O empresário José Roberto Messali: "Acho que não podemos nem mais justificar a procura pelo bacalhau apenas por tradição. Parece que existe uma verdadeira superstição em torno desse peixe, que o torna quase obrigatório na mesa do brasileiro na Sexta-feira - Crédito: DivulgaçãoMesmo com o preço do quilo do bacalhau custando R$ 200 nesta Semana Santa, as vendas aumentaram 25%. Quem garante isso é o empresário José Roberto Messali, dono da Peixaria Central, localizada na região central de São Carlos. Ele espera fechar a Quaresma com a venda de uma tonelada de bacalhau, sendo que entre 400 e 500 quilos serão comercializados somente esta semana.
“As vendas do bacalhau aumentaram 25%, apesar de os preços terem subido cerca de 20%. A merluza manteve o preço do ano passado, o pescado subiu 5% e a tilápia subiu 20%. Mas é um peixe que as pessoas estão deixando de lado, optando pelo mais barato”, explica Messali.
O empresário afirma que a venda do bacalhau, mesmo com o preço elevado, só se explica pela “superstição”. “Acho que não podemos nem mais justificar a procura pelo bacalhau apenas por tradição. Parece que existe uma verdadeira superstição em torno desse peixe, que o torna quase obrigatório na mesa do brasileiro na Sexta-feira Santa. É algo absurdo”, destaca ele.
O bacalhau é tradição em muitas famílias na Sexta-feira Santa, especialmente para a preparação da bacalhoada. Existem vários tipos de peixes chamados de bacalhau, sendo o mais famoso o bacalhau da Noruega, também conhecido como bacalhau do Porto, pescado na Noruega, mas difundido pelos portugueses.
VENDAS COM PREÇOS MAIS ALTOS
O economista Sérgio Perussi afirma que é esperado um aumento nas vendas em relação ao ano passado, pois em 2025 houve uma elevação significativa no preço do bacalhau devido à diminuição da oferta e estoques baixos. “Este ano a oferta aumentou, o que normalmente implicaria em redução de preços. Entretanto, o preço também subiu. Pela lógica, as vendas deveriam estar baixas, e não crescendo”, comenta.
Segundo Perussi, talvez os consumidores estejam comprando mais “lascas” de bacalhau em vez do lombo, ou tenham se acostumado com o preço alto e voltado a consumir, já que no ano passado, diante do choque de preço, evitaram esse peixe tradicional da época. “Seriam necessários mais dados qualitativos para uma análise mais precisa. Também existe o peixe ‘tipo bacalhau’, que tem preço mais baixo. Talvez se considere que o bacalhau ‘verdadeiro’ esteja mais caro, mas os peixes ‘tipo bacalhau’ com preços mais acessíveis incentivem a compra”, explica.
O economista acrescenta que porções menores, geralmente em lascas, permitem que mais consumidores comprem, aumentando as vendas totais em relação ao ano passado, quando a oferta era menor. “É preciso considerar também o efeito psicológico de se acostumar com o preço alto e voltar a comprar por desejo e tradição”, conclui.





