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quarta, 14 de abril de 2021
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DIA A DIA NO DIVÃ: Intoxicação Emocional

05 Fev 2018 - 02h48Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

"Intoxicação Emocional", como descreve o nome, se trata de uma sobre carga de emoções, que assim como qualquer outra substância em exagero dentro do corpo, causa intoxicação.

Este excesso de informações e sentimentos faz com que outras sensações e pensamentos que poderiam nos ajudar a alcançar a estabilidade emocional, sejam mascarados e dificultem a nossa percepção sobre uma situação anormal e maléfica ao corpo e a mente.

Ela é causada por conflitos internos, pessoais e emocionais, que afetam diretamente o nosso bem-estar físico e psicológico, tornando-nos vulneráveis. Esses conflitos internos quando não solucionados, continuam atuando, eles não desaparecem sozinhos, vão se acumulando causando a "intoxicação".

Algumas são as maneiras de identificar tal distúrbio, os sintomas variam entre:

Falta de motivação;

Decepção pessoal;

Insegurança;

Dificuldade de expressar-se;

Angústias e aflições sem explicação aparente;

Incômodos desnecessários;

Agressividade;

Raiva;

Irritabilidade.

As atividades diárias perdem graça, torna-se difícil relaxar, distrair a mente, ficar à toa. A cobrança é constante e a sensação é de carregar constantemente um peso.

Aquele que está intoxicado, vive como se não percebesse certas coisas. Por exemplo, não escuta mais a opinião dos outros, toma verdades fixas e nega qualquer tipo de alteração no seu próprio discurso. Isso se deve ao fato do corpo atuar, como que em um mecanismo de defesa, para que situações diferentes daquela que se vive não surjam, pois devido à sobrecarga emotiva a que foi submetido, considera não ter força para enfrentar grande mudança ou desafio.

Essa descrença em si traz outras consequências. Surge forte insegurança e necessidade de manter-se em tal condição, mais uma vez, por medo.

A quebra da rotina é motivo de grande irritação e descontrole.

A intensidade das emoções é característica deste quadro. Culpa-se o tempo todo por algo que não correu bem, seja consigo ou com os outros; teme-se constantemente e pequenos acontecimentos são tomados como "uma tempestade em copo d'água"; desperta-se a raiva como um mecanismo de extravasar o turbilhão interior.

Por conta disso, a pessoa passa a se relacionar mal com aqueles que a cercam e consequentemente a se isolar.

Assim como a cura para quaisquer outros tipos de intoxicação, o primeiro passo é identificá-la e aceitá-la.

Quando alguém sofre uma intoxicação alimentar, por exemplo, deve-se eliminar do corpo o alimento causador do desequilíbrio. O mesmo deve ser feito quanto às emoções. Se o excesso de alguma delas é motivo de insegurança e tendência à depressão, o caminho é aceitar tal situação e procurar ajuda. Frente a um quadro de intoxicação alimentar, imediatamente procuramos um médico, pois não conseguimos levar nossa vida a diante, devemos seguir o mesmo caminho no caso da intoxicação emocional.

Precisamos de tempo para desintoxicar. É como qualquer vício.

Existe a ressaca.

A ressaca emocional revela-se nos sentimentos de culpa, raiva, revolta, angústia, insônias, vergonha, tristeza.

Não se preocupe! A vontade de identificação de seus comportamentos e emoções (e se leu até aqui, essa vontade existe...) demonstra que já iniciou o processo de recuperação.

Procure ajuda de um profissional de Saúde Mental, que o ajudará no processo de identificação do elemento causador do distúrbio, só ele é apto para prescrever o melhor tratamento.

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço. 

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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