paciente - A Doença de Parkinson, condição neurológica degenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Um estudo recente publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta que o número de pessoas vivendo com a doença pode mais que dobrar até 2050, alcançando 25,2 milhões de casos. Mesmo sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer, o Parkinson ainda é cercado de dúvidas, especialmente em relação às possibilidades de tratamento.
Inicialmente, a abordagem mais comum é baseada em medicamentos, sendo a cirurgia uma alternativa em momentos específicos da evolução da doença. “A cirurgia na Doença de Parkinson nunca é o primeiro e nem o último recurso. Em linhas gerais, ela deve ser considerada quando o remédio ainda funciona, mas já não consegue controlar bem o dia a dia do paciente”, explica Dr. Normando Guedes, médico neurocirurgião e professor na pós-graduação da Afya Goiânia e da Afya Brasília.
Nessas situações, sinais como flutuações motoras importantes, quando há oscilações na resposta aos medicamentos ao longo do dia; tremores incapacitantes que não respondem adequadamente ao tratamento clínico e a presença de discinesias (movimentos involuntários provocados pela própria medicação) podem indicar a necessidade de avaliação cirúrgica. “Pacientes que apresentam grandes variações no controle dos sintomas ou efeitos colaterais relevantes do tratamento medicamentoso podem ser candidatos à cirurgia”, destaca o especialista.
Entre os procedimentos disponíveis, a estimulação cerebral profunda (DBS) é uma das principais opções, atuando diretamente em áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. A indicação, no entanto, é sempre individualizada. “Os melhores candidatos são aqueles que ainda respondem à levodopa (medicamento usado no tratamento da doença que se transforma em dopamina no cérebro, ajudando a reduzir tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.),mas já enfrentam dificuldades no controle dos sintomas ao longo do dia. Avaliamos fatores como idade, tempo de evolução da doença, presença de comorbidades e o perfil dos sintomas predominantes”, afirma Dr. Normando.
De modo geral, pacientes mais jovens, sem comprometimento cognitivo significativo e com predominância de sintomas motores tendem a apresentar melhores resultados. Por outro lado, a presença de demência ou doenças clínicas graves pode limitar a indicação cirúrgica. “Um dos maiores erros é acreditar que a cirurgia é um último recurso. Na verdade, ela tem indicações precisas e uma janela de tempo ideal para ser considerada”, reforça o médico da Afya..
Embora não seja curativa, a cirurgia pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida, reduzindo tremores, rigidez e a dependência de medicamentos. Por isso, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é essencial para identificar o momento adequado de indicar o procedimento e garantir ao paciente acesso a todas as opções terapêuticas ao longo da evolução da doença.





