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quarta, 20 de outubro de 2021
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Surto Psicótico

22 Jul 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Surto Psicótico -

A palavra “surto” é popularmente utilizada para descrever mudanças de comportamento inesperadas ou desproporcionais diante de um acontecimento do dia a dia. Porém, diferentemente do que acontece em situações cotidianas específicas, como um acesso de raiva passageiro em meio a uma briga, por exemplo, o surto psicótico normalmente ocorre sem aviso, sendo acompanhado por sintomas psicóticos ou psicose.

 Esses sintomas podem ser definidos como “fenômenos sensoriais (envolvem os cinco sentidos) ou conteúdos de pensamento que fogem da realidade.

Há diversos fatores que podem levar a um surto psicótico, entre eles as condições mentais ou psicológicas do indivíduo, problemas médicos e consumo excessivo de álcool e de outras drogas. A descompensação de quadros de esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e depressão grave, são algumas das causas que cursam com sintomatologia psicótica. Ou seja, a psicose é um dos indícios de algumas das formas mais graves de transtorno mental, e pode se manifestar repentinamente.

Doenças hepáticas, problemas na tireoide, acidentes vasculares cerebrais (AVC), lúpus, sífilis, AIDS ou mesmo infecções simples podem causar esse tipo de sintoma, dependendo da condição clínica geral do paciente. Não é raro em idosos, por exemplo, a primeira manifestação de um quadro infeccioso se dar por sintomatologia psicótica e alteração de comportamento. No entanto, nesses casos, o tratamento da causa elimina o sintoma psicótico.

O abuso ou a abstinência de substâncias estão entre as principais causas do surto psicótico, pois todas as drogas, principalmente as ilícitas, têm potencial de alterar o funcionamento do sistema nervoso central, seja de forma temporária, seja prolongada. Isso significa que os usuários podem sofrer com problemas físicos e mentais que envolvem, principalmente, mudanças nas suas percepções, sentimentos e pensamentos.

Outros fatores mais raros que podem estar relacionados ao surto psicótico são efeitos adversos a medicamentos, lesões cerebrais, estresse psicológico severo, experiências traumáticas, privação de sono prolongada, desequilíbrio hormonal e procedimentos pós-cirúrgicos.

Sintomas:

Os principais sintomas do surto psicótico são alterações comportamentais agudas, causadas principalmente por delírios ou alucinações. As pessoas em surto psicótico costumam perder o contato com a realidade e reagem de maneira muito diferente do habitual.

As alucinações caracterizam-se por “fenômenos de senso percepção, ou seja, ouvir vozes, ver pessoas ou objetos que não existem”. Já os delírios são “ideias não reais, não compartilhadas pelos seus próximos e que não cedem com nenhum tipo de argumentação lógica. Por exemplo, ter a certeza que está sendo perseguido ou observado por câmeras”.

Outros sintomas comuns do surto psicótico são: confusão mental, ansiedade, agressividade, dificuldade de comunicação, isolamento social, perda da noção de tempo e espaço, comportamento catatônico — ficar parado sem qualquer reação — e rápidas oscilações de emoções e de humor, como medo, euforia, pânico e raiva.

Uma das formas de prevenir um surto psicótico é evitar o uso de drogas como maconha, cocaína e alucinógenos, pois essas substâncias agem diretamente no sistema nervoso central, alterando funções importantes em todo o organismo. 

As demais causas são imprevisíveis. Apenas alguns indícios podem ser detectados, como queda no rendimento escolar, no trabalho ou em outras atividades do dia a dia. Por isso, é preciso ficar atento aos pequenos sinais e buscar a orientação de profissionais especializados. Qualquer tipo de alteração comportamental é suficiente para justificar uma avaliação médica. 

Como agir diante de uma pessoa em surto?

A melhor maneira de ajudar uma pessoa em surto psicótico é manter a calma e tentar entender a situação o mais rápido possível. Buscar informações sobre os sintomas apresentados pelo indivíduo pode evitar consequências graves, tanto para a pessoa afetada quanto para quem está em volta.

Tente levar o indivíduo para um lugar tranquilo e isolado, sem insistir caso haja resistência. Evite confrontar ou discutir se a pessoa estiver tendo comportamentos agressivos, pois isso pode gerar mais estresse e piorar a situação. Também retire do caminho objetos que possam ser perigosos em caso de descontrole, como facas e peças pontiagudas.

Mesmo que seja um familiar, evite apelar para o sentimentalismo ou resolver tudo por conta própria, pois a pessoa provavelmente estará agindo de forma irracional e sem conectar o que está acontecendo com a realidade. O mais indicado é acionar imediatamente um serviço profissional, como o SAMU, corpo de bombeiros, serviço especializado de remoção ou clínica especializada para prestar socorro e auxílio.

Tratamento:

O tratamento para psicose deve ser indicado após um diagnóstico minucioso, realizado por especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Uma avaliação médica completa e detalhada oferece subsídios para a escolha das melhores técnicas utilizadas no atendimento às necessidades específicas de cada paciente.

Entre os principais tratamentos para sintomas psicóticos, estão os medicamentosos e os psicoterapêuticos. Eles podem ser realizados de forma isolada ou em conjunto, dependendo das causas do problema e do estágio em que a pessoa se encontra.

Qualquer procedimento deve ser realizado com a prescrição e o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais capacitados e preparados para esse tipo de intercorrência.

Em casos de consumo abusivo de substâncias psicoativas, os sintomas podem passar após o término dos efeitos da substância. Porém, se isso não ocorrer, serão necessárias outras medidas além da simples desintoxicação para tratar o surto psicótico, como o uso de medicamentos, acompanhamento psicológico e até mesmo internação.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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