terça, 05 de julho de 2022
Artigo Rui Sintra

Não conte com o Consulado-Geral de Portugal em São Paulo

20 Mai 2022 - 07h20Por (*) Rui Sintra
Não conte com o Consulado-Geral de Portugal em São Paulo -

Isto é para você, leitor, que por qualquer circunstância está pensando em tratar assuntos no Consulado-Geral de Portugal em São Paulo. Inexplicavelmente, qualquer tentativa de comunicação com os serviços desse Consulado - quer através de telefone, de email, ou por outro meio - é infrutífera, pois ninguém atende para fornecer informações sobre os inúmeros processos que se encontram em curso na representação consular portuguesa, seja para para iniciar outros, ou simplesmente para sanar dúvidas. Por outro lado, quem tenta agendar algum serviço através do site do Consulado (obrigatório) depara-se com a impossibilidade de comunicação, pois os canais estão “congelados”. Esta é uma situação inusitada e que certamente não deveria acontecer nunca, já que Portugal conseguiu assumir vários lugares de destaque em sua administração, com uma imagem quase brilhante quer em termos internos, quer fora de suas fronteiras. Neste caso atípico do Consulado-Geral de Portugal em São Paulo, largas centenas de portugueses, lusodescendentes e brasileiros natos encontram-se impossibilitados de agendar a emissão ou renovação de documentos civis e de viagem, solicitar vistos, prosseguir de forma célere com processos de cidadania, bem como contar com o agendamento das presenças consulares nas cidades do interior do Estado. Entendo, com natural convicção, que a gestão de uma representação nacional em um país estrangeiro deverá seguir todas as orientações emanadas pelo respectivo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que, por sua vez, segue a política do Governo (seja ele qual for) dedicada a essa pasta. Não acreditamos que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal tenha dado instruções para o Consulado não atender os cidadãos portugueses radicados no Estado de São Paulo, ou que tenha dado orientações para “congelar” as comunicações com a Comunidade. Entendo, também, que uma representação consular está ao serviço dos cidadãos do país, radicados em solo não pátrio e, quer queiramos, quer não, os titulares dessa representação são funcionários públicos, pagos com o dinheiro dos impostos dos portugueses, portanto, têm obrigações e deveres que não podem ser alienados. Não atender as necessidades dos cidadãos, cortar qualquer tipo de comunicação com suas comunidades, não prover o bem-estar dos mesmos é, no meu entender, algo incompreensível e inimaginável, que vai contra tudo quanto é emanado dos conceitos de cidadania, diplomacia, democracia e de relações internacionais, Ou seja, não cumpre sua nobre missão e deixa a imagem do País maculada. Tudo isto é sinónimo de desrespeito e desprezo pela comunidade de portugueses e de lusodescendentes radicados no Estado de São Paulo, que é, sim, a alma mater responsável pela existência de um Consulado-Geral de Portugal em São Paulo. Das duas, uma... Ou muda-se a gestão, ou mudam-se os gestores. Entretanto, aguardemos as posições do poder instituído em Portugal, que já tem ciência do que está acontecendo.

O autor é jornalista profissional / correspondente para a Europa pela GNS Press Association  / EUCJ - European Chamber of Journalists / European News Agency) - MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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