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quinta, 15 de abril de 2021
Direito Sistêmico

O Direito Sistêmico somente promove paz?

29 Mar 2019 - 06h50Por (*) Dra. Rafaela C. de Souza
O Direito Sistêmico somente promove paz? -

Como é um ramo do Direito muito novo e que às vezes, somente lendo os livros ou doutrinas acerca do assunto ficamos tentando imaginar o que realmente significa esse Direito, e podemos até confundi-lo com religião, psicologia, ou qualquer outra forma, mas sempre digo que a melhor forma de realmente entender, é a partir do sentir. Realmente quem alguma vez já se beneficiou das constelações familiares e sentiu os efeitos e a grandiosidade desta técnica na própria vida poderá entender do que escrevo ou falo acerca do Direito Sistêmico, mas quando somos ainda iniciantes num determinado assunto, e não tivemos essa oportunidade de “vivenciar”, a mente tenta de todas as formas fazer acreditar que se trata de algo somente para acordos ou conciliações em prol da Paz.

Até parece estranho falar ou escrever sobre “paz” no Direito, posto que a maioria dos profissionais foram preparados para o embate ou para o conflito. Mas muitos advogados sentiam-se desanimados também com o conflito, com os processos que nunca acabavam com a desnecessidade de inúmeros recursos protelatórios e sim procuravam uma forma de exercer advocacia, de uma forma dinâmica e realmente efetiva que trouxesse a Justiça ou a tão almejada “Paz”.

Pois bem, graças ao filosofo e teólogo alemão Bert Hellinger e a um Juiz de Direito, Dr. Sami Storch, obtivemos a oportunidade de vivenciar um novo olhar para o conflito, e de realmente verificarmos onde temos a nossa força como profissionais do Direito. Muitos estão retornando advogar em busca desse novo olhar, estão sentindo uma nova possibilidade de atuação, que realmente está em conformidade com o que sentem e que procuram, ou seja, a promoção de uma cultura de Paz, e isso não significa que o mercado jurídico deixará de existir ou não será mais bem remunerado, pois quem decide o caminho que deve percorrer são as partes, ou seja, um processo judicial tem todos os benefícios e malefícios assim como o extrajudicial, mas precisa estar em consonância com que as partes procuram, assim sempre haverá o conflito, e também aqueles que optam pelo acordo, mas está tudo certo, é assim. Somente ao longo desses últimos anos, foram se criando “sistema multiportas” no Judiciário, sendo que todas as possibilidades estão disponíveis para escolha, de qual seja a melhor para aquele caso e para os envolvidos.

Assim, o Direito Sistêmico pode ser aplicado em qualquer área e em qualquer fase do processo, e isso não significa que ele promova a paz, pode ser que somente facilite o tramitar desse processo, e com isso, a solução apareça e se concretize.

Quando nos abrimos para o novo verificamos que antes imaginávamos algo que nada tinha haver, e às vezes, pelas próprias limitações, deixamos de conhecer ferramentas que podem proporcionar uma vida até mais saudável e próspera, considerando ser muito estressante o exercício da advocacia. Além de trazer um novo olhar para as questões judiciais ou extrajudiciais, o Direito Sistêmico nos traz essa possibilidade para as nossas vidas enquanto profissionais e passamos a realmente decidir como queremos ser e sentir essa linda profissão enquanto estivermos sendo “advogados” ou em outras áreas correlatas. Que a promoção da Paz seja realmente alcançada pode ser até mesmo ser um princípio desse Direito, mas acima de tudo, é um dever a ser buscado por todos que atuam nessa área.

(*) A autora é advogada sistêmica, Presidente da Comissão de Direito Sistêmico e da OAB Concilia de São Carlos-SP, formada pela primeira Turma do Curso de Gestão da Advocacia Sistêmica de São Paulo/SP.  

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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