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Professores brasileiros abraçam a IA: oportunidade educativa ou ameaça à segurança?

03 Jun 2024 - 10h13Por Akshay Shil
Professores brasileiros abraçam a IA: oportunidade educativa ou ameaça à segurança? -

A adoção da inteligência artificial (IA) como ferramenta educacional tem ganhado cada vez mais apoio entre os professores brasileiros. De acordo com uma pesquisa recente do Instituto Semesp, três em cada quatro professores no Brasil defendem o uso da IA no ensino de alguma maneira, reconhecendo tanto os benefícios quanto os desafios que essa tecnologia traz para o ambiente escolar. O acesso mais rápido e eficiente à informação é um dos aspectos positivos citados no estudo.

Por outro lado, os educadores também expressam preocupações com essa tecnologia disruptiva, especialmente por conta de sua capacidade de gerar perda de foco nos alunos. A falta de estrutura digital das escolas surge como outro problema apontado pelos docentes.

Entretanto, outro fator menos lembrado, mas não menos importante nessa implementação são os riscos à segurança cibernética e à privacidade de dados, que não devem ser menosprezados.

Benefícios da IA na educação

Os defensores da IA na educação argumentam em favor do potencial dessa tecnologia para transformar a forma como o conhecimento é transmitido e absorvido pelos estudantes. Um dos principais benefícios é a personalização do aprendizado. Ferramentas de IA podem adaptar os conteúdos e métodos de ensino às necessidades individuais de cada aluno, promovendo uma experiência educacional mais eficaz e envolvente, de um modo que seria inviável sem essa tecnologia.

Além disso, a IA facilita o acesso a uma vasta quantidade de informações em um curto espaço de tempo. Ela tende a tornar o processo de pesquisa mais eficiente, e também permite que os professores dediquem mais tempo à orientação e ao apoio individualizado aos alunos.

Desafios da IA na educação

Apesar das vantagens citadas, a integração da IA no ambiente educacional também tem muitos desafios. Além da propensão a distrair os alunos, com abundância de informações e estímulos, essa tecnologia também requer que osprofessores façam adaptações relevantes à dinâmica de ensino.

Mais do que um treinamento específico, os modelos de IA exigem uma profunda imersão para que seu uso seja feito da maneira ideal e  para que a adaptação à rotina pedagógica aconteça de maneira eficaz. Os chatbots capazes de realizar tarefas complexas às vezes “alucinam” e geram interações indevidas e o mundo inteiro ainda está aprendendo a lidar com eles de modo apropriado, tendo em vista que evoluíram e seguem evoluindo de modo acelerado em pouco mais de um ano de existência.

Enfim, a coleta e o processamento de grandes volumes de dados pessoais e educacionais também demandam cuidado. A maioria das IAs é mantida por empresas cujo modelo de negócio consiste, de certa forma, na comercialização de dados pessoais. As políticas de privacidade delas nem sempre são transparentes sobre como essas informações são protegidas contra acessos não autorizados e possíveis violações – algo particularmente sensível nos casos da interação com menores de idade.

Aqui, a questão do "meu IP" se torna relevante, pois endereços de IP podem ser utilizados para rastrear e monitorar atividades online, colocando em risco dados sensíveis dos alunos e professores.

Cibersegurança e privacidade de dados

A segurança cibernética merece atenção especial na implementação de tecnologias de IA na educação. De acordo com o National Cyber Security Centre (NCSC) do Reino Unido, a utilização de IA pode aumentar as possibilidades de ataque a organizações, tornando as instituições educacionais alvos atraentes para cibercriminosos.

A proteção contra essas ameaças exige uma abordagem multifacetada que inclua a educação sobre boas práticas de segurança digital, a implementação de sistemas de segurança robustos e o uso de ferramentas de proteção de dados. Levando em consideração a precariedade da estrutura pedagógica relatada por professores brasileiros no estudo do Semesp, esse planejamento estratégico parece ainda mais distante da realidade (e necessário) no país.

Medidas de segurança que devem ser tomadas

Uma medida eficaz para proteger a privacidade de dados e aumentar a segurança online é o uso de uma Rede Privada Virtual (VPN). As VPNs criptografam a conexão à internet, dificultando que terceiros interceptem e acessem os dados que são transmitidos online.

Essa tecnologia também oculta o endereço de IP, o que ajuda a proteger a identidade dos usuários e a evitar um rastreamento indesejado. Para professores e alunos que utilizam IA e outras ferramentas digitais no ambiente escolar, o uso de uma VPN pode ser uma camada adicional de segurança. Somada a outras medidas importantes, essa prática pode garantir que informações pessoais e educacionais permaneçam protegidas.

Conclusão

Não podemos negar que os modelos avançados de inteligência artificial podem personalizar o aprendizado e trazer inovação para a maneira como a matéria é ensinada aos alunos, algo que seria praticamente impossível sem ela. Nesse sentido, podemos dizer que a IA  veio para ficar na área pedagógica e em muitas outras áreas.

Mas é essencial não perder de vista os riscos que ela traz em seu uso diário. Além de poder estimular a falta de disciplina e ser mal usada por professores e alunos inexperientes, a IA também traz uma preocupação estrutural muito delicada, que são os riscos à segurança digital e à privacidade dos dados.

Embora medidas de segurança, como o uso de VPNs, antivírus e boas práticas cotidianas ajudem a reduzir esses riscos, a tecnologia e seus limites devem ser delimitados por políticas públicas sérias. Como a regulação e o debate parlamentar andam a passos muito mais lentos que o avanço digital, momentaneamente cabe aos professores, instituições e pais arcarem com os ônus e bônus dessa novidade revolucionária.

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