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sexta, 16 de abril de 2021
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Conscientizando-se sobre o autismo

02 Abr 2021 - 09h05Por Thálita Juliana Boni de Mendonça
Conscientizando-se sobre o autismo -

Estamos passando por uma semana que marca a busca, a qual deve ser incessante, pela conscientização do autismo. O rastreio por informações em fontes confiáveis, a procura por profissionais especializados na área e a não antecipação de ideias sobre este transtorno são caminhos a serem percorridos em favor da compreensão mais certeira sobre o assunto. A sociedade, muitas das vezes, levanta hipóteses sem embasamentos, buscando respostas no senso comum para perguntas e afirmações como: será que é autista? Ah! Ele (a) tem jeito de autista! Ele está demorando para falar, logo é autista!

Primeiramente, não há respostas imediatas, uma vez que o chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) depende de muitas observações sobre o comportamento do indivíduo. Pensemos e nos conscientizemos que autismo não tem cara, não é doença, não tem idade, não pode ser visto em exames de imagem, não é detectado em exames de sangue e não tem cura.

De forma mais clara, se trata de um transtorno neurobiológico, é de nascença e traz características como: movimentos repetitivos, sensibilidade na pele, aspectos antissociais, dificuldades na comunicação e linguagem. A análise para fechar o diagnóstico de TEA é baseada na observação do comportamento do paciente em: vídeos gravados pela família e depoimento dela, histórico familiar (casos de autismo na família), escalas de avaliação (como ATA e M-chat) e declarações de profissionais e da escola.

Destaca-se, também, que os sinais deste transtorno podem ser precoces e a atenção deve, sem julgamentos, se fazer presente desde a mais tenra idade. São eles: falta de respostas aos estímulos vindos dos pais (não troca olhares com a mãe durante a amamentação, não procura vozes de pessoas ao redor, evita encostar as mãozinhas em objetos), ausência de fala, vocabulário escasso e fala tardia, pouca ou nenhuma interação social e dificuldade em atender quando o chamam pelo nome.

Apesar de caracterizações já colocadas em pauta a segunda fase da conscientização sobre este transtorno é compreender que a individualidade deve ser valorizada, uma vez que alguns pacientes com TEA se comunicam verbalmente e outros não, alguns possuem características antissociais e outros se socializam facilmente. Visto isso, não é aconselhável padronizar ou, ainda, dividir a sociedade em caixinhas. A particularidade é crucial neste momento. Sendo assim, devemos desconfiar de fórmulas ou, ainda, metodologias que prometem alfabetizar todos os autistas e de materiais específicos para autistas, por exemplo. O olhar deve ser particular e não generalizado.

Todavia, é cabível destacar uma base científica comumente usada com crianças com TEA denominada Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Esta se baseia na ideia da aprendizagem sem erro. O intuito é não esperar o indivíduo fracassar, é relevante ajuda-lo sem causar dependência. O auxílio do profissional que trabalha com a terapia ABA deve ocorrer quando o paciente não responde, responde parcialmente e/ou está prestes a responder incorretamente. As ajudas são físicas (Apontar, pegar na mão do paciente para executarem a atividade conjuntamente...) e verbais (Através de perguntas).

Assim, vemos caminhos passíveis de serem trabalhadas com pessoas com autismo justificando o quão errôneo é questionar sobre a capacidade destes indivíduos. Julgar, levantar hipóteses baseadas em achismos e não procurar ajuda de uma equipe multiprofissional são erros que devem ser evitados, uma vez que levam desconforto as famílias e ao próprio sujeito. Tão logo, buscar informações confiáveis, caminhos inclusivos, reconhecimento sobre a ideia de que todos são capazes de aprender e compreender que autismo não tem cura, mas pode ser amenizado com o auxílio de uma equipe multiprofissional são algumas das iniciativas vindas de pessoas conscientes.

Logo, esta matéria não substitui um diagnóstico clínico, fechado através de avaliações feitas por profissionais como neuropediatras, psiquiatras, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos. O intuito é trazer informações com bases científicas e deixar a mensagem: informe-se e conscientize-se.

 

 

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