ganha. Fala da sua história no vôlei e o que projeta para o seu futuro

 

A ENTREVISTA

São Carlos Agora - Esta é sua primeira experiência internacional?

Bruna Lepesteur Gianlorenço - Sim. Está é minha primeira experiência fora do pais

 

SCA - Como você recebeu este novo contrato? O que acrescenta em sua carreira?

Bruninha - Na verdade foi através de uma colega de ex-clube, o Brasília Vôlei. Ela jogou muitos anos na Europa e tem além de contato profissional, uma grande amizade com meu futuro técnico, o argentino Guillhermo, que provavelmente vendo alguns de nossos jogos pelo Sportv se interessou por mim, entrou em contato com ela e começamos a amadurecer a ideia de uma temporada na Europa. Acrescenta toda uma bagagem, uma experiência do voleibol moderno, aprendizados, mudança de treinos táticos e técnicos. Tudo isso só vem a somar para eu me tornar cada vez uma jogadora mais completa.

 

SCA - É mais um passo importante em sua carreira como atleta?

Bruninha - Sem dúvida nenhuma e como sabemos o Brasil vem passando por grandes dificuldades no esporte. Vamos lembrar que em todos as modalidades, conseguir se firmar e fazer uma carreira internacional tenho certeza que é o sonho de 8 entre 10 jogadoras hoje em dia.

 

SCA - O que você espera atuando no vôlei alemão?

Bruninha - Espero como disse anteriormente me tornar uma jogadora mais completa, mais experiente, saber lidar exatamente da melhor maneira possível com cada situação de jogo apresentada. E sabemos o quanto o esporte é valorizado e bem cuidado pelos alemães, o quão na crescente o esporte está lá (sem piadas com o 7 a 1 no futebol - risos). Mas isso tudo é fruto do trabalho de anos, de investimento em categorias de base, de saber investir o que se precisa e em que.

 

SCA - Quando você era adolescente, você acreditava que poderia chegar tão longe como atleta profissional? Porquê?

Bruninha - Acreditar eu acreditava, sempre acreditei, amigos me dizem até hoje que eu me "acho" (risos). Mas o fato não é esse, eu só sei exatamente do que sou capaz, das forças que tenho para buscar meus sonhos e de tudo que abri mão para estar hoje onde estou.

 

SCA - Você acredita que conquistou tudo como atleta? Falta algo? O que?

Bruninha - Nunca estamos satisfeitos né (risos). Acredito ter conquistado tudo que me propus a conquistar, mas quando desafios novos como esse surge, você cria novos sonhos, novas metas e isso tudo é um círculo que você alimenta e graças a Deus não tem fim.

 

SCA - A quem você credita o seu sucesso no mundo do vôlei?

Bruninha - Primeiramente a Deus, que me deu e da forças e bênçãos todo o tempo. Minha família, meu pai e minha irmã que são a minha vida. Meus maiores diamantes, valores, espelhos e devo tudo que tenho e sou hoje a eles, que nunca me disseram: "para Bruna, o vôlei não vai te levar a lugar algum". Sempre foram meus maiores encorajadores, meus alicerces. Minha mãe que sempre quando precisei, esteve ao meu lado, longe ou perto, me dando forças, lutando por mim. E por fim ao meu grande segundo pai. Eu o chamo assim de pai e ele de filha, Adroaldo Souza, meu eterno técnico, que me lapidou por incríveis três temporadas. Estando juntos, ali nas quadras todos os dias, fora isso seis anos de muita cumplicidade, amizade, carinho e respeito mútuo. Um grande profissional que me fez ser muito do que sou hoje, como atleta e como mulher. Ele foi um presente divino, sonho em trabalharmos juntos novamente!

 

SCA - Você é uma atacante e pelos parâmetros do vôlei atual, não tem a estatura ideal. Mesmo assim venceu no vôlei. Porquê você conseguiu tal sucesso?

Bruninha - Porque eu me acho como dizem as pessoas que realmente me conhecem (risos - estou brincando). Porque Deus me deu o dom de jogar, de amar isso que faço e porque para mim tudo que é fácil é sem graça. Eu sempre soube de todos os desafios, de como seria difícil, não de atacar. E passar pelo bloqueio de uma Fabizona e Sheilla juntas, mas o desafio do preconceito pela estatura, das injustiças, de não ter as costas quentes como dizem né. Tudo isso para mim era e é combustível para minha fé e para meu trabalho. Queria ser reconhecida pelo meu talento, não por outra razão, seja ela qual fosse!

 

SCA - Sonha com seleção brasileira? Porquê?

Bruninha - Sonhar todo mundo sonha com isso sim, infelizmente um sonho distante. Mas nossa seleção está muito bem servida de jogadoras sensacionais que tive prazer de estar junto em uma quadra, do mesmo lado ou não.

 

SCA - Que conselho você deixa para as meninas de São Carlos que estão começando no vôlei?

Bruninha - Sejam sempre honestas com vocês mesmas, tenham muita fé, sigam seus princípios, trabalhem e lutem duramente todos os dias, porque é um mundo difícil e cruel. "Nunca deixem que lhe digam que não vale a pena acreditar nos sonhos que se tem, e que seus planos nunca vão dar certo, e que você nunca vai ser alguém". A letra de uma música do Renato Russo que me inspira. Levem suas famílias ao topo de suas vidas, sempre, em momentos bons ou ruins eles são o alicerce que nunca irá desmoronar e sempre estarão ao teu lado. Sempre.

 

SCA - Hoje em São Carlos falta apoio ao esporte por parte do Poder Público? Porquê?

Bruninha  - Eu estou fora de São Carlos há 10 anos mais ou menos,  e infelizmente não consigo acompanhar muito de perto, mas é um fato nacional esse né. Descaso do Poder Público parece ser um vírus que se alastra rapidamente por todos os cantos, esportes e cidades. É uma pena, grande pena. Na minha época ainda havia um pouco de cuidado e investimento com categorias de base e lazer em geral, hoje em dia, acredito ser ainda mais difícil formar um atleta e dar a ele condições de fazê-lo evoluir e de sonhar com uma olimpíada talvez.

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