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segunda, 19 de abril de 2021
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Pesquisadores de São Carlos desenvolvem sensor que detecta hormônio feminino descartado no meio ambiente

18 Out 2017 - 09h15Por Redação
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Em três minutos, o protótipo de um sensor eletroquímico foi capaz de detectar o hormônio estriol em amostras de água coletadas em um córrego de São Carlos. Indicado a mulheres para prevenir e tratar complicações advindas de deficiência hormonal, esse hormônio (metabolizado ou não pelo organismo) pode entrar na rede de esgoto após ser liberado com a urina ou ser descartado incorretamente, por exemplo, através do vaso sanitário.

Difícil de ser degradado pela natureza, por vezes o estriol não é eliminado nas estações de tratamento de água, podendo ser consumido pela população. Uma vez no organismo humano, o hormônio pode desencadear complicações nas regiões endócrinas (relacionadas a glândulas que expelem hormônios) e reprodutivas tanto masculinas como femininas.

Em busca de uma alternativa de baixo custo, rápida e eficaz para detectar esse hormônio em amostras de água, uma equipe de pesquisadores, incluindo o Dr. Paulo Augusto Raymundo-Pereira e o Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Jr. - ambos do Grupo de Polímeros "Prof. Bernhard Gross" do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) -, criou o protótipo de um sensor para detectar o hormônio em uma única gota de água.


O diferencial desse sensor eletroquímico, segundo Paulo Raymundo, é sua composição de nanoesferas de carbono ("Carbon Black"): um material que é mais econômico do que nanotubo de carbono e grafeno. Atualmente, esses últimos são os mais utilizados para esse tipo de análise. No caso da nova metodologia, as nanopartículas de prata são aderidas às nanoesferas de carbono, aumentando a condutividade elétrica do sensor e, assim, otimizando seu desempenho.


O pesquisador diz que, hoje, a detecção do estriol é feita por pessoal especializado, em laboratório, a partir de processos demorados que exigem etapas de preparação das amostras. Mas o intuito dos desenvolvedores é tornar o novo método portátil, de modo que eventualmente possa ser comercializado e usado diretamente nas estações de tratamento de água.
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o protótipo foi desenvolvido em parceria com os docentes e pesquisadores Sergio Machado, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), Fernando Vicentini e Bruno Janegitz, ambos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Carlos Constantino, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). (Rui Sintra & Thierry Santos - Assessoria de Comunicação - IFSC/USP)

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