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sábado, 25 de maio de 2019
Direito Sistêmico

Os desafios do Direito Sistêmico

17 Mai 2019 - 06h50Por (*) Dra. Rafaela Cadeu de Souza
Os desafios do Direito Sistêmico -

Por ser ainda uma área extremamente nova, mas com uma aplicação efetiva em mais de 16 (dezesseis) Estados Brasileiros, com projetos nos Fóruns Judiciais que conferem e validam a importância desse novo ramo do Direito, primeiramente, porque o mesmo nasceu por meio da imensa coragem de um Juiz de Direito, Dr. Sami Storch, que aplicou em sua Vara Judicial no Município de Itabuna, BA, e é responsável pela criação do termo “Direito Sistêmico”.

Causa às vezes um pouco de estranheza e até mesmo aos envolvidos com a área Jurídica não compreendem exatamente o que esse Direito Sistêmico é ou faz, podendo parecer algo como modismo ou até mesmo ser confundido com questões religiosas, que nada tem haver, senão o Judiciário não teria sido o primeiro adotar no Brasil.

No blog do referido Dr. Sami Storch: https://direitosistemico.wordpress.com/2019/05/11/temas-essenciais-do-direito-sistemico-relato-do-iii-congresso-nacional-de-direito-sistemico-por-mayte-rodrigues-valls/, o mesmo nos trouxe informações importantes, sobre o não é Direito Sistêmico, fruto do “III Confgresso Nacional de Direito Sistêmico, ressalto abaixo alguns, pois a lista é imensa:

  • Direito Sistêmico não é uma técnica. Traz muito mais. É uma visão das relações humanas e de como se pode buscar a pacificá-las, que evita litígios e traz paz social;
  • A Constelação Familiar não é uma ‘’ferramenta’’ do profissional sistêmico. Se nós a vemos assim, nos sentiremos superiores a ela e estaremos sendo desrespeitosos com o campo de conhecimento que a constelação nos permite acessar;
  • Direito Sistêmico não é apenas Constelação Familiar;
  • Um jurista sistêmico pode obter grandes resultados também com:
  • Sua atitude interna (ou Postura Sistêmica graças a manter-se em seu centro, ver o conflito sem julgar, observar o fenômeno, sentir o campo, respeitar os limites das partes, estar em paz, estar a serviço, e exercer a humildade);
  • O olhar para o cliente e para o sistema do qual faz parte;
  • O conhecimento do pensamento hellingeriano: Ordens do Amor;
  • O respeito às Ordens da Ajuda, que deverá ser sopesado em função do papel profissional que exerça: juiz, advogado, mediador, servidor, etc…mas que devem sempre ser respeitadas;
  • Um jurista sistêmico precisa agir em ‘’má consciência’’ para ir além do paradigma acadêmico em que se formou e abrir-se a este movimento;
  • O direito sistêmico ‘’enlaça’’ a todos os que se aproximam dele porque vai direto a nosso coração. É o direito sistêmico quem nos escolhe e não o contrário (ainda que ao ouvir falar dele, a primeira tentação seja ‘’usar’’ o Direito Sistêmico);
  • Direito Sistêmico é uma postura de servir. De levar algo adiante.
  • E assim é, porque o êxito do Direito Sistêmico parte de um pressuposto: o jurista sistêmico tem que ‘’olhar-se’’. Buscar o AUTOCONHECIMENTO. E não todos os interessados vão querer fazê-lo. Se dizem ‘’Sim’’, seu crescimento humano será enorme. Se dizem ‘’Não’’, também está perfeito. Mas esse pressuposto que é imprescindível, também é doloroso e nos coloca diante de partes de nós mesmos e de nosso clã que ignorávamos. Mas só assim, poderemos olhar os casos dos quais nos ocupamos sem projetar nossas próprias carências e pontos cegos familiares. Por tanto, primeiro é necessário trabalhar em si mesmos e olhar para a própria família, a própria cultura, o próprio destino, a própria profissão e dizer “Sim’’ a tudo como foi.

 

Dessa forma, podemos verificar que ele deve ser algo natural, que nasce de um anseio do próprio profissional jurídico em atuar de forma diferente, mas para isso precisará se aprimorar em todos os campos de sua vida, principalmente a pessoal, pois para aprendermos e depois ajudarmos, precisamos preliminarmente atravessar as nossas dificuldades internas e de  todo o sistema familiar que nos foi conferido pela vida, e com isso, estaremos aptos à todas essas informações e vocabulários, que somente vemos no Direito Sistêmico, como Ordens do Amor, Leis Sistêmicas, Campos Mórficos, entre outros, que são ensinamentos que foram desenvolvidos pelo alemão Bert Hellinger, é que é grande responsável, pela existência das Constelações Familiares.

A abertura ao novo, ao recebimento sem julgamentos prévios e principalmente ao teste do “sentir” na própria vida, pode ser a melhor forma de conhecer um pouco do Direito Sistêmico e sua grandiosidade, e talvez seja o grande desafio do mesmo, que pode transformar as vidas dos que se abrem ao seu recebimento como uma grande dádiva, pois é algo inovador, mas também tão simples e acolhedor, que recebe a todos e inclui de acordo com que realmente somos na essência, principalmente aqueles profissionais que estavam até desistindo do Direito, estão retornando por meio desse direito.

A Justiça também o acolheu e isso já é um enorme passo em direção à sua consolidação, podendo ser matéria de ensino nas cadeiras das faculdades de Direito, pois existem cursos de Pós Graduação em Direito Sistêmico, e seu grande  próximo passo e desafio é o reconhecimento como ramo assim como os demais, como o Civil, Penal, Ambiental, entre outros pela legislação, já existindo projeto de lei em andamento no Congresso Nacional, mas não é uma preocupação, pois tudo acontece no momento certo e devido. Gratidão!!!.

(*) A autora é advogada sistêmica, Presidente da Comissão de Direito Sistêmico e da OAB Concilia de São Carlos-SP, formada pela primeira Turma do Curso de Gestão da Advocacia Sistêmica de São Paulo/SP. 

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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